terça-feira, 22 de junho de 2010

POEIRA DAS ESTRELAS - PARTE 03/12






UMA NOVA ASTRONOMIA

O físico Marcelo Gleiser conta hoje como a ciência finalmente conseguiu provar que a Terra não é o centro do universo.

Nossa equipe desembarca em Praga, a bela capital da República Tcheca, para mais um episódio de Poeira das Estrelas. O físico Marcelo Gleiser conta hoje como a ciência finalmente conseguiu provar que a Terra não é o centro do universo.

No capítulo passado, nós conhecemos a história de dois grandes astrônomos do século XVI, um tempo turbulento para a ciência: Nicolau Copérnico, o polonês que teve a coragem de afirmar que a Terra não era o centro do universo; e o italiano Galileu Galilei, o primeiro homem a ter a idéia de apontar um telescópio para o espaço.

Com Galileu, a Ciência fez grandes descobertas e entrou na era das experiências - ver para crer se tornou muito mais importante do que crer para ver. No capítulo de hoje, a convivência tumultuada de dois gênios: Kepler e Brahe.

Praga, a bela capital da República Tcheca. Contra todas as expectativas, na cidade, aconteceu um encontro que mudou a história da astronomia. Duas cabeças que pensavam de maneira bem diferente acabaram provando que o modelo do cosmo proposto por Copérnico estava certo: não é o Sol que gira em torno da Terra, e sim, o contrário.

Em 1600, o maior astrônomo da Europa, um príncipe dinamarquês, convidou um jovem alemão brilhante para ser seu assistente. O príncipe queria a ajuda dele para provar de uma vez por todas que a Terra era o centro do cosmo. Mas essa história teve um fim muito diferente.

O príncipe se chamava Tycho Brahe. Ele ocupava o cargo de astrônomo imperial, no castelo de Benatky, nos arredores de Praga. Brahe era um homem de personalidade difícil e aparência assustadora. Em um duelo, havia perdido parte do nariz e usava uma prótese de metal.

Assim como os gregos antigos e a Igreja Católica, Brahe acreditava no modelo geocêntrico. Geo quer dizer terra e cêntrico, centro. Ou seja, que a Terra era o centro do universo. E ele queria provar que não se tratava apenas de uma crença, e sim, a verdade absoluta.

Brahe dispunha de meios para isso. Afinal, como maior astrônomo da Europa, havia medido com precisão inédita para a época as posições dos planetas no céu noturno.

Mas ele precisava de um arquiteto, alguém que soubesse matemática suficiente para transformar seus dados em um novo modelo do cosmo. Também não ajudava o fato de Brahe dedicar tempo demais às festas e à bebida.

Foi quando entrou em cena o jovem astrônomo alemão Johannes Kepler. Ele era uma espécie de Woody Allen da ciência: corpo franzino, tímido e neurótico, Kepler fugia de uma história de vida tumultuada. A mãe dele havia sido acusada de bruxaria e o pai era um mercenário de reputação duvidosa, que havia abandonado a família.

Em uma Europa dividida por conflitos entre católicos e protestantes, Kepler havia sido expulso da cidade onde morava na Áustria.

Em Praga, ele procurava não só a proteção que as muralhas do castelo de um príncipe podiam oferecer. Ele queria encontrar nos céus a ordem que não via na Terra.

Essa harmonia dos céus que Kepler enxergava era o oposto do que acreditava o príncipe. Para o jovem astrônomo, o modelo heliocêntrico de Copérnico é que era o certo. Em grego, helios quer dizer sol - o sol, no centro. Portanto, a Terra é que gira em torno do Sol.



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