sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Preparativos para o Natal (Antroposofia)

Na época de Advento tem-se notoriamente muito que fazer para preparar a festa de Natal. Limpamos e arrumamos a casa, penduramos enfeites natalinos. Escolhemos e compramos os presentes e os embrulhos festivamente, escrevemos as cartas anuais aos parentes e amigos. Depois há também a confecção de bolos e biscoitos com que tem de se haver as donas de casa e as mães.

Afinal, há tantas coisas que não podemos deixar de fazer antes de Natal, que em nós mesmos e na casa pode vir a se instalar uma disposição de ânimo de correria e desassossego. Esse estado de presa febril Friedrich Rittelmeyer denominou “febre de Natal”, e ele explicou que esta é uma das invenções mais sutis e bem sucedidas do 'diabo', que com isto quer afastar o ser humano do verdadeiro sentido da festa de Natal. Podemos verificar em nós mesmos, essa sensação de falta de tempo e pressa nos causa um mal-estar que acaba nos esgotando logo no início das doze Noites Santas.

Mas justamente porque intuímos o que quer vir ao nosso encontro nessas Noites Santas, justamente porque esse pressentimento vive em nós com tanta força, por isso é que sentimos quão importantes são os nossos preparativos. E então essa sensação de importância do nosso agir pré-natalino nos leva a fazer demais, de tal modo que não sobram forças para os preparativos interiores, que são efetivamente os mais importantes.

O que fazemos exteriormente agora no Advento certamente tem seu significado, mas apenas é uma imagem daquilo que poderíamos fazer em nosso íntimo para nos preparar convenientemente. A sensação de agora ser tempo para arrumar e embelezar a casa é, na verdade, uma transformação daquela outra sensação que nos diz: é hora de arrumar a minha consciência, preciso cultivar os pensamentos adequados. Essa preparação interior é o mais primordial e também o mais essencial, apesar da atividade exterior da época de Advento sempre dificultar a obtenção da calma necessária para refletir e ordenar o nosso íntimo.

E há também os presentes que compramos ou confeccionamos nós mesmos. Por trás disso se encontra a arque-imagem do presentear, que se aproxima a cada ano na época de Advento. Essa arque-imagem denomina-se sacrificar. No sacrifício se a si mesmo temos o presentear em sua forma mais genuína. Presentear objetos exteriores certamente pode proporcionar grande alegria, mas quando alguém está disponível para o outro, se dedica ao bem-estar de outros, este é o presentear interior é a verdadeira preparação para o Natal. Dar-se a si mesmo cria um espaço em que pode nascer o Cristo quando vem a Noite Santa.


James H. Hindes
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