terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Felicidade...


"Quase sempre 
a maior ou menor felicidade 
depende do grau de decisão de ser feliz."

Abraham Lincoln

Glândula Pineal: a união do corpo e da alma


Frequentemente, a glândula pineal surge como o centro de nosso relacionamento com outras dimensões, e tem sido assim nas mais variadas correntes religiosas e místicas, há milhares de anos. O especialista no assunto, dr. Sérgio Felipe de Oliveira, conversou conosco sobre o assunto, mostrando os avanços da ciência no sentido de desvendar esse mistério.

- Paula Calloni de Souza

O mistério não é recente. Há mais de dois mil anos, a glândula pineal, ou epífise, é tida como a sede da alma. Para os praticantes do ioga, a pineal é o ajna chakra, ou o "terceiro olho", que leva ao autoconhecimento. O filósofo e matemático francês Renê Descartes, em Carta a Mersenne, de 1640, afirma que "existiria no cérebro uma glândula que seria o local onde a alma se fixaria mais intensamente".

Atualmente, as pesquisas científicas parecem ter se voltado definitivamente para o estudo mais atento desta glândula. Estaria a humanidade próxima da comprovação científica da integração entre o corpo e a alma? Haveria um órgão responsável pela interação entre o homem e o mundo espiritual? Seria a mediunidade, de fato, um atributo biológico e não um conceito religioso, como postulou Allan Kardec?

Para responder a estas e outras perguntas, a revista Espiritismo e Ciência conversou com o psiquiatra e mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo, dr. Sérgio Felipe de Oliveira. Diretor-clínico do Instituto Pineal Mind, e diretorpresidente da AMESP (Associação Médico-Espírita de São Paulo), Sérgio Felipe de Oliveira é um dos maiores pesquisadores na área de Psicobiofísica da USP, e vem ganhando destaque nos meios de comunicação com suas pesquisas acerca do papel da glândula pineal em fenômenos ligados à mediunidade.

Fale um pouco sobre seu trabalho à frente da AMESP e do Instituto Pineal Mind.

A AMESP é uma associação de utilidade pública que reúne médicos dedicados ao estudo da relação entre a medicina e a espiritualidade. O Pineal Mind é minha clínica, um instituto de saúde mental, onde fazemos pesquisas e atendemos psicoses, síndromes cerebro-vasculares, ansiedades, depressão, psicoses infantis, uso de drogas e álcool. Temos um setor de psiconcologia (psicologia aplicada ao câncer) e estudamos também os aspectos psicossomáticos ligados à cardiologia, etc. Agora, particularmente nas pesquisas comportamentais, eu estudo os estados de transe e a mediunidade. Mas não pesquiso só a glândula pineal; ela é o que eu pesquiso no cérebro, interessado em entender a relação entre corpo e espírito.

O que é psicobiofísica?

É a ciência que integra a psicologia, a física e a biologia. Na biologia, estudamos o lobo frontal, responsável pela crítica da razão; mas o cérebro funciona eletricamente - aí entra a física, que serve de substrato para o pensamento crítico, que é o psicológico.

Quando surgiu seu interesse no aprofundamento do estudo da pineal?

Foi por volta de 1979/80, quando eu estava estudando a obra de André Luiz, psicografada por Chico Xavier. Em Missionários da Luz, a pineal é claramente citada. Nesta mesma época, eu já pleiteava o curso de Medicina. No colégio, estudando Filosofia, fiquei impressionado com a obra de Descartes, que dizia que a alma se ligava ao corpo pela pineal.Quando entrei na faculdade, corri atrás destas questões, do espiritual, da alma e de como isso se integra ao corpo.

O que é a glândula píneal, onde está localizada e qual a sua função no organismo?

A pineal está localizada no meio do cérebro, na altura dos olhos. Ela é um órgão cronobiológico, um relógio interno. Como ela faz isso? Captando as radiações do Sol e da Lua. A pineal obedece aos chamados Zeitbergers, os elementos externos que regem as noções de tempo. Por exemplo, o Sol é um Zeitberger que influencia a pineal, regendo 0 ciclo de sono e de vigília, quando esta glândula secreta o hormônio melatonina. Isso dá ao organismo a referência de horário. Existe também o Zeitberger interno, que são os genes, trazendo o perfil de ritmo regular de cada pessoa. Agora, o tempo é uma região do espaço. A dimensão espaço-tempo é a quarta dimensão. Então, a glândula que te dá a noção de tempo está em contato com a quarta dimensão. Faz sentido perguntarmos: "Será que a partir da quarta dimensão já existe vida espiritual?" Nós vivemos em três dimensões e nos relacionamos com a quarta, através do tempo. A pineal é a única estrutura do corpo que transpõe essa dimensão, que é capaz de captar informações que estão além dessa dimensão nossa. A afirmação de Descartes, do ponto em que a alma se liga ao corpo, tem uma lógica até na questão física, que é esta glândula que lida com a outra dimensão, e isso é um fato.

Outros animais possuem a epífise? Ela está relacionada á consciência?

Todos os animais têm essa glândula; ela os orienta nos processos migratórios, por exemplo, pois ela sintoniza o campo magnético. Nos animais, a glândula pineal tem fotorreceptores iguais aos presentes na retina dos olhos, porque a origem biológica da pineal é a mesma dos olhos, é um terceiro olho, literalmente.

Esta glândula seria resquício de algum órgão que está se atrofiando, ou estaria ligada a uma capacidade psíquica a ser desenvolvida?

Eu acredito que a pineal evoluiu de um órgão fotorreceptor para um órgão neuroendócrino. A pineal não explica integralmente o fenômeno mediúnico, como simplesmente os olhos não explicam a visão. Você pode ter os olhos perfeitos, mas não ter a área cerebral que interprete aquela imagem. É como um computador: você pode ter todos os programas em ordem, mas se a tela não funciona, você não vê nada. A pineal, no que diz respeito à mediunidade, capta o campo eletromagnético, impregnado de informações, como se fosse um telefone celular. Mas tudo isso tem que ser interpretado em áreas cerebrais, como por exemplo, o córtex frontal. Um papagaio tem a pineal, mas não vai receber um espírito, porque ele não tem uma área no cérebro que lhe permita fazer um julgamento. A mediunidade está ligada a uma questão de senso-percepção.

Então, a ela não basta a existência da glândula pineal, mas sim, todo o cone que vai até o córtex frontal, que é onde você faz a crítica daquilo que absorve. A mediunidade é uma função de senso (captar) - percepção (faz a crítica do que está acontecendo). Então, a mediunidade é uma função humana.

A pineal converte ondas eletromagnéticas em estímulos neuroquímicos? Isso é comprovado cientificamente?

Sim, isso é comprovado. Quem provou isso foram os cientistas Vollrath e Semm, que têm artigos publicados na revista científica Nature, de 1988.

A parapsicologia diz que estes campos eletromagnéticos podem afetar a mente humana. O Dr. Michael Persinger, da Laurentian University, no Canadá, fez experiências com um capacete que emite ondas eletromagnéticas nos lobos temporais. As pessoas submetidas a essas experiências teriam tido "visões" e sentiram presenças espirituais. O Dr. Persinger atribui esses fenômenos à influência dessas ondas eletromagnéticas O que o senhor teria a dizer sob isso?

Veja, o espiritual age pelo campo eletromagnético. Então, dizer que este campo interfere no cérebro não contraria a hipótese de uma influência espiritual. Porque, se há uma interferência espiritual, esta se dá justamente pelo campo eletromagnético. Quando se fala do espiritual, em Deus, a interferência acontece na natureza pelas leis da própria natureza. Se o campo magnético interfere no cérebro, a espiritualidade interfere no cérebro pelo campo magnético. Uma coisa não anula a outra. Pelo contrário, complementam-se.

A mediunidade seria atributo biológico e não um conceito religioso? Existe uma controvérsia no meio cientifico a esse respeito?

A mediunidade é um atributo biológico, acredito, que acontece pelo funcionamento da pineal, que capta o campo eletromagnético, através do qual a espiritualidade interfere. Não só no espiritismo, mas em qualquer expressão de religiosidade, ativa se a mediunidade, que é uma ligação com o mundo espiritual.

Um hindu, um católico, um judeu ou um protestante que estiver fazendo uma prece, está ativando sua capacidade de sintonizar com um plano espiritual. Isso é o que se chama mediunidade, que é intermediar. Então, isso não é uma bandeira religiosa, mas uma função natural, existente em todas as religiões. E isso deve acontecer através do campo magnético, sem dúvida. Se a espiritualidade interfere, é pelo campo eletromagnético, que depois é convertido, pela pineal, em estímulos eletroneuroquímicos. Não existe controvérsia entre ciência e espiritualidade, porque a ciência não nega a vida após a morte. Não nega a mediunidade. Não nega a existência do espírito. Também não há uma prova final de que tudo isto existe. Não existe oposição entre o espiritual e o científico. Você pode abordar o espiritual com metodologia científica, e o espiritismo sempre vai optar pela ciência. Essa é uma condição precípua do pensamento espírita. Os cientistas materialistas que disserem "esta é minha opinião pessoal", estarão sendo coerentes. Mas se disserem que a opção materialista é a opinião da ciência, estarão subvertendo aquilo que é a ciência. A American Medicai Association, do Ministério da Saúde dos EUA, possui vários trabalhos publicados sobre mediunidade e a glândula pineal. O Hospital das Clínicas sempre teve tradição de pesquisas na área da espiritualidade e espiritismo. Isso não é muito divulgado pela imprensa, mas existe um grupo de psiquiatras lá defendendo teses sobre isso.

Como são feitas as experiências em laboratório?

Existem dois tipos: um, que é a experiência de pesquisa das estruturas do cérebro, responsáveis pela integração espírito/corpo; e outra, que é a pesquisa clínica, das pessoas em transe mediúnico. São testes de hormônios, eletroencefalogramas, tomografias, ressonância magnética, mapeamento cerebral, entre outros. A coleta de hormônios, por exemplo, pode ser feita enquanto o paciente está em estado de transe. E os resultados apresentam alterações significativas.

As alterações em exames de tomografia, por exemplo, são exclusivas ou condizentes com outras patologias? O senhor descarta a hipótese de uma crise convulsiva?

Isso é bem claro: a suspeita de uma interferência espiritual surge quando a alteração nos exames não justifica a dimensão ou a proporção dos sintomas. Por exemplo: o indivíduo tem uma crise convulsiva fortíssima, é feito o eletroencefalograma e aparece uma lesão pequena. Não há, então, uma coerência entre o que está acontecendo e o que o exame está mostrando. A reação não é proporcional à causa. A mediunidade mexe com o sistema nervoso autônomo - descarga de adrenalina, aceleração do ritmo cardíaco, aumento da pressão arterial.

Como o senhor diferencia doença mental de mediunidade?

Na doença mental, o paciente não tem crítica da razão; no transe mediúnico, ele tem essa crítica. Quando o médium diz que incorporou tal entidade espiritual, mas que ele, médium, continua sendo determinada pessoa, ele usou a crítica, julgou racionalmente o que aconteceu. Agora, um indivíduo que diz ser Napoleão Bonaparte? Aí ele perdeu a crítica da razão. Essa é a diferença. O que não quer dizer que o indivíduo que esteja em psicose não possa estarem transe também. A mediunidade se instala no indivíduo são, ou pode dar uma dimensão muito maior a uma doença. A mediunidade sempre vai dar um efeito superlativo. Se a pessoa alimenta bons sentimentos, ela cresce. Se ela tem uma doença, aquela doença pode ficar fora de controle.

É verdade que a pineal se calcifica com a meia-idade? E essa calcificação prejudica a mediunidade?

Não, a pineal não se calcifica; ela forma cristais de apatita, e isso independe da idade. Estes cristais têm a ver com o perfil da função da glândula. Uma criança pode ter estes cristais na pineal em grande quantidade enquanto um adulto pode não ter nada. Percebemos, pelas pesquisas, que quando um adulto tem muito destes cristais na pineal, ele tem mais facilidade de sequestrar o campo eletromagnético. Quando a pessoa tem muito desses cristais e sequestra esse campo magnético, esse campo chega num cristal e ele é repelido e rebatido pelos outros cristais, e este indivíduo então apresenta mais facilidade no fenômeno da incorporação. Ele incorpora o campo com as informações do universo mental de outrem. É possível visualizar estes cristais na tomografia. Observamos que quando o paciente tem muita facilidade de desdobramento, ele não apresenta estes cristais.

As crianças teriam mais sensibilidade mediúnica?

A mediunidade na criança é diferente da de um adulto. É uma mediunidade anímica, é de saída. Ela sai do corpo e entra em contato com o mundo espiritual.

A pineal pode ser estimulada com a entoação de mantras, como pregam os místicos?

A glândula está localizada em uma área cheia de líquido. Talvez o som desses mantras faça vibrar o líquido, provocando alguma reação na glândula. Os cristais também recebem influências de vibração. Deve vibrar o líquor, a glândula, alterando o metabolismo. Teria lógica.

Em que se concentrarão seus próximos estudos?

Estou preparando um estudo sobre Cronogenética da Reencarnação. Mas, sobre isso, falarei mais detalhadamente em 2003, durante o Congresso Médico-Espírita.

Revista Espiritismo e Ciência

Palestra: O que é mediunidade

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Luz ou Sombra?


"Se deres as costas à luz 
nada mais verás 
do que a tua própria sombra."

Zalkind Piatigorsky

Cérebro: seu cérebro tem fome de quê?


Alguns alimentos afetam o que você pensa e sente. É o que diz o neurocientista Gary Wenk em seu livro Your Brain on Food (A Comida em seu Cérebro - ainda sem edição brasileira).

O órgão responsável por regular o consumo de alimentos, remédios e drogas nos Estados Unidos chama-se Food and Drug Administration (FDA). É dali que saem as decisões sobre o que um americano pode encontrar nas prateleiras da farmácia, do supermercado ou somente no mercado negro. Gary Wenk, professor de neurociência na Ohio State University, EUA, acha que as fronteiras entre essas categorias são muito mais tênues e espera que os agentes do órgão não estejam por dentro dos assuntos que discute em sala de aula. “Se soubessem, eles seriam obrigados a regular a venda de barras de chocolate.”

De acordo com Wenk, o doce contém um número grande de psicoativos. “O pó de cacau tem substâncias similares à cafeína, às anfetaminas e à maconha, além de liberar opiáceos no corpo”, diz. Em seu livro mais recente, Your Brain On Food , o cientista mostra que não é só o chocolate — quase tudo que comemos, seja droga ou comida, tem efeito em nosso funcionamento cerebral. Ao longo da história, aliás, nutrientes e psicotrópicos se confundiram diversas vezes.

Em cada ocasião que o café surgia numa determinada cultura, era bem recebido como alimento. “Depois, passava a ser visto com temor pelo seu efeito estimulante e políticos mandavam fechar casas de café”, diz Wenk. A diferença está baseada em fatores culturais. Tanto que sensações de prazer, de relaxamento, de euforia e até alucinações podem vir quando ingerimos alimentos comuns, do dia a dia, como açafrão ou erva-doce, que contêm substâncias capazes de mudar nosso estado psíquico, por exemplo. “Ao estudar como esses químicos interagem com o comportamento humano, podemos manipular nosso humor e até desvendar o funcionamento do corpo.”

Parentesco ancestral

Nosso cérebro tem pelo menos 100 neurotransmissores circulando entre suas diversas áreas. São substâncias cuja função é ligar os diversos neurônios em atividade, passando as mensagens que precisam ser transmitidas para o resto do corpo. Dependendo do neurotransmissor a mensagem pode ser: acorde, se mexa, salive, urine, lembre, alegre-se.

Se os químicos presentes na comida afetam nosso comportamento, é justamente porque interagem com esses neurotransmissores, aumentando ou cortando seus efeitos. Isso só acontece porque seres humanos e vegetais (e todos os seres vivos, na verdade, já que tivemos um antepassado comum, o mesmo organismo unicelular) dividem a mesma história evolutiva.

Claro que tudo tem a ver com quantidade. “É uma questão de dose. Se comermos o suficiente de determinado alimento, haverá uma consequência”, diz Wenk. Um bom exemplo é a noz-moscada, usada como tempero. Na quantidade que consumimos, normalmente é inócua. “Mas se você comer uma inteira, alucinará por dias”, diz. Esse é um exemplo extremo de um alimento que age em um neurotransmissor conhecido como dopamina. Ele é responsável por nos fazer sentir prazer em atividades como o sexo e alimentação. É por isso que, em quantidades médias, dá uma sensação de euforia. O mesmo princípio vale para várias outras comidas.


Até mesmo uma substância aparentemente inocente como o leite causa suas alterações em nossa percepção. Nosso intestino converte alguns de seus componentes em opiáceos, tipo de substância presente na morfina e na heroína. Sua função no nosso corpo é regular a sensação de dor, causando euforia e prazer quando em grandes quantidades. O livro explica que temos uma barreira entre o intestino e o sangue, e também outra entre o sangue e o cérebro, que acabam bloqueando a ação de boa parte desses químicos.

Entretanto, em crianças abaixo de dois anos de idade, essas barreiras não estão completamente formadas. Entre os recém-nascidos, beber leite acaba gerando uma experiência parecida com a da heroína. “A recompensa é tão boa que a criança quer voltar a mamar de novo e de novo. O que é bom, acaba garantindo sua sobrevivência”, diz Wenk. Se nosso próprio corpo tira vantagem das características psicoativas de nossa dieta para aprimorar a sobrevivência, por que não fazer o mesmo conscientemente?

Conhecer essas características pode, inclusive, nos ajudar a prevenir os efeitos ruins do envelhecimento e doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer. Pesquisas indicam que pessoas com o risco genético da doença, se comerem muitos derivados de leite, têm mais chance de desenvolvê-la. “Mas, se beberem um pouquinho de álcool todo dia, como uma ou duas latas de cerveja, o risco diminui”, afirma o neurocientista. O risco também é reduzido se comermos menos, já que metabolizar a comida produz resíduos que, em excesso, aceleram o envelhecimento do cérebro. “Se meu livro é sobre comida no cérebro, essa é a sua antítese: consumir o mínimo possível de calorias por dia é o melhor que você pode fazer por ele.”

Para Wenk, a comida pode nos fazer mal ou bem, nos deixar alegres ou tristes. Já escolhemos, inconscientemente, quais químicos irão agir em nosso cérebro. O que pode melhorar é estarmos no controle consciente desse processo.

Fonte: Revista Galileu Nº 232 novembro 2010 



Fonte: coisa de boticário

domingo, 29 de janeiro de 2012

Rosa de Jericó / Planta da Ressurreição / Jéricho Rose


Essa planta chamada de Rosa de Jericó ou planta da Ressurreição nasce em regiões de Deserto.

Quando ela “sente” que as condições de umidade e de nutrientes estão muito deficientes, se enrola como uma bola, se desenraíza do solo e torna-se “vulnerável e entregue” aos ventos do deserto para que a levem para algum lugar mais propício.

Quando ela “sente” que o lugar onde “aportou” tem condições de umidade e de sobrevivência propícias, ela começa a florescer novamente, como num renascimento, numa ressurreição. Ela se abre, deposita suas sementes, que germinam. Se o “sensor” da planta “perceber” que ali ainda não é o melhor lugar para seu pleno florescimento, ela repete o processo de desenraizar-se, de enrolar-se, de “morrer” e entregar-se aos ventos até encontrar o melhor lugar.

Essa planta pode ficar mais de 30 anos como “morta” e se as condições de umidade e alimento surgirem, ela renasce, se enraíza e germina!

A frequência vibracional da Rosa de Jericó atuam positiva e firmemente, porém de maneira suave, em situações da nossa vida nas quais a “roda não gira” e os “nós” precisam ser desatados.

A atuação é eficaz em situações nas quais o que é essencial precisa ressuscitar, desemperrando o que está preso, revitalizando o que está morrendo e não deveria morrer pois é necessário na nossa vida; matando o que precisa ser morto, posto que já não tem função, é impeditivo no nosso caminho evolutivo.

As vibrações da Rosa de Jericó presentes em sua essência floral e em seu óleo -unção- nos auxiliam a entrar em sintonia com o que é propício e valoroso para nossas trajetórias existenciais, com o que tem fundamento e base, essencial para a manifestação do nosso melhor!

Ela ajuda muito na expressão do nosso potencial artístico, vocacional, impulsionando a manifestarmos no mundo as nossas aptidões, habilidades e talentos e na hora certa, no lugar certo, com as pessoas certas, auxilia no processo de sincronicidade.

A essência vibracional da Rosa de Jericó traz em sua “bagagem energética” a fé, principalmente na própria intuição; ajudando-nos a discernir intuição de “cochicho” interno.

A vibração energética da Rosa de Jericó vai limpando os caminhos que impedem essa intuição básica de ser ouvida pela nossa mente consciente, além de limpar a carga emocional que interfere nessa conexão sutilíssima que temos em potencial com a Existência.

Muitas crendices acerca dessa planta são veiculadas, principalmente na Europa, tais como: ela é um talismã poderosíssimo, atrai sorte financeira, ajuda a encontrar a alma parceira, limpa a negatividade do ambiente, inclusive inveja e maus olhados.

Claro que com crenças fortemente arraigadas não se discute, porém o que tem de verdadeiro nelas, é que de fato, ao tomarmos a essência da Rosa de Jericó ou usarmos seu óleo (unção), o nível de sintonia aumenta muito e nos tornamos mais atentos e com os sentidos mais aguçados para saber quando agir, quando aquietar, quando mudar, a hora certa de nos manifestarmos ou não, clareando inclusive nossa verdadeira intenção.

Ela traz o ensinamento, dificílimo, para muitos de nós, de saber agir na hora certa, adequada; ou seja, ela trabalha um nível de paciência muito mais elaborado, que é a paciência daqueles que esperam o momento correto, esperam o amadurecimento pleno da fruta para ser degustada; da ação precisa de quem viveu, experimentou a impulsividade que gerou a inadequação e o insucesso; por isso luta com intenção clara de vitória, sendo essa a tradução melhor do sentido da palavra perspicácia!

A Rosa de Jericó traz também a capacidade de mudar quando se sente que “não é ali o seu destino, não é propício continuar assim”; buscando sempre o melhor encaixe vital e existencial.

Já houve quem dissesse que a vida é um quebra-cabeças, então vamos com paciência e atenção focada e com perspicácia encaixar todos os nossos pedaços na intenção clara e precisa de construir nosso Todo em interação constante com o que já é inteiro.

A descrição de como essa planta nasce, vive, sobrevive, como ela tem uma Inteligência Vivacional e de como a pessoa que estará usando a essência, o óleo se beneficiará da trajetória dessa planta é fundamental.

Com minha melhor intenção e conexão com a cura. Com Deus!

Hércoles Jaci


...silêncio de um olhar...


"As mais lindas palavras de amor 
são ditas no silêncio de um olhar."

Leonardo da Vinci

Filme: Apocalipse de São João

sábado, 28 de janeiro de 2012

Sequência Fibonacci / Proporção Áurea / Triângulo de Pascal / Divina Proporção


Dentre todos os mistérios da Matemática, a sequência de Fibonacci é considerada uma das mais fascinantes descobertas da história.

A sequência de números proposta pelo matemático italiano Leonardo de Pisa, mais conhecido como Fibonacci, possui o numeral 1 como o primeiro e o segundo termo da ordem, e os elementos seguintes são originados pela soma de seus dois antecessores, observe:

1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377, 610, 987, 1597, 2584, 4181...

Analisada como uma sequência numérica, ela não passa de uma simples organização de numerais que recebem um toque de lógica matemática.


Mas o que faz dessa ordem de números, uma descoberta especial, é a sua ligação com os fenômenos da natureza e o valor aproximado da constante 1,6 , quociente da divisão entre um número e seu antecessor na sequência, a partir do número 3.

Os grandes estudiosos sempre procuraram a proporção ideal a ser aplicada nas construções e nas artes.

E foi com esse propósito que os gregos criaram o retângulo de ouro e os egípcios construíram suas pirâmides.

O retângulo obedecia a uma relação entre o comprimento e a largura, sendo a divisão entre eles, igual a 1,6.

Esse quociente também era registrado entre as pedras utilizadas na construção das pirâmides, considerando que a pedra inferior seria maior que a superior.

Nesse caso, a divisão entre elas também seria 1,6, pois esse valor era considerado um símbolo de perfeição nas construções, chegando a receber o nome de divina proporção. 

Fibonacci surge por volta do ano de 1200 estabelecendo a famosa sequência.


Ao observar a beleza da natureza, descobriu a divina proporção em várias plantas, como por exemplo, a espiral da folha de uma bromélia.

A espiral cresce na mesma medida que o retângulo de ouro, obedecendo a proporção de 1,618.

Os retângulos aumentam suas áreas de acordo com a sequência de Fibonacci.

Todos eles possuem medidas exatas de acordo com a divina proporção.

Na natureza, observamos a sequência em outras situações, como as espirais de um caracol que aumentam de acordo com a divina proporção.

A proporção entre as abelhas fêmeas e machos de uma colmeia, também é respeitada a proporção de ouro.

Os artistas Michelangelo e Leonardo da Vinci aplicaram em suas obras a proporção de ouro, enfatizando em suas artes o número constante 1,6.

Da Vinci observou a presença do número de ouro no corpo humano, realizando as seguintes medições:

Altura da pessoa dividida pela altura do umbigo em relação ao solo.
Medida inteira da perna dividida pela altura do joelho até o solo.
Medida do braço inteiro divida pelo tamanho do cotovelo até o dedo.
Medida do dedo inteiro dividida pelo tamanho da dobra central até a ponta.

O que são os sete corpos sutis?


Sistema de Corpos

Corpo significa veículo ou instrumento da consciência, o invólucro no qual a consciência entra em contato com o mundo exterior. Os corpos sutis são diferentes aspectos da nossa natureza multidimensional. Possuímos muitos aspectos, muitos níveis de conhecimentos e muitas perspectivas de expressão que se integram numa totalidade.

Somos seres multidimensionais. O que significa que nos manifestamos em várias dimensões ou diferentes planos de realidade e, possuímos um sistema de corpos que podem ser classificados em dois grupos: 
  • Corpos Superiores (Eu Sou, Corpo Causal, Corpo Mental Superior) e 
  • Corpos Inferiores (Mental Inferior, Emocional, Astral, Duplo Etérico e Corpo Físico).
Os “corpos sutis”, são veículos para a manifestação da consciência ou espírito, nas dimensões correspondentes a cada um deles. Um corpo sutil não é algo material, como entendemos a matéria, que podemos ver e tocar, mas um campo de energia que coexiste com nosso corpo físico, numa outra dimensão da realidade.

Cada um dos sete corpos age como uma camada protetora para o seguinte. Cada um é um veiculo de consciência que percebe uma atividade e um domínio especifico de vibração constantemente, quer estejamos conscientes dele ou não. No caminho da Alquimia Interior, devemos nos esforçar para detectar e agir, dentro de cada um desses níveis, conscientemente.

Embora todos os sete corpos, como faculdades da consciência, se expressem numa realidade tridimensional, os primeiros três corpos ---- o físico, o emocional e o mental ---- constituem o que chamamos de personalidade.


O quarto corpo é uma ponte entre os três superiores e os três inferiores. É um mensageiro e arquivista, que realmente serve como um diagrama para os três corpos inferiores a cada vez que encarnamos. Os três corpos superiores são mais espirituais por natureza e servem como receptores e transmissores interdimensionais e cósmicos.

O corpo físico é, na realidade, um conglomerado de todos os outros, com o acréscimo da matéria ou substância planetária. (Todos os outros corpos são compostos de substância luz). Isso explica por-que tudo ---- mental, emocional, psíquico e espiritual ---- encontra-se retratado no corpo físico.
A seguir veremos algumas características dos corpos como experimentados no corpo físico, na ordem de sua criação ou descida à matéria.

Vamos ver algumas características dos sete corpos, para que possamos entender como são afetados por nós enquanto seres que pensam e sentem e, como somos afetados em todas as áreas pelos desequilíbrios que causamos nesses corpos:

Os Sete Corpos

Sétimo Corpo ou Corpo Eletrônico

Tem forma cilíndrica e envolve todos os outros corpos dentro de si. A substância do corpo eletrônico, embora permeando todos os demais corpos até o celular, é encontrada na sua forma mais pura nas superfícies mais externas do cilindro. Este é o grau mais refinado da Substância-luz, que pode aparecer como filamentos de luz dourado-prateada.
Em nossos sonhos ou estados meditativos, quando nos sentimos muito expandidos e exaltados, estamos em contato com a realidade pura e sem forma de nosso corpo eletrônico. De fato, é um corpo cósmico, sem qualquer relação com a forma material.

  • Visualmente: percebe-se a imensidão. A sensação é de grandes espaços, substâncias diáfanas e grandes formas de luz.
  • Auditivamente: o som ouvido é semelhante a uma poderosa e profunda pulsação.
  • Sensorialmente: experimenta-se uma profunda paz e tranqüilidade, inexplicáveis e sem conteúdo. É também energia, como se fossemos um sol de proporções majestosas e de luminosidade incomensurável.
Quando se é capaz de manter a consciência neste nível, o que é conseguido apenas através da meditação em ambientes dos quais foi removida toda a estimulação externa, a experiência é o que no Oriente é chamado de “Samadhi sem Semente”; sem semente porque não há perspectiva de onde se observar a realidade, apenas puramente.

Budas do passado e Iluminados, que ainda zelam por este planeta, bem como nossos próprios Eus Divinos, residem neste nível. Para nos alcançar e ensinar, precisam reduzir sua vibração de modo a nos encontrar em um dos planos inferiores.

Corpo Eletrônico: Presença Divina Individualizada, fonte de toda energia. Irradia energia pura não qualificada, para ser utilizada por todos os corpos. Sua sede está a pelo menos um metro acima da cabeça.

Sexto Corpo ou Corpo Causal

Sua forma é semelhante a do ovo e ocupa uma esfera ligeiramente menor no interior do cilindro. É percebida como uma forma composta de reios de luz pastel iridescente ao redor da aura. Este corpo está vagamente associado com as atividades do sétimo corpo e de dimensões superiores.

  • Visualmente: vê-se uma luz e formas de luz extraordinárias, mas vistas de uma perspectiva centralizada.
  • Auditivamente: percepção semelhante à do Sétimo corpo.
  • Sensorialmente: um sentimento de grandiosidade e domínio, êxtase espiritual e realização. É o nível emocional (sentimento) do plano espiritual.
Quando a consciência do ser está estacionada no nível de vibração do Corpo Causal, dizemos que se fundiu com seu Eu Superior ou de Cristo, aquele repositório de experiência completa e aperfeiçoada através de todas as encarnações.

Enquanto o Corpo Eletrônico é a essência ou fonte, o Eu Divino, o Corpo Causal, é a expressão individualizada no nível da essência. É nosso Eu perfeito ---- aquilo que os cristãos chamam de relação do Filho com o Pai. No Oriente, é chamado de experiência do “Samadhi com Semente” (semente, referindo-se ao ponto central, através do qual se percebe a realidade).

Corpo Causal: Também conhecido como Consciência de Cristo. O depósito de tesouros e talentos de outras encarnações. O Eu aperfeiçoado. Sua sede parece estar fora do corpo, sobre a cabeça ou exatamente em frente à testa.

Quinto Corpo ou Corpo Mental Superior

Seu âmbito é mais compactado e sua forma é circular. Neste nível possuímos uma inteligência clara, capaz de lidar com todos os níveis da realidade.

  • Visualmente: percebemos nossos próprios guias e dos outros, além de espíritos de elevado desenvolvimento, extremamente belos e radiosos, divinos.
  • Auditivamente: sentimos a voz interior e o conhecimento interior da associação com nosso Eu Superior. Estes são momentos de inspiração e profecia, onde vemos e ouvimos vozes e deduzimos o significado.
  • Sensorialmente: uma sensação de autodomínio sobre o veiculo físico, uma experiência unitária dos três corpos inferiores e uma ligação direta com forças superiores. Força e certeza são suas marcas registradas.
O Corpo Mental Superior age como uma ponte de comunicação entre todos os corpos. Tem existência distinta, bastante diferente dos demais. Sua forma, dentro da aura, tem sido descrita como a de uma teia elétrica azul.

Como consciência, o Mental Superior tem uma inteligência que está além do dualismo e que tem acesso a tudo que sabemos ou somos e a tudo o que sempre existiu nesse planeta. Este corpo compreende as forças kármicas existentes por detrás das ações. É o árbitro divino, o espectador proverbial, superconsciente.

Vamos compreender que todos os nossos corpos ou níveis de consciência atuam separada e também simultaneamente. Exatamente agora você está aqui com todos os seus corpos. Sua consciência, como uma estação de TV, está sintonizada em um único canal, de modo que você não pode captar totalmente aquilo que também está sintonizado em outros níveis de realidade.


Exatamente agora você está ouvindo ou vendo através de seu corpo mental inferior, mas seus corpos emocional e físico também estão respondendo. Pare um momento para observar o que o seu corpo físico está sentindo e quais são seus sentimentos em relação ao que você está lendo.


Observe como seu corpo mental superior está alerta. Em algum lugar você sente que o que estou dizendo é verdade, mesmo que não possa lembrar. Conscientize-se de como seus corpos sutis estão zumbindo. . . numa espécie de recordação.


De fato, você está em contato com algumas faculdades relacionadas a conhecimento-sentimento-percepção no nível Causal e com a graça ou êxtase de seu Eu Eletrônico. À medida que, ao ler você está experimentando todas essas coisas, pode imaginar o quanto está experimentando ao falar, dançar, amar e dormir!

Mental Superior: Além do pensamento dual. Intuição. Conhecimento. Liberta-nos das vibrações do plano material. Pode estar sujeito à ilusão. Age como ponte entre a consciência Cristica e a personalidade ou eu humano. A discriminação do Superconsciente. Sua sede está na área do Terceiro Olho.

Quarto Corpo ou Corpo Etérico

Este corpo está mais próximo do físico. Sua substância é a do quarto éter e consiste numa réplica exata do corpo físico. A cor deste corpo é azul-prateado. De todos os modos está mais próximo da existência física e serve como mensageiro entre dimensões, particularmente da terceira à sétima. É também o veiculo usado pelos corpos emocional e mental da consciência na projeção fora do corpo. Está ligado ao corpo físico pelo cordão de prata.


Este veículo contém traços de todas as experiências que tivemos em todas as nossas encarnações. Todo o karma acumulado (bom ou mau) está impresso neste corpo, bem como os chakras, o duplo luminoso de todos os órgãos e a programação astrológica (as marcas das influencias planetárias). A programação astrológica se correlaciona com a composição do sétimo raio. Tudo isso modela e dá forma ao corpo etérico, que por sua vez, faz o mesmo em relação aos corpos físico, mental inferior e emocional.

  • Visualmente: este corpo percebe mais aguda e nitidamente do que as faculdades físicas. A visão etérica inclui a visão áurica e a capacidade de ver através do corpo e de objetos físicos.
  • Auditivamente: a telepatia é possível no nível do corpo etérico, bem como um sentido aguçado de audição.
  • Sensorialmente: este corpo sente com extrema intensidade e é responsável pela memória-sensação associada aos membros amputados. Contudo, como corpo de luz, pode ser refinado, para excluir estímulos dolorosos. As distinções do sexo (ausentes nos corpos superiores) começam a surgir no nível etérico.
Corpo Etérico: O físico “refinado”. Contêm os registros etéricos e o corpo padrão de Luz, as energias astrológicas e os chakras (fontes de vitalidade). Fornece a oportunidade de se aprender o domínio sobre os impactos. Este corpo é a ponte entre as substâncias vibratórias inferiores e superiores. É o veículo para as viagens fora do corpo, usado pela consciência mental e emocional. Conecta-se ao corpo físico através do cordão de prata.

Terceiro Corpo ou Corpo Mental Inferior

É mais uma frequência e uma consciência do que uma forma verdadeira, embora algumas pessoas que curam percebam-no como um corpo composto por linhas de força amarelas emanando do corpo.


A sede do Corpo Mental Inferior é o cérebro físico. O funcionamento do cérebro, como sabemos, afeta todas as partes do corpo. A freqüência deste corpo é muito mais facilmente detectada quando se está imerso em pensamentos profundos. É uma energia linear e um tanto fria. Reflete o consenso de fatos e o conhecimento das eras.


O Corpo Mental Inferior está intimamente associado ao Plexo Solar e à mente inferior, e a massa-mente que ele reflete opera através de crenças emocionalmente carregadas, julgamentos, superstições e avaliações com retidão, probidade e vontade pessoal extraordinárias. Toda a ética dos negócios, Wall Street e Bolsa de Valores em particular têm sido conduzidas pelo Pexo Solar, a energia-poder do Corpo Mental Inferior.


Esta consciência constrói as formas-pensamento que o Corpo Emocional anima e leva à manifestação, mas é isenta de sentimento e sensação e até de sensibilidade. Mais à frente falaremos sobre este corpo com mais profundidade na seção sobre O Poder do Pensamento.

Mental Inferior: A mente concreta ou lógica. Recebe pensamentos de um plano mental superior com o propósito de implementação do físico. Sujeito à ilusão e ao controle. Constrói formas-pensamento copiosamente a partir da massa-mente. Está dividido em subplanos ou compartimentos. Sua sede é o cérebro físico.

Segundo Corpo ou Corpo Emocional

É multicolorido, facilmente agitável, uma energia semelhante à da água que envolve e interpenetra o corpo físico e é capaz de se expandir até atingir a forma de uma circunferência bem grande. Todo o mundo sabe o quanto uma pessoa volátil, altamente emocional é capaz de encher todo um aposento com sua energia!


Este corpo tem as propriedades da água, com correntes, redemoinhos e vórtices de energia dentro de si mesmo. E, como a água, pode ser refrescante, frio, nutritivo ou violento, tempestuoso e perturbador.


A natureza dessa energia especifica é imensamente poderosa e dinâmica. A energia do sentimento dentro deste corpo move e concentra substância e leva o pensamento à manifestação.


Este corpo vem sendo chamado por alguns como corpo astral (semelhante aos astros). Viajamos astralmente todas as vezes que projetamos nossas emoções. Os sentimentos podem se tornar tão intensos que, antes que percebamos, somos varridos por eles, empurrados para algum remoinho emocional, difícil de ser dominado.


As emoções são experimentadas nos centros umbilical e plexo solar. A sede para a mobilidade das emoções encontra-se no plexo solar, mas os próprios sentimentos são gerados pelos chakras inferiores, particularmente o do umbigo (esplênico, da alma, etc.).


O Corpo Emocional tem sido a área de experimentação maciça. É o corpo através do qual experimentamos a nós mesmos como personalidade emocional experimentando os outros: sentimos a nós mesmos ao sentirmos os outros.


O Corpo Emocional não é limitado ao tempo e ao espaço. Move-se facilmente e com agilidade. Os apaixonados sentem quando seus entes amados estão pensando neles ou quando estão sendo infiéis. Sabem isso intuitivamente, através das ações do Corpo Emocional.


Uma pessoa emocionalmente viciada pode se aborrecer facilmente e precisa criar uma série de episódios dramáticos para permanecer interessada na vida. Por outro lado, um Corpo Emocional harmonizado é uma companhia deliciosa. É o receptáculo intuitivo, que sente com o coração do Eu Divino e transmite emocionalmente esse amor para toda a criação.

Corpo Emocional: Não limitado ao tempo e ao espaço, responde mais rapidamente. Seus sensores alcançarão o exterior. Aprecia a intensidade e a mudança. Responde a vibrações mais refinadas. Sua capacidade de sentir vai das paixões animais ao amor desinteressado. Em conjunção com o terceiro corpo, traduz sentimentos em ação no plano físico, captando a substância necessária à manifestação. Sua sede está no Plexo Solar.

Primeiro Corpo ou Corpo Físico

Pelo fato de termos captado substância planetária na construção deste corpo, estamos entregues à evolução e à proteção da Terra. O que fazemos aos nossos corpos, fazemos ao planeta e vice-versa.


O corpo físico é o encontro da sua individualidade através das vidas e da condição planetária no momento da encarnação. Nem tudo o que está retratado no corpo físico tem suas origens em sua história passada. Em muitas ocasiões, encarnamos para ajudar a transmutar, para o nível planetário, muito da poluição gerada através do tempo.


O seu físico também retrata suas atitudes mentais e emocionais. Terapias Alternativas, Bioenergéticas e outras estão relacionadas à leitura dos tipos físicos. Você pode perceber a estrutura do caráter de uma pessoa pelo modo como posiciona seus ombros, pela inclinação de seus quadris, pelos ângulos das pernas, pela maneira como coloca seus pés, pela forma de seus dedos do pé, pelo ajuste da mandíbula, pela face, etc. O corpo é um mapa que pode ser lido por qualquer pessoa treinada. Tudo é revelado.


O corpo físico existe apenas no espaço-tempo tridimensional. Quando uma pessoa se fixa apenas na materialidade, não pode penetrar em outros domínios de atividade. Sua vibração é baixa e sua sensação se restringe à estimulação densa.


A alquimia interior relaciona-se com a consciência de Luz dentro da matéria e com o Corpo de Luz --- seu despertar e sua integração com todos os aspectos da vida. Os sete corpos delineados aqui se aplicam aos níveis de consciência e não à estrutura física, como descrevem algumas praticas de cura mais cientificamente orientadas.

O físico: Repositório das substâncias de todos os corpos. Retrata todos os corpos e transmite todas as energias dos raios através dos chakras (representado aqui pelo sistema endócrino). O revestimento mais denso. Existe apenas no espaço tridimensional. Sua sede está na base da coluna.

"Na sua viagem no tempo, o ser traz como que uma mala, que se vai enchendo sempre mais de nova sabedoria e capacidades. Na juventude ele a vai abrindo e tirando dela as ferramentas que ali encontra, para realizar o seu atual trabalho terrestre. No fim de sua vida, ele coloca de novo tudo na mala, modificado ou não, aumentando ou diminuindo, melhorando ou piorando, conforme ele viveu, para com essa nova bagagem, enfrentar a vida sucessiva. E assim por diante. Cada vida é sempre uma continuação, uma consequência, e não se pode construir senão em cima do que foi construído no passado".

Pietro Ubaldi

Thich Nhat Hanh / The breath of the Buddha


Venerable Thich Nhat Hanh discusses what he calls the most important practice in Buddhist meditation—the practice of letting go or “throwing away.” Wrong perceptions, ideas and notions are at the root of our suffering—they are the ground of all afflictions. In order for us to touch happiness in the here and now, we need to throw away the ideas and notions that prevent us from learning and growing. The Diamond Sutra suggestions four notions that should be thrown away: self, human being, living being and life span. The substantive portion of this talk is dedicated to elaborating on these notions as well as our attachment to views, pairs of extremes, and rules and rituals. The talk concludes with the suggestion that we write a letter to help suicide bombers throw away the notions that have created fear and hatred in their hearts.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

...cada segundo...


"Cada segundo 
é tempo 
para mudar 
tudo para sempre."

Charles Chaplin

Voce está com febre? Que bom! (Antroposofia)


A febre é um dos sintomas mais frequentes na infância e uma das maiores causas de visitas ao consultório pediátrico. Muitos pais e mães ficam apavorados quando o termômetro começa a subir... Será que é algo grave? Será que esta febre vai causar convulsão? Quem nos responde estas perguntas é Samir Rahme, presidente da SBMA e médico antroposófico com mais de quinze anos de experiência – muitos deles dedicados à compreensão do papel da febre no equilíbrio de nossos processos vitais.

Pergunta/AM. Como você encara a febre hoje? Ela pode ser benéfica e ter uma função específica para o ser humano?

Resposta/Samir. A febre, em princípio, é sempre boa. Ela tem um papel fundamental na dinâmica do nosso sistema imunológico, ativando a liberação de anticorpos e de outras substâncias de defesa que vão permitir ao organismo lidar com possíveis “invasores”. Hoje sabe-se que é esse mesmo calor que inibe o crescimento de bactérias e aniquila os vírus, ou seja, o calor põe tudo no lugar, renova o organismo. Isso já foi amplamente reconhecido pela comunidade científica tradicional. A cultura do medo da febre e a tendência de combatê-la rapidamente instalaram-se em nossa sociedade nos últimos 50 anos em virtude de uma grande estratégia de marketing da indústria farmacêutica. Considero esta tendência muito nociva para a nossa saúde. Em minha opinião, a febre é um fenômeno relacionado ao desenvolvimento da nossa individualidade. Essa é a grande tarefa da febre na nossa vida. E não é à toa que a maioria dos episódios febris ocorre do nascimento até os 7 anos.

Pergunta/AM. Então os médicos antroposóficos valorizam a febre um pouco mais do que o fazem seus colegas da alopatia, certo?

Resposta/Samir. Certo! Para nós, ela representa a chance de desenvolvimento da verdadeira individualidade e liberdade em relação aos condicionamentos genéticos. Quando as crianças contraem as doenças denominadas exantemáticas, ou seja, que se manifestam por meio da pele, como o sarampo, a rubéola e outras – e que sempre são acompanhadas por febre –, é uma grande oportunidade para o organismo infantil “quebrar” e eliminar as proteínas herdadas, criando novas estruturas a partir de si mesmo. Na Europa, muitas mães ainda cultivam a antiga tradição de levarem os filhos para visitar as outras crianças com doenças exantemáticas com o objetivo de proporcionar uma imunização natural. Mas, hoje em dia, fica cada vez mais difícil para esse pequeno ser usufruir os benefícios que estas doenças “naturais” podem lhe proporcionar. De um lado, temos as vacinas e de outro os antitérmicos...

Pergunta/AM. O calor vivenciado através da febre tem uma função para nós?

Resposta/Samir. Segundo a Antroposofia, nós, seres humanos, temos um organismo com quatro componentes básicos, que didaticamente chamamos de “corpos”: um corpo físico (terra), um corpo vital (água), um corpo astral ou alma (ar) e um corpo espiritual ou individualidade (fogo). Quando se dá o aumento da temperatura, o que está acontecendo num nível mais sutil, não mensurável por aparelhos, é que a individualidade (o corpo espiritual ou “Eu”) está em seu caminho de conquistar o corpo, está atuando mais de perto, por meio do calor, que é seu elemento natural. O significado do calor ainda é pouco explorado na Medicina, mas já estamos avançando: os mais avançados tratamentos de tumores são feitos com hipertermia.

Pergunta/AM. Como lidar com a ansiedade dos pais?

Resposta/Samir. O melhor remédio é paciência e conversa. Os médicos devem tentar esta abordagem com os pais, resistindo à pressão. Hoje em dia, tanto na medicina quanto em outras áreas predomina o conceito de FAST(rápido, em inglês), ou sejam, tudo deve ser e ocorrer de maneira rápida, o que não proporciona um desfrutar das situações. Quando lidamos com o ser humano, quanto mais SLOW melhor o resultado e, no caso de afecções do organismo, estamos sempre lidando com a eternidade. Muitas vezes, somos procurados porque os pais já não aguentam mais dar tanto remédio químico para seus filhos, e a reclamação é sempre a mesma: não ficam bons nunca.

Pergunta/AM. E medo da convulsão?

Resposta/Samir. Poucos pais sabem que as convulsões causadas pela febre ocorrem em apenas 2% das crianças e não dependem da temperatura que a febre alcança, mas da velocidade com que ela sobe. Assim, as crianças propensas a ter convulsões febris poderão ter crises mesmo com febres baixas. Nesta situação, o uso antitérmico está mais que justificado, mas sem nos esquecermos de que estamos lidando com uma minoria.

Pergunta/AM. E como você orienta o tratamento da febre?

Resposta/Samir. A primeira preocupação do médico é diagnosticar e tratar a doença que provoca a febre, que é apenas um sintoma. Na medicina Antroposófica existem medicamentos naturais, à base de plantas, animais e minerais, que podem ser usados no tratamento das causas da febre. A compressa de limão na panturrilha costuma baixar a temperatura de 1 a 2 graus, sem comprometer o processo como um todo. (Ver receitas abaixo.)

Pergunta/AM. Quais seriam suas considerações finais sobre a febre?

Resposta/Samir. Vale alertar que numa criança bem nutrida os efeitos de uma febre serão mais bem tolerados do que numa criança desnutrida. Repito que a febre é o remédio mais potente e sábio que existe, devendo ser encarada como uma grande aliada do médico e do paciente. Acho fundamental iniciarmos uma contracultura da febre!


Compressa com rodelas de limão

Corta-se um limão em rodelas. Depois, elas são colocadas entre as dobras de um pano e batidas para se extrair o suco. Em seguida, a compressa com as rodelas de limão batidas é aplicada morna na panturrilha e firmemente enrolada com um xale de lã.

Compressa com suco de limão

A compressa de limão pode ser aplicada morna na panturrilha. Um limão é colocado numa vasilha com água suficiente para cobri-lo. É depois cortado e espremido debaixo d’água, fazendo-se diversos cortes na casca para se obter bastante óleo etérico (sumo). Dobra-se um pano de algodão ou linho (pode ser um lenço) de modo que cubra o panturrilha. Molha-se o pano na água com limão, espremendo-o depois com força. Ele é aplicado, sem pregas, ao redor da perna, preso com um pano maior e, em seguida, com um pano de lã firmemente enrolado.

Tema: Quem tem medo de febre?
Entrevista publicada pela revista Arte Médica, Ano III, No. 3, novembro de 2002, da Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos (SBMA), Dr Samir Rahme




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O que é Alma?


Se você se beliscar poderá sentir que está vivo. Se alguém lhe chamar aos gritos, você certamente irá atender ao chamado. Seus sentidos lhe orientam como reagir a cada ato que ocorre em sua vida. Mas quando alguém a quem você ama muito lhe magoa ou lhe ofende, que sentido você usa para expressar o que sente, além das lágrimas que escorrem em sua face?

Sua alma!

Uma alma é Energia Divina; é existência além da matéria. É a parte de você que existe além da matéria, além de seu corpo e de seus cinco sentidos. Não pode ser vista. A alma é para o corpo aquilo que o astronauta é para a roupa espacial; funciona como uma bateria, dando vida e animação. Tire o astronauta da roupa, e esta será basicamente inútil. Tire a alma do corpo, e o corpo basicamente desmorona. (Isso é a morte - a separação entre corpo e alma).

É impossível dar uma definição concreta da alma, pois a alma não é uma entidade concreta mas abstrata. Não é matéria - é energia - mas também não é energia física. É energia Divina, um pedacinho de D'us dentro de você.

A pessoa teria de na verdade fazer calar os sentidos para sentir a alma. Se você fosse cego, surdo, mudo, sem nariz e com o tato insensível, ainda estaria vivo dentro de si mesmo. Mas que parte de você ainda está viva? Eis o que é a alma.

Você tem um corpo? Se respondeu "sim", quem é este "eu" que tem um corpo? Não poderia ser o corpo - não se pode dizer que o corpo tem um corpo. Então, isso é o que chamamos de alma.

Mas como sabemos que temos uma alma? Basta me acompanhar no simples raciocínio: Você tem um corpo? Se respondeu "sim", diga-me: Quem é este "eu" que tem um corpo? Não poderia ser o corpo - não se pode dizer que o corpo tem um corpo. Então, isso é o que chamamos de alma. De forma mais abrangente, somos um composto de alma e corpo. Isso explica porque somos tão confusos, certo?

Mas como devemos expressar nossa alma? É fácil, basta seguir algumas instruções:

1. Torne-se espiritual

A espiritualidade é para sua alma aquilo que o alimento é para o corpo. Antes que você possa expressar sua alma, deve nutri-la. Um homem faminto não pode ganhar uma corrida, e uma alma faminta não pode expressar-se. Para alimentar sua alma, dê-lhe espiritualidade. Faça atividades espirituais.

2. Estude Torá

Nada é mais poderoso e nutritivo para a alma que o estudo de Torá. Quando você estuda Torá, está lendo a mente de D'us. Sua alma eleva-se, fortalecendo-se com grandes pedaços de energia espiritual, que pode usar para realizar outras coisas espirituais.

3. O que são "coisas espirituais?"

São outras coisas boas e positivas que não têm resultado físico e tangível - são espirituais, portanto você não pode ver com seus olhos físicos. Por exemplo, imergir na prece ou cumprir qualquer mitsvá (preceito da Torá) é uma coisa espiritual. E atos de amor e bondade, embora sejam coisas espirituais, têm ainda o benefício de um resultado tangível, físico - um relacionamento aperfeiçoado ou uma pessoa grata por receber sua ajuda.

Rabino Simon Jacobson explica a alma desta forma:

"Uma alma é nossa identidade interior, nossa razão de ser. A alma da música é a visão do compositor que energisa e dá vida às notas tocadas em uma composição musical.
Cada Alma é a expressão da intenção e visão de D'us ao criar aquele ser em especial. Cada um de nós é uma nota musical única, numa grande composição cósmica. É nossa obrigação descobrir nossa alma e tocar sua música singular."

Então, o que está esperando? 
Entre já em sintonia. Afine-se... refinando sua alma a cada dia!

Fonte:
chabad

...o que conduz o mundo...


"O que conduz o mundo
é o espírito
e não a inteligência."

Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O Sonho...


Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.

E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.

Clarice Lispector

Sonhar... Sonho... Sonhos...


"Sonhar permite que cada um
e todos de nós sejamos loucos,
silenciosamente e com segurança,
cada noite de nossas vidas."

William C. Dement 
(Pesquisador de sono e sonhos)

Ao longo de sua história, a humanidade tenta entender o significado dos sonhos. Desta questão cuidaram os filósofos, místicos e cientistas, chegando eles às mais diferentes respostas. Diversas culturas antigas e mesmo muitas atuais, interpretam os sonhos como inspirações, sinais divinos, visões proféticas, fantasias sexuais, realidade alternativa, e diversas outras crenças, medos e conjecturas, dada a sua natureza intrigante e enigmática.

Em 1900, em seu livro "A Interpretação dos Sonhos", Sigmund Freud defendia a idéia de que os sonhos refletiam a experiência inconsciente. Ele teorizou que o pensamento durante o sono tende a ser primitivo ou regressivo e que os efeitos da repressão são reduzidos. Para ele, os desejos reprimidos, particularmente aqueles associados ao sexo e à hostilidade, eram liberados nos sonhos quando a consciência era diminuída.

Entretanto, naquela época, a fisiologia do sono e sonhos era desconhecida, restando a Freud apenas a sua interpretação psicoanalítica dos sonhos.

Somente na década dos 50, com a descoberta de que os movimentos rápidos dos olhos (o chamado sono REM, ou Rapid Eyes Movement sleep), eram frequentemente um indicativo de que o indivíduo estava sonhando, uma nova era da pesquisa sobre sonhos emerge, e alguns elementos da psicanálise tiveram que ser modificados ou abandonados.

Hoje sabemos que os sonhos são entendidos como parte do ciclo do sono determinado biologicamente. Diversas teorias tem sido descritas, baseadas em achados neurofisiológicos e comportamentais, seja através do registro de ondas cerebrais, seja por estudos com lesão e estimulação de estruturas no cérebro (de animais) que são acreditadas estarem envolvidas com os sonhos.

Por que o cérebro sonha?

De natureza muitas vezes bizarra, irreal e confusa, os sonhos são especulados por alguns estudiosos do sono e sonhos como sendo um meio pelo qual o cérebro se livra de informações desnecessárias ou erradas durante o período em que o indivíduo está acordado - um processo de "desaprendizagem" ou aprendizagem reversa, proposta por Francis Crick e Graeme Mitchison, em 1983. Estes pesquisadores postularam que o néocortex, uma complexa rede de associação neural, poderia se tornar carregado por grandes quantidades de informações recebidas. O neocórtex poderia desenvolver, então, pensamentos falsos ou "parasíticos", pensamentos estes que comprometeriam o armazenamento verdadeiro e ordenado da memória.

Isto explicaria porque as crianças, cujo ritmo de aprendizagem é intenso, apresentam mais sono REM que os adultos. Elas necessitariam, segundo esta ideia, esquecer as diversas associações erradas ou sem sentido que se formam durante a sua aprendizagem quando estão acordadas, favorecendo, desta forma, o armazenamento das associações ou informações que são verdadeiramente importantes.

Em linha semelhante de pensamento, outros estudiosos teorizaram que os sonhos consistem de associações e memórias eliciadas da parte frontal do cérebro, em resposta a sinais randômicos do tronco encefálico. Estes autores, sugeriram que os sonhos são o melhor "ajuste" que o cérebro frontal poderia fornecer a este bombardeamento randômico do tronco cerebral. Nesta proposição, os neurônios da ponte, via tálamo, ativariam várias áreas do córtex cerebral eliciando imagens bem conhecidas ou mesmo emoções, e o córtex então, tentaria sintetizar as imagens disparadas. O sonho "sintetizado" pode ser completamente bizarro e mesmo sem sentido porque ele está sendo desencadeado por uma atividade semi-randômica da ponte (veja Substrato Neural dos Sonhos).

William Dement nos chama a atenção para o fato de que cada um de nós somos "loucos", quando, ao sonhar, manifestamos as mais bizarras situações. Outros pesquisadores predizem que falhas na habilidade em processar o sono REM, podem causar fantasias, alucinação e obsessão. Outros ainda, afirmam que a falta de sonhos (de sono REM) induz psicoses alucinatórias e outros distúrbios mentais.

Com base em tais achados e teorias, podemos pensar que sonhos são mecanismos de defesa e adaptação, e a "loucura" manifestada durante este estado silencioso e inconsciente, parece ser necessária para que nos mantenhamos "sãos" durante o nosso agitado estado de consciência.

Nós precisamos sonhar?

Ainda não se sabe se precisamos sonhar ou não, mas é evidente que o corpo requer sono REM. Kelly argumenta que a privação de REM não causa psicoses, comportamentos bizarros, ansiedade ou irritabilidade, como foi afirmado por muitos pesquisadores, desde que ele observou que sujeitos privados do sono REM por um período de 16 dias não mostraram sinais de distúrbios patológicos sérios.

De acordo com o pesquisador, o efeito mais importante da privação de REM, é uma mudança dramática em padrões subsequentes quando o sujeito é permitido dormir sem interrupção. Um encurtamento do sono REM por várias noites, é seguido por início prematuro, longa duração e frequência aumentada de períodos REM. Quanto maior a privação, maior e mais amplo será o efeito REM. A existência de um mecanismo compensatório ativo para a recuperação de sono REM perdido ou suprimido sugere que o sono REM é fisiologicamente necessário.

Webb (1985) encontrou que perda de mais que 48 horas de sono tiveram pouco efeito sobre a precisão dos atos e tarefas de processamento cognitivo, enquanto que medidas de atenção foram afetadas. A performance pode ser devido mais a fatores motivacionais do que componentes cognitivos.

Lugaresi (1986) reporta um o caso de um homem que, gradualmente, começou a dormir menos e menos; ele apresentava inabilidade em se concentrar, falhas intelectuais, desorientação. Quando ele morreu, seu cérebro foi verificado e foi encontrado que ele tinha uma condição herdada que causou uma degeneração do tálamo.

Por que não Atuamos Durante os Sonhos?

Imagine que 'catástrofe' não seria, quando, ao dormirmos e sonharmos, não tivessemos mecanismos cerebrais que inibissem nossos movimentos e ação!

Quando estamos dormindo, nós possuímos um mecanismo adaptativo que nos protege de injúria contra nós mesmos e contra outras pessoas. Os mesmos mecanismos do tronco encefálico que controlam os processos do sono na parte frontal do cérebro, também inibem os neurônios motores espinhais, prevenindo assim, a atividade motora descendente, de expressar movimentos.

Sistemas que inibem o movimento durante o sono REM. 

A. No sono REM normal, a ponte inibe o feixe lateral motor. O resultado é uma paralisia completa. 

B. No sono REM sem paralisia (em casos de lesão ou tumor), as lesões quebram as conexões da ponte ao feixe locomotor lateral e centro medular. 

Tradução: Brain stem= tronco encefálico. Pons= Ponte. Medulla=Bulbo. Excitate= Excitam. Medullary Inhibitory Area= área Inibitória Medular. Muscles=Músculos.

No sono REM, a ponte é ativada, excitando a área inibitória medular por projeções (trato tegmento reticular), o qual conecta a ponte ao centro inibitório. O centro medular inibe os neurônios motores e promove a atonia (paralização dos movimentos).

O feixe locomotor lateral, abaixo da parte externa do tronco encefálico, exibe um importante papel na redução do drive motor. Ele é conectado às estruturas da medula espinhal. No sono REM, a ponte estimula a zona inibitória, desligando o feixe locomotor e impedindo a ação do movimento. 

Tradução: Cerebral Cortex= Córtex Cerebral. Thalamus= Tálamo. Pons= Ponte. Medulla= Bulbo. Tegmento-reticular tract= Trato tegmento-reticular. Motor neurons= Neurônios motores. Lateral Locomotor Strip= Feixe Locomotor Lateral

Pessoas que atuam durante seus sonhos, apresentam um raro distúrbio conhecido como Distúrbio do Sono REM. Estas pessoas frequentemente se injuriam a si próprias ou pessoas próximas a elas. A base para este distúrbio parece ser a desconecção de sistemas no tronco encefálico que medeiam a atonia (Bear e al).

Lesões experimentais em certas partes da ponte podem causar uma condição similar em gatos. Durante os períodos REM, eles parecem estar caçando camundongos, ou investigando intrusos invisíveis.

Neurobiologia dos Sonhos: Atividade Elétrica

As evidências neurofisiológicas indicam que o sono não se constitui apenas em uma espécie de repouso cerebral, mas também em estágios distintos de atividade neuronal.

Aproximadamente 90 minutos após o início do sono, várias mudanças fisiológicas abruptas podem ocorrer. O EEG se torna dessincronizado, mostrando baixa-voltagem, um padrão de atividade rápido, similar, mas não idêntico, àquele do estado de alerta. Como resultado, este estado de sono tem também sido chamado de sono paradoxal, sono ativo, e sono dessincronizado.


Os estágios básicos do sono, por convenção, são divididos em dois tipos principais: 



  • REM (Rapid Eyes Movement, o sono dos sonhos) e 
  • Não REM (NREM). 



Estes dois tipos são geralmente quebrados em cinco estágios: um, dois, três, quatro e REM. Em cada estágio, as ondas cerebrais se tornam progressivamente maiores e mais lentas, e o sono se torna mais profundo. Após alcançar o estágio 4, o período mais profundo, o padrão se reverte e o sono se torna progressivamente mais leve até o sono REM, o período mais ativo, ocorrer.

Este ciclo ocorre tipicamente aproximadamente uma vez a cada 90 minutos. Aproximadamente 75% do sono total é gasto em sono não-REM. Uma boa noite de sono depende do equilíbrio apropriado destes componentes.

Quando o indivíduo torna-se sonolento, as ondas alfa e beta vão gradualmente cedendo espaço para outras ondas de baixa amplitude conhecidas como ondas teta (quatro a sete por segundo). No sono leve, as ondas teta predominam e há o aparecimento dos chamados fusos do sono (feixes de atividade elétrica sincronizada de 12 a 17 HZ).

À medida que as fases se sucedem, o sono torna-se cada vez mais profundo, e o indivíduo torna-se cada vez menos reativo aos estímulos sensoriais.

Electrophysiological Activity of Sleep

O que são "ondas" cerebrais?

No cérebro, a somatória da atividade elétrica de milhões de neurônios, principalmente no córtex, podem ser observadas no eletroencefalograma (EEG), um aparelho que registra a atividade elétrica das células do cérebro durante os diversos estados em que se encontra uma pessoa, desde a vigília até o sono profundo.

As células nervosas apresentam diferenças de potencial elétrico em relação ao líquido em que está mergulhada. Potencial de ação refere-se a uma breve flutuação de cargas elétricas na membrana do neurônio, causada pela rápida abertura e fechamento de canais iônicos dependentes de voltagem (fluxo de íons).

Potenciais de ação percorrem como ondas os axônios dos neurônios, para transferir informação de um lugar a outro no sistema nervoso. Uma onda pode ser de alta ou baixa amplitude (voltagem) e alta ou baixa frequência (regularidade).

Ondas beta (baixissima amplitude, alta frequência; 13 a 30 ondas/seg). Pessoa acordada e ativa (em estado de vigília). São as ondas mais rápidas e sinaliza um córtex ativo e intenso estado de atenção. Registro irregular (dessincronizado).

Ondas Alfa
(baixa amplitude, 8 a 13 ondas /seg) Pessoa acordada e relaxada, com os olhos fechados. Os neurônios estão disparando em tempos diferentes. Registro regular (sincronizado).

Ondas Teta
(baixa-média amplitude, spike-like waves; 3-7 ondas/seg) Pessoa sonolenta ou adormecida, sono de transição. It can be observed in hippocampus. Theta rythm is also oberved in REM sleep. Because the hippocampus is involved in memory processing, the presence of theta rythm during REM sleep in that region of the brain might be related to that activity.

Ondas Delta
(alta amplitude, baixa frequência; 3 ondas /seg) Pessoa em sono profundo. Os neurônios, os quais não estão engajados no processamento de informação, estão disparando todos ao mesmo tempo, portanto a atividade está sincronizada. As ondas são grandes e lentas.

Rem
60 a 70 ondas/seg. Maximal retraction of the pupil and nictating membrane accompany the volleys of ocular movements

Estágios do sono durante uma noite, dividido em ciclos.

Uma noite típica de sono consiste da repetição de 90 a 110 minutos do ciclo do sono REM e não-REM. O tempo gasto no sono REM é representado pela barra azul-clara. O primeiro período REM é geralmente curto (5 a 10 min), mas ele tende a aumentar nos ciclos sucessivos. Da mesma forma, os estágios 3 e 4 , os quais, juntos, são frequentemente chamados como "sono delta", é onde dominam o período de sono de ondas baixas no primeiro terço da noite, mas frequentemente são completamente ausentes durante os últimos ciclos ocorridos de manhã. (Baseado em Kelly).

O eletroencefalograma (EEG) mostra os padrões de atividade elétrica durante os diferentes estágios do sono. As ondas cerebrais de uma pessoa alerta e de uma pessoa com sono REM - Rapid Eye Movement (quando os sonhos ocorrem) são similares em frequência e amplitude. No sono não-REM (estágios 1, 2, 3 e 4), as ondas têm uma amplitude maior e uma frequência mais baixa, indicando que neurônios no cérebro estão disparando mais lentamente em um rítmo sincronizado.

Neurobiologia dos Sonhos: Mecanismos Neurais

A formação reticular do tronco endefálico. Em rosa: Parte da formação reticular do tronco encefálico cuja estimulação induz excitação. Vias sensoriais ascendem da medula espinhal e tronco encefálico para áreas somestésicas do córtex. A formação reticular contém projeções que influenciam o hipotálamo, e, ao nível do tálamo, diverge para distribuir impulsos difusamente através de todas as áreas do córtex. A formação reticular, recebendo impulsos sensoriais visuais, auditivos táteis, olfativos - suficientes do ambiente, estimula o córtex cerebral com impulsos ativadores que são necessários para alertá-lo. Lesão da formação reticular pode induzir ao estado de sono. (Modificado de Levingston, 1967). Nos animais superiores e no homem, a alternância dos estados de vigília e sono se dá em virtude da existência de estruturas nervosas especiais.

Rem sleep, o "sono dos sonhos", é completamente diferente do sono não-REM. O córtex neste estado é tão ativo quanto no estado de alerta. O córtex não é necessário para a produção de REM, mas certamente é requerido para a elaboração dos sonhos.

A atividade cerebral durante o sono REM começa na ponte, uma estrutura no tronco encefálico e regiões mesencefálicas circundantes. A ponte envia sinais aotálamo e ao córtex cerebral, o qual é responsável pela maioria dos processos do pensamento. Ela também envia sinais à medula espinhal para "desligar" neurônios motores ali localizados, causando uma paralisia temporária que previne o movimento.

Alguns pesquisadores usaram tomografia por emissão de pósitrons (PET) para estudar o estado cerebral associado com sono REM em humanos (Maquet et al, 1996 - da Internet). Os resultados mostram que o fluxo sanguíneo localizado está correlacionado com o sono REM nas seguintes estruturas:

tegmento pontino (fibras nervosas que são contínuas com a formação reticular da medula e mesencéfalo)


  • tálamo esquerdo (uma grande massa ovóide localizada no diencéfalo)
  • complexo amigdalóide (massa cinzenta situada na porção medial do lobo temporal)
  • córtex cingulado anterior (massa cinzenta localizada na margem medial do hemisfério cerebral)

Dado o papel do complexo amigdalóide na aquisição de memórias influenciadas emocionalmente, o padrão de atividade na amígdala e áreas corticais fornece uma base biológica para o processamento de alguns tipos de memória durante o sono REM.

Mecanismos Bioquímicos do Sono REM

Cientistas encontraram que a fase REM é estreitamente relacionada à atividade de certos grupos de células nervosas liberando substâncias químicas cerebrais que permitem a comunicação de um neurônio com outro. Pesquisas sobre estes grupos de células especializadas está ajudando cientistas a desenvolver tratamentos específicos com drogas para distúrbios do sono.

O cérebro tem várias coleções de neurônios, cada um usando um neurotransmissor particular e fazendo conexões difusas. Estas células executam funções regulatórias influenciando um grande número de neurônios pós-sinápticos na medula espinhal, tálamo, córtex cerebral, e assim por diante, tal que eles podem se tornar mais ou menos excitáveis.

Diferentes sistemas (tais como noradrenérgico, serotonérgico and colinérgico) parecem ser essenciais para o estado metabólico, motivação, controle motor, memória, etc.

Em seu artigo, Hobson (bear, 1996) escreveu que a mais surpreendente observação que ele e seus colaboradores fizeram, foi que o locus coeruleus noradrenérgico e os neurônios da rafe serotonérgicos "desligam" no sono REM. Este achado foi uma surpresa porque sempre se pensou o contrário. Para ele, estava claro que estes dois sistemas aminérgicos sustentavam o alerta e não o sono, como tinha sido teorizado. O sono REM poderia ser desencadeado por estimulação colinérgica da formação reticular.

*Atividade diferencial de subsistemas neuroquímicos do tronco encefálico no estado de alerta e no sono REM. As taxas de disparo dos dois grandes sistemas na parte superior do tronco encefálico, o locus ceruleus e o núcleo da rafe, "desligam" o sono REM, isto é, diminuem para quase nada durante o sono REM. Entretanto, existe um aumento de disparos de neurônios contendo acetilcolina na ponte, e algumas evidências sugerem que os neurônios colinérgicos induzem sono REM. É provavelmente a ação da acetilcolina durante o sono REM que promova uma ação do tálamo e do córtex muito similar àquela durante o estado de alerta (Bear44). Períodos REM são terminados quando a noradrenalina e a acetilcolina começam a disparar novamente.

Entendendo os Sonhos
Por Dra. Silvia Helena Cardoso
Psicobióloga, com mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles. É professora convidada e pesquisadora associada do NIB/UNICAMP , editora-chefe e idealizadora da Revista "Cérebro e Mente".
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