quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Não Violência com Julia Bacha



Em 2003, a aldeia palestina de Budrus empreendeu um protesto não violento de dez meses para impedir a construção de uma barreira através dos seus olivais. Apesar da grandeza do feito, poucas pessoas ouviram falar na ação. Nesta palestra do TED Global 2011, a realizadora brasileira Julia Bacha pergunta por que razão as pessoas só prestam atenção à violência - e não aos líderes não violentos que podem um dia trazer a paz.

Segundo Julia, apesar de serem pouco vistos nos veículos de comunicação internacionais, existem dezenas de palestinos que estão usando a não violência para defender as suas terras e recursos hídricos dos soldados israelitas e colonos. Segundo a palestrante, esta divisão entre o que está a acontecer no terreno e a percepção no exterior é uma das principais razões para que ainda não exista um movimento pacífico de resistência palestina que tenha sido bem sucedido.

“Acredito que o que está faltando em grande parte para que a não violência aumente não é que os palestinos comecem a adotá-la, mas sim que nós comecemos a prestar atenção àqueles que já o fazem.” - Julia Bacha

Ela conta a história da aldeia de Budrus que, desde 2003, é cenário de um “extraordinário conjunto de acontecimentos” gerados pela mobilização pacífica de seus moradores. “No entanto, as mídias mantêm-se majoritariamente em silêncio em relação a estas histórias. Este silêncio acarreta profundas consequências para a probabilidade do crescimento da não violência, ou até da sua sobrevivência”, defende a brasileira.


Para ela, as resistências violenta e a não violenta têm uma coisa muito importante em comum - ambas são uma forma de teatro a procura de audiência para a sua causa. “Assim, se os atores violentos forem os únicos a conseguir visibilidade nas primeiras páginas e a atrair a atenção internacional para a questão da Palestina, torna-se muito difícil aos líderes não violentos convencer as suas comunidades de que a desobediência civil é uma opção viável para a abordagem do seu empenho”.

Esse “comportamento funcional”, comumente visto na infância, quando as crianças aprendem que a atenção dos pais está relacionada ao choro, pode ser incentivado ou desincentivado também nas grandes causas sociais, diz Julia. “O comportamento de comunidades e países inteiros pode ser influenciado, dependendo de onde a comunidade internacional escolha focar a sua atenção”, diz.

Por isso, a palestrante defende ser fundamental para acabar com o conflito no Médio Oriente que a não violência seja transformada em um comportamento funcional, dando muito mais atenção aos líderes não violentos que estão hoje em ação.

“Eu acredito que a coisa mais importante é compreender que se não prestarmos atenção a estes esforços, eles são invisíveis e é como se nunca tivessem acontecido. Mas eu vi que se lhes prestarmos atenção eles vão se multiplicar”, conclui.
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