quarta-feira, 25 de março de 2015

Entrevista com o médico tibetano: LAMA TULKU LOBSANG RINPOCHE


"Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo. Mas tenho a mente treinada.
Isso quer dizer que não sigo meus pensamentos. Eles vêm, mas não
afetam nem minha mente, nem meu coração."

P - Quando um paciente chega para consulta, como o senhor sabe qual
o problema?...

 R – Olhando como ele se move, sua postura, seu olhar. Não é necessário

que fale nem explique o que se passa. Um doutor de medicina tibetana
experiente sabe do que sofre o paciente a 10 m de distância.
 
 P - Mas o senhor também verifica seus pulsos...

 R – Assim obtenho a informação que necessito sobre a saúde do paciente.

Com a leitura do ritmo dos pulsos é possível diagnosticar cerca
de 95% das enfermidades, inclusive psicológicas. A informação dada por
eles é precisa como um computador. Para lê-los, é necessária muita experiência.
 
 P - E depois, como realiza a cura?

 R – Com as mãos, o olhar e preparados de plantas e minerais.
 
 P - Segundo a medicina tibetana, qual é a origem das doenças?

 R – Nossa ignorância.
 
 P- Então, perdoe a minha, mas o que entender por ignorância?

 R – Não saber que não sabe. Não ver com clareza. Quando vemos com

clareza, não temos que pensar. Quando não vemos claramente,
colocamos o pensamento para funcionar. E, quanto mais pensamos,
mais ignorantes somos, mais confusão criamos.
 
 P - Como posso ser menos ignorante?

 R – Vou ensinar um método muito simples: praticando a compaixão.

É a maneira mais fácil de reduzir os pensamentos. E o amor.
Se amamos alguém de verdade, se não o queremos só para nós,
aumentamos a compaixão.
 
 P - Que problemas percebe no Ocidente?

 R – O medo. O medo é o assassino do coração humano.

P - Por quê?

 R – Porque, com medo, é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.
 
 P - Como enfrentar o medo?

 R – Com aceitação. O medo é resistência ao desconhecido.
 
 P- Como médico, em que parte do corpo vê mais problemas?

 R – Na coluna, na parte baixa da coluna: as pessoas permanecem

sentadas tempo demais na mesma posição.

P - Com isso, se tornam rígidas demais.

P - Temos muitos problemas.

R: Acreditamos ter muitos problemas, mas, na realidade, nosso

problema é que não os temos.
 
 P - O que isso quer dizer?

 R – Que nos acostumamos a ter nossas necessidades básicas

satisfeitas, de modo que qualquer pequena contrariedade
nos parece um problema. Então, ativamos a mente e
começamos a dar voltas e mais voltas sem conseguir solucioná-la.
 
P - Alguma recomendação?
R – Se o problema tem solução, já não é um problema.
Se não tem, também não.

P - E para o estresse?


R – Para evitá-lo, é melhor estar louco.

P - ???


R – É uma piada. Mas não tão piada assim. Eu me refiro a ser

ou parecer normal por fora e, por dentro, estar louco: é a
melhor maneira de viver.

 
P - Que relação o senhor tem com sua mente?


R – Sou uma pessoa normal, penso o tempo todo.

Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo
meus pensamentos. Eles vêm, mas não afetam nem
minha mente, nem meu coração.

P- O senhor ri muito?


R – Quando alguém ri nos abre seu coração. Se você não abre

seu coração, é impossível entender o humor. Quando rimos,
tudo fica claro. Essa é a linguagem mais poderosa que
nos conecta uns aos outros diretamente.

P - O senhor acaba de lançar um CD de mantras com base eletrônica,

para o público ocidental.

R – A música, os mantras e a energia do corpo são a mesma coisa.

Como o riso, a música é um grande canal para nos conectar com o outro.
Por meio dela, podemos nos abrir e nos transformar: assim, usamos
a música em nossa tradição.
 
P - O que gostaria de ser quando ficar mais velho?

R: Gostaria de estar preparado para a morte.

P - E mais nada?

R – O resto não importa. A morte é o mais importante da vida.

Creio que já estou preparado. Mas, antes da morte, devemos
nos ocupar da vida. Cada momento é único. Se damos sentido
à nossa vida, chegamos à morte com paz interior.
 
P - Aqui vivemos de costas para a morte.

R: Vocês mantêm a morte em segredo. Até que chegará um dia

em sua vida em que já não será um segredo: não será possível
escondê-la.

 
P - E qual o sentido da vida?

R – A vida tem sentido e não tem. Depende de quem você é.

Se você realmente vive sua vida, então a vida tem sentido.
Todos têm vida, mas nem todos a vivem. Todos temos direito
a sermos felizes, mas temos que exercer esse direito.
Do contrário, a vida não tem sentido.

Fonte:
auras colours numbers blogspot

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