Mostrando postagens com marcador Espiritualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Espiritualidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Baraka


"Baraka" proviene de la palabra de origen Sufí que significa "aliento de vida", el documental sobre la naturaleza del planeta Tierra, el director Fricke y el productor Magidson crearon un poema visual místico de proporciones globales. Rodada en 24 países diferentes, trata de captar la esencia de la naturaleza y la cultura de la humanidad y sus costumbres, al tiempo que señala las formas en las que el ser humano se relaciona con su medio ambiente. La aparente fragilidad de la vida humana es contrastada con la grandeza de sus obras, subrayándose la desigual relación entre hombre y naturaleza. Baraka no tiene argumento lineal, ni personajes ni diálogos, pero, en medio de estos enormes contrastes, la espiritualidad de la humanidad surge como el elemento más importante que la distingue de otras especies. Un mundo más allá de las palabras.

Baraka is an ancient Sufi word, which can be translated as "a blessing, or as the breath, or essence of life from which the evolutionary process unfolds." The movie was filmed at 152 locations of 24 countries: Argentina, Australia, Brazil, Cambodia, China, Ecuador, Egypt, France, Hong Kong, India, Indonesia, Iran, Israel, Italy, Japan, Kenya, Kuwait, Nepal, Poland, Saudi Arabia, Tanzania, Thailand, Turkey, and the United States. It contains no dialogue. Instead of a story or plot, the film uses themes to present new perspectives and evoke emotion purely through cinema. The film was the first in over twenty years to be photographed in the 70mm. Fricke writes about his work: "I feel that my work has evolved through Koyaanisqatsi, Chronos and Baraka. Both technically and philosophically I am ready to delve even deeper into my favorite theme: humanity's relationship to the eternal". Directed by Ron Fricke.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A Religião do Futuro


A segunda palestra, A Religião do Futuro, examina o conteúdo da religião transformada, em seu registro secular. O tema central é a necessidade e o potencial para uma revolução na nossa crença religiosa. Dois obstáculos dificultam pensar sobre a religião. O primeiro deles é o tabu contra a crítica religiosa da religião. As origens deste tabu encontram-se na privatização da religião e no fim das guerras religiosas do início do período moderno. O segundo obstáculo a ser superado é a atitude sentimental em relação à religião. Na prática, a atitude sentimental em relação à religião é útil para uma democracia social institucionalmente conservadora. Ela serve para manter as aparências: trata-se de um aprimoramento metafísico dos mesmos preconceitos morais frequentemente apoiados pelo humanismo secular predominante.

The second lecture, The Religion of the Future, examines the content of the transformed religion, in its secular register. My central theme throughout is the need and the potential for a revolution in our religious beliefs. Two obstacles make it difficult to think about religion. The first obstacle is the taboo against the religious criticism of religion. The origins of this taboo lie in the privatization of religion and the overcoming of the religious wars of the early modern period. The second obstacle to overcome is the sentimental attitude to religion. In practice, the sentimental attitude to religion serves an institutionally conservative social democracy. It is window dressing: a metaphysical upgrade of the same moral prejudices habitually embraced by the prevailing secular humanism.


O argumento retomado

1. O meu tema na primeira palestra foi o motivo, a ocasião e o objetivo de uma revolução na consciência religiosa da humanidade. Meu tema nessa segunda leitura é o programa dessa revolução.

Eu descrevi as três principais orientações na historia religiosa da humanidade. A terceira — que eu chamei de batalha com o mundo — tem aparecido, não apenas no começo, mas repetidamente e mais frequentemente como uma forca revolucionária. Nos últimos séculos, ela tem ajudado a iniciar e influenciar ideologias seculares de emancipação, que afetaram grande parte da humanidade, e também a cultura romântica popular mundial, que ajudou a ensinar a todos os seres humanos que eles estão destinados a ter uma vida grandiosa apesar das circunstâncias que parecem dizer o contrário.

A nossa lealdade a essa visão pode ser validada somente dentro de um sentido estrito, no qual qualquer visão mais ampla do nosso lugar no planeta pode ser sustentada: pela incitação combinada de várias formas de experiência e de uma maneira que nunca inteiramente a livra de ser uma aposta e uma profecia que se auto-realiza. Além do mais, a sua ascendência deve ser qualificada. Em vários aspectos, o que eu chamei de humanização do mundo, em vez de batalhar com ele, tem uma presença mais forte nas ideias e atitudes consagradas nas interpretações praticas convencionais de varias religiões — incluindo o Cristianismo — que eu associo com a orientação batalha-com-o-mundo. Ela também dita o tom e direção da humanismo secular prevalente. O que falta a essas crenças humanizantes, no entanto, apesar da sua imensa influência, é o poder da iniciativa; elas não, e eu creio que elas não devem, determinar a agenda.

No cerne do programa revolucionário espiritual encontramos os dois temas relacionados que sempre foram vitais para a batalha contra o mundo: a substituição do amor pelo altruísmo como o principio organizador da vida moral e a concepção do indivíduo e humanidade como sendo moldado e ao mesmo tempo sendo capaz de transcender o contexto, ou como sendo, de acordo com a antiga linguagem teológica e metafísica, uma colocação, uma personificação, do infinito dentro do finito.

Essas ideias – amor e infinito — são conectadas de uma maneira que nos incitam a mudar o mundo. Nós o mudaríamos para tornar as nossas vidas e circunstâncias mais parecidas com a visão. Nós também o mudaríamos porque a própria batalha nos tornaria mais divinos. Ela aumentaria a nossa parcela de divindade. Ela vira o jogo contra a experiência de desdenho, precisamente o que esta revolução busca desafiar e superar.

2. Eu desenvolvo o argumento seguindo determinados passos. Eu descrevo as duas maneiras que podem ser usadas para levar a cabo a revolução espiritual. Uma – o caminho sagrado — continua a depender da narrativa da intervenção redentora divina na história. A outra – o caminho profano — não depende em nenhuma narrativa desse tipo e por isso leva ao limite a ideia de que tudo não esta tão bem afinal de contas.

A maior parte dessa palestra lida com o conteúdo deste caminho profano.

O caminho sagrado e o profano

1. A revolução pode proceder com ou sem um apelo à fé nas ações redentoras de Deus na história. A diferença entre fazer tal apelo e evitá-lo importa, por dois motivos.

Em primeiro lugar, importa por causa da autoridade. A narrativa de intervenção divina cria disputas em torno de uma autoridade moldada pelo papel de agentes humanos na interpretação e transmissão da obra salvadora de Deus. Nenhuma narrativa, nenhum privilégio. A oportunidade então se abre não apenas ao sacerdócio de todos os devotos, à maneira da reforma Protestante, mas também a uma afirmação do poder profético de todos os homens e mulheres, no espírito da democracia.

Em segundo lugar, importa por causa da substância. A história da intervenção divina nos diz que a habilidade de abrir e visualizar o caminho só está parcialmente em nossas mãos. A maior parte da salvação vem depois e está escondida no fim dos tempos e na fase que vem depois da vida humana. A rejeição dessa visão nos força a aceitar a noção de que só existe uma perspectiva de salvação — ou resposta – na medida em que nós somos capazes de providenciar uma. Não existe mais ninguém, só nós. Não existe ninguém lá em cima nos protegendo.

A pecha de Pelagianismo sempre irá pairar sobre aquele que propuser o caminho profano nos olhos daqueles que escolhem o caminho sagrado e não importa o quão insistente ele pode ser ao negar o nosso poder de criar um desfecho para historia através de uma reconciliação definitiva dos conflitos e contradições que nos afligem. De sua parte, o viajante do caminho secular, verá o devoto, com que ele compartilha a ambição transformativa, como uma vitima do principio de William James que diz que as pessoas acreditam em tudo que elas podem acreditar, e suspeitam que ele está envolvido numa fantasia de edificação e auto-decepção que ameaça abrandar e mudar o foco do impulso revolucionário.

2. Apesar das diferenças significativas que os separam, o caminho sagrado e caminho religioso para iniciar a revolução são mais semelhantes entre si do que a probabilidade de qualquer um deles se assemelhar ao humanismo secular predominante ou às formas fossilizadas de pratica e crença religiosa. A razão é ao mesmo tempo simples e fundamental: a consciência que a visão evocada na ruptura dos religiosos convencionais e os humanistas seculares, e sujeita a um impulso radicalizante dos aspirantes a revolucionários, continua incompatível com muito do que nós pensamos, de como nos vivemos e de quem nos somos.

Eu proponho uma visão do conteúdo da revolução do ponto de vista do caminho maneira profano. Eu também gostaria de acreditar, mas eu não posso. Eu espero que a atitude sentimental para com a religião, com a sua busca mentirosa por um centro de reabilitação entre a verdade e a inverdade das crenças religiosas, não vai ter muitos adeptos numa humanidade futura.

3. O que ganhamos ao chamar a forma profana da revolução de uma mudança na consciência religiosa da humanidade – dado que o conceito da religião não possui um núcleo estável?

Em primeiro lugar, o objetivo aqui consiste em enfatizar a proximidade com a tradição que eu descrevi como batalha com o mundo. A mensagem daquela tradição precisa ser radicalizada por uma superação de restrições – institucionais e intelectuais — que agora restringem o seu alcance e empobrecem o seu significado. No entanto, a radicalização representa uma melhora pois ela significa uma ruptura. O que gera a aceitação ou rejeição de uma narrativa de intervenção divina na história gera o assunto em disputa entre os revolucionários sagrados e os seculares.

Em segundo lugar, o objetivo é enfatizar o quanto o programa da revolução tem em comum com duas das características que nós associamos com a religião. Uma dessas características é o escoramento de uma orientação existencial numa visão do nosso lugar no planeta. A outra característica é o caráter fragmentário, complicado e limitado da justificação que a crença religiosa pode reivindicar. O programa profano que eu insisto em chamar de revolução religiosa oferece uma visão da direção na qual nós podemos mudar quem somos e como nós nos vemos, e ela conecta o seu programa espiritual e institucional com uma certa maneira de lidar com mortalidade e a contingência. Ela requer que nós adotemos uma posição antes de termos, de acordo com os padrões do discurso racional, uma base que a sustentar nossa posição.

Como seria o caminho sagrado para levar adiante a revolução religiosa?

1. Visto que, como um número crescente pessoas no mundo, eu não sou um crente, e visto que, ao contrário de muitas delas, eu não finjo que existe uma posição intermediária entre acreditar e não acreditar, eu proponho uma descrição do programa da revolução religiosa na sua forma secular. Eu começo, no entanto, sugerindo quais seriam algumas das características da voz sagrada da revolução religiosa. Com esse propósito foco, eu me valho da única religião que eu conheço intimamente, por assim dizer, por dentro: o Cristianismo. Eu falo como se fosse cristão, e, particularmente, católico, teólogo que não sou. O que me encoraja a fazê-lo é a confiança na afinidade entre as rotas sagradas e profanas que levam à revolução religiosa que eu comecei a descrever. Nesse exercício, eu me movimento, em fragmentos, das implicações políticas e morais para o núcleo da concepção e método teológico.

2. O ensinamento social da igreja teria como foco a rejeição das instituições políticas, econômicas e sociais atuais, por causa das razões enumeradas na última palestra e elaboradas nesta. Um ponto decisivo é a recusa para simplesmente atenuar as consequências da estrutura de classe.

Considere, à guisa de exemplo, a trajetória da doutrina social católica. Partindo do seu foco em direitos sociais no fim do século XIX, sem qualquer estrutura institucional de organização política e econômica capaz de cumprir essas promessas, ela prosseguiu para o comunitarianismo corporatista das encíclicas papais entreguerras. Após essa doutrina ser desacreditada, o ensinamento social da igreja católica voltou, no fim do século XX, para o caráter vacuidade institucional no qual se encontrava no fim do século XIX. O que é necessário hoje é um programa para democratizar a economia de mercado e aprofundar a democracia política através de inovações nas formas institucionais do mercado e da democracia. (Tal tentativa seria muito diferente da combinação de conservadorismo institucional ou agnosticismo e igualitarianismo redistribuitivo que marcaram as tendências dominantes na filosofia política anglo-americana nas ultimas décadas.)

A relação passiva de muito do ensinamento social cristão com as formas de organização social econômica é análoga à espiritualização crista do feudalismo europeu. Trata-se de uma acomodação que camufla as tensões manifestas entre a visão profética e a estrutura vigente.

3. Durante séculos, a agitação e reordenamento da doutrina cristã contra a moralidade convencional regrada da época, e também contra a história dessa moralidade das instituições sociais herdadas, encontrou inspiração numa redescoberta e reinterpretação da ênfase Paulina e Agostina na fé contra a razão, na graça contra a obra e no amor contra a lei. O resultado tem sido o surgimento de uma confusão no que tange um assunto vital à religião.

Instituições e regras, se insuladas contra contestações e mudanças, se tornam instrumentos de uma idolatria contrária ao espírito. Mas a religião cristã tem que ser tão contra um antinomianismo que trata toda repetição, regra e estrutura institucional como o toque de Midas que acaba com o espírito quanto o é contra a idolatria de instituições estabelecidas. A “via negativa” do antinomianismo institucional deságua num abandono do mundo, acima do mundo social, claramente em contradição com os principais ensinamentos da religião. (Essa é a heresia, uma doutrina de desespero, na qual o grupo Paulino-Agostiniano sempre corre o risco de cair. Nós vemos sinais dela em pensadores do século XX tão distintos quanto Karl Barth e Jean-Paul Sartre.) A simples oposição entre o espírito e estrutura (ou repetição, regra e instituição) tem que ser superada por uma mudança progressiva na relação entre a estrutura e o espírito, na vida do indivíduo e também na organização da sociedade.

O ponto, ao fim e ao cabo, é insistir na incorporação do espírito no mundo. Tal incorporação não pode ocorrer enquanto o espírito paira sobre o mundo cujas rotinas ele é incapaz de penetrar e transformar.

Uma das implicações práticas dessa visão é o peso teológico do experimentalismo, sobre a extensão de cada vida individual e também sobre a organização da sociedade. A abertura ao novo está relacionada à abertura a outras pessoas.

4. Ao colocar a autotransformação e a transformação da sociedade no contexto de uma narrativa das obras redentoras de Deus na história, nós afirmamos um princípio de esperança radical. As transações entre Deus e a humanidade podem ser compreendidas somente através de uma comparação com as transações entre pessoas. Contudo, elas dão a essas transações um grau de abertura, de possibilidade, de profundidade, de importância, que sem elas normalmente não teriam, ou a teriam de uma maneira muito mais limitada.

A esperança é a esperança de que o mundo, especialmente o mundo humano, pode ser penetrado e transformado, o que significa, na linguagem teológica, que ele pode ser redimido. O cristão vive para esse futuro, mas ele vive para ele como uma maneira de viver no momento, e ele vive para ele à luz de algo que já aconteceu.

5. O Deus de Abraão acima do Deus dos filósofos. O enigma escandaloso do Deus pessoal e a sua obra histórica acima do racionalismo reconfortante da divindade impessoal. O tempo nesse mundo real e único acima da eternidade de muitos mundos possíveis.

O cristianismo pode ser de fato finalmente liberado da influência da filosofia grega. Ele deve se livrar dela, no entanto, de uma forma que considere a mensagem da intervenção divina e da reconciliação como o aprofundamento e expansão de algo que nós já conhecemos, imperfeita e obscuramente, na nossa experiência humana secular de encontro e conexão e que é, portanto, capaz de elucidação parcial. A sua teologia não pode acabar numa celebração da obscuridade.

6. O que justifica denominar uma transformação de crenças com tais características de revolução é a sua combinação de mudança na visão espiritual, no método teológico, no programa institucional e na atitude existencial.

7. Tendo sugerido, na condição de descrente solidário, possíveis características da revolução na sua forma sagrada, eu agora passo a uma descrição do programa que, na sua forma profana, ela colocaria em marcha. O programa é composto por quatro partes. Chamá-las-ei de: a tomada do poder, a transformação, a autotransformação e a recompensa.

A tomada do poder

1. A primeira parte do programa consiste no despertar do estado semi-consciente no qual normalmente vivemos nossas vidas. Ela tem como objetivo nos arrancar das rotinas consoladoras da sociedade e da cultura. Ao encarar a morte de frente e o fato de que vivemos num mundo desprovido de bases sólidas — com a realidade da mortalidade e com o mistério do nosso lugar num mundo que nós somos incapazes de compreender por completo, que existe num espaço temporal cujo começo e fim nós não podemos alcançar — corremos o risco de recuar de uma maneira covarde e humilhante para uma vida que é empobrecida através do enfraquecimento da consciência. A vida, vivida no agora, é tudo que temos. Ao desperdiçá-la, tudo perdemos.

Praticamente todos os grandes pensadores da nossa tradição escreveram sobre essa característica básica da nossa experiência. Trata-se, por exemplo, do “divertissement” de Pascal ou do “Zerstreuung” de Heidegger.

2. E o que devemos fazer a respeito? Parte, mas apenas parte da resposta poderemos encontrar nas ideias e histórias que eles informam. O começo e o fim das ideias deve ser o reconhecimento da mortalidade e da falta de fundamentos, sem a anestesia das teologias e filosofias preocupadas apenas em nos fazer sentir bem.

Ideias sem conteúdo e não concretizadas não são, no entanto, o suficiente. Muitos soldados alemães educados carregavam o Ser e Tempo nas suas mochilas no front da Segunda Guerra Mundial. Suspeitamos que se não fosse o Ser e Tempo seria um exemplar de outra coisa, qualquer coisa capaz de descrever as experiências que nos colocam no limite do que nos podemos ver e resistir. Não foi o texto que fez isso. Foi à guerra.

3. As ideias precisam ser suplementadas pelas práticas: as práticas institucionalizadas da sociedade e as práticas discursivas da cultura. Tais práticas precisam servir como estandartes da nossa tomada de poder auto-infligida, para que possamos ser ao mesmo tempo os depositores e os depostos.

Elas devem ter um atributo distinto e compartilhado. Nós normalmente conseguimos distinguir entre nossas ações de preservação ou contestação ou revisão do contexto. Nós estamos acostumados a nos mover dentro de uma estrutura de arranjos e pressupostos que nós tomamos como dada. Excepcionalmente, desafiamos e revisamos a estrutura por meios que são inevitavelmente apenas incrementais, mas que podem se tornar, pelo seu movimento direcionado e reiterado, radicais no seu efeito transformativo.

A distância entre essas duas classes de atividades não é constante. Ela varia. A distância depende da organização da sociedade e da cultura e, certamente, da alta cultura de cada uma de suas disciplinas. Quanto maior a distancia, quanto mais a mudança dependerá da crise.

Para favorecer a tomada do poder, não como um evento único, mas como um processo contínuo, nós precisamos trabalhar no sentido de diminuir a distância. Nós devemos preferir que as práticas de revisão de contexto sejam causadas, mais pronta e continuamente, pelo exercício das práticas de preservação de contexto. Uma das consequências será o fato de que a mudança dependerá menos da crise para tornar o impulso revisionista mais inerente a nossa experiência. Nós seremos então mais livres e maiores: assim, essa derrubada ergue ao mesmo tempo em que nos arranca da condição atual.

Teríamos pouca perspectiva de desenvolver e disseminar tais práticas caso elas não servissem vários outras sortes de interesses morais e materiais e não apenas nosso interesse espiritual pela tomada de poder: nossos interesses no desenvolvimento de nossas capacidades práticas e no enfraquecimento de divisões e hierarquias sociais enraizadas. Aqui, então, encontra-se um ponto de contato entre os motivos da revolução religiosa inicial — a que deu a luz às três orientações religiosas dominantes históricas que eu descrevi — e a revolução que nós temos a obrigação de concretizar.

3. Como estou numa grande universidade, nem precisaria dizer que tal esforço é contrário às tendências racionalizadoras, humanizadoras e escapistas que comandam as ciências sociais e a área de humanas, já que os grandes relatos da ascensão da humanidade, sustentados pelas mais ambiciosas e esperançosas teorias sociais do passado deixaram de ser críveis. Essas tendências racionalizadoras, humanizadoras e escapistas parecem se antagonizar. Na verdade, elas funcionam de forma concertada para desarmar a imaginação transformativa. Na mesma veia, elas colocam a mistificação no lugar da compreensão.

A transformação

1. A segunda parte da revolução diz respeito à mudança nas instituições da sociedade. Existem três males que tem de ser confrontados: as divisões e hierarquias sociais que menosprezam e apequenam a vida — particularmente a sua estruturação em classes; a restrição da solidariedade à família e, para além da família, à conexão tênue do dinheiro; e o fato da mudança depender da crise. Desses, o terceiro é ao mesmo tempo o mais remoto das preocupações imediatas da vida social e o que possui a relação mais íntima com a religião do futuro.

Os males estão causalmente conectados pela sobreposição de suas condições causais. Cada um dos problemas tem uma relação íntima com um conjunto de inovações institucionais. Contudo, cada série de inovações afeta todos os problemas.

1. O mal da desigualdade enraizada e obstrutora de oportunidades está mais intimamente associado à necessidade de reconstruir o conteúdo institucional da economia de mercado. Nós não podermos construir uma economia de mercado mais inclusiva sem inovações nas instituições que a organizam. (Os americanos tentaram isso, no começo do século XIX ao organizarem uma forma de agricultura familiar combinado a um sistema descentralizado de bancos e crédito). Nós precisaríamos inovar a estrutura que governa a relação entre governos e firmas e a estrutura que molda as relações entre produtores. Regimes diferentes de propriedade privada e social teriam que coexistir em caráter experimental dentro da mesma economia de mercado. Para ampliar o acesso às formas mais avançadas e experimentais de produção e aprendizado que estão emergindo, em conjunto, no mundo seria uma das ambições principais deste programa institucional.

O potencial transformativo de tais reformas só seria realizado na medida em que fosse combinado com uma reformulação da educação. Tal reformulação reconciliaria a administração local das escolas com padrões nacionais de investimento e qualidade. E ela insistiria num método de ensino e aprendizado que fosse cooperativo e dialético (sempre procedendo via o contraste de pontos de vista opostos) e também analítico e focado em problemas.

2. O fracasso da solidariedade fora do círculo familiar não pode ser remediado apenas com transferências de dinheiro. Ela requer o desenvolvimento e aplicação do princípio que todo adulto capaz deve, durante certos períodos da sua vida ou por parte do seu tempo, sempre ser responsável por ajudar a cuidar de pessoas fora da sua família, de acordo com o seu talento e disposição. Dinheiro, sem tempo e engajamento, não é o suficiente para fornecer para cada indivíduo uma resposta para a questão mais importante: onde estão os outros?

Ao insistir na primazia dessa questão ficamos cara-a-cara com a fraqueza humana em todas suas formas e damos as costas à idolatria do poder que poderia corromper a religião do futuro.

Dessas considerações surge o argumento favorável para o serviço social voluntário e também obrigatório.

3. Todas as nossas instituições – as econômicas, sociais e políticas — em todas as sociedades, no mundo inteiro, estão organizadas de uma maneira que torna a transformação dependente do trauma, tradicionalmente na forma da ruína ou guerra. Não é necessário que seja assim, ao menos não numa medida imutável. Esta medida, por sua vez, depende da organização da sociedade. Entre nossas instituições, nossos arranjos políticos são especialmente importantes, especialmente numa democracia, pois eles ditam as regras que utilizamos para mudar todos os outros arranjos.

A consequência mais abrangente do fato da mudança ser dependente da crise é a criação de uma situação em que, a cada passo dado, somos obrigados a escolher entre o engajamento e a resistência, entre a aceitação dos outros e a manutenção do direito de ter a última palavra. Enquanto estivermos obrigados a tomar esse tipo de decisão, não poderemos atender ao chamado de estar no mundo sem ser do mundo.

Uma democracia altamente energética e vibrante é o projeto necessário para lidarmos com esse problema dadas as condições históricas atuais. Tal democracia seria definida por cinco grupos de inovações institucionais. Um grupo incrementaria o nível de engajamento cívico organizado. Ele aumentaria a temperatura da esfera política. O segundo grupo providenciaria meios para resolver impasses entre os poderes do governo, seguindo o princípio liberal da fragmentação de poder e ao mesmo tempo repudiando o compromisso conservador (consagrado, por exemplo, no esquema de Madison) de desacelerar a política sob o falso estandarte da liberdade. Haveria uma aceleração do compasso da política. O terceiro grupo exploraria com maior eficácia o potencial experimentalista do federalismo ao dar maior margem para que setores da sociedade, economia e unidades federativas testassem modelos que estivessem a contrapelo da direção convencional seguida pelas políticas públicas federais. O quarto grupo criaria um poder dentro do governo, projetado e equipado especificamente para resgatar grupos desprivilegiados de sua circunstância de exclusão e subjugação da qual eles não tem capacidade de escapar por meio dos mecanismos políticos e ações econômicas aos quais atualmente têm acesso. O quinto grupo teria como objetivo enriquecer as instituições de democracia representativa pela incorporação de mecanismos de democracia direta e participativa sem, entretanto, acarretar na diluição das salvaguardas da liberdade individual.

4. Pode parecer estranho evocar um programa institucional no delineamento de um programa de revolução religiosa. No entanto, não é tão estranho assim, pois se a orientação religiosa insiste na criação de um mundo social mais justo e que proporciona mais oportunidades para a pessoa que transcende o contexto: ou seja, usando outra linguagem, para o espírito incorporado e situado, o original radical, que todos nós sabemos que somos. Temos um programa institucional para não desistir do mundo.

O objetivo maior desse programa não é humanizar a sociedade, mas, sim, tornar a humanidade divina. Seu objetivo é elevar a vida ordinária — não apenas para uma elite de heróis, gênios e santos, mas para todos — para um nível mais alto de intensidade e capacidade.

A auto-transformação

1. O programa para a reconstrução da sociedade vem acompanhado por um projeto para a transformação do ser. Se o projeto social avança com passos fragmentados, cumulativos, o mesmo valerá também, por razões melhores, para o projeto pessoal. Afinal, é mais fácil mudar uma sociedade do que mudar um indivíduo. Esse projeto se volta a uma reinterpretação dos hábitos da mente e do coração mais valorizados na tradição da batalha com o mundo. Num contexto cristão, ele depende de uma reinterpretação do lugar das virtudes teológicas de fé, esperança e amor na nossa vida moral.

2. O que está em jogo nesse redirecionamento fica mais claro quando a contrastamos com a visão pagã, greco-romana das virtudes. Ainda estamos para superar a influência desse quadro antigo. Sim, as virtudes da conexão — coragem, imparcialidade e tolerância — têm um papel indispensável e encorajador. Sua tônica é o abandono progressivo da experiência primitiva de estar no centro do mundo; elas nos reconciliam, na prática, com a visão de que nem tudo gira em torno de nós.

Tais virtudes precisam ser casadas com as virtudes da purificação — a kenosis dos teólogos da patrística. Por meio de tais virtudes — compaixão, simplicidade e entusiasmo – afrouxamos os grilhões que nos atam ao mundo. Ao fazer isso, conseguimos enxergar melhor o mundo e as pessoas dentro dele. À medida que nossos poderes e confortos aumentam, também aumenta o valor desse desafogo para o gozo de nossa liberdade do mundo estando no mundo.

No entanto, a importância dessas duas famílias de virtudes é transfigurada por uma terceira família que é decisiva para determinar um caminho para a vida. Essas são as virtudes da divinização: nossa aceitação do novo e de outras pessoas. É ela que nos empurra para uma existência na qual nós podemos reconhecer que a transcendência é mais importante do que a circunstância e que o amor ao próximo é uma das estralas guia da vida moral.

Parte da função deles na nossa experiência consiste em compensar pelas consequências da divergência entre o tempo histórico e biográfico: para tornar possível que cada um seja capaz de entrever na sua própria vida, nesse instante, os objetivos da revolução religiosa que essas palestras descrevem, antes de conseguirmos, coletivamente, transformar a sociedade e a cultura.

3. Vista a partir de um ângulo diferente, o objetivo desse ideal de personalidade, dessa orientação existencial, é morrer apenas uma vez, dado que temos que morrer, em vez de morrer várias pequenas mortes. É, além disso, resistir e reverter o estreitamento do foco e da adaptação às circunstâncias que ameaçam nos dominar e nos matar, pouco a pouco, durante as nossas vidas. O objetivo maior dessa conversão é nos dar vida enquanto estamos vivos.

A recompensa

1. No fim, o que temos é a nossa vida, nesse momento.

As raízes do ser humano, de acordo com a religião do futuro, estão mais no futuro do que no passado. A profecia conta mais que a memória; a esperança, que a experiência; a surpresa mais que repetição. O tempo é mais importante do que a eternidade. Nós vivemos para o futuro, à luz do futuro.

No entanto, um paradoxo formativo da religião do futuro é que viver no futuro é uma maneira de viver no presente como um ser que é mais, e que é capaz de mais, do que a sua situação permite ou revela.

Ao assim reorientarmos nossas vidas, somos recompensados. Nossa recompensa não nos resgata da mortalidade ou da ausência de fundamentos. Ela não nos consola em relação à morte. Ela nem mesmo nos prepara para a morte, algo que Fédon queria que a filosofia fizesse. Ela não supera nem ameniza o caráter inconcebível e surreal da nossa existência. Tudo não vai acabar bem.

2. Qual seria então, dentro desses limites, a nossa recompensa?

Nossa recompensa é poder agir, obstinadamente e com todo o coração, no mundo sem sermos vencidos pelo mundo. O engajamento faz parte da liberdade: nós nos criamos ao engajar numa ordem social e cultural particular. A resistência faz parte da liberdade: nós nos criamos ao resistir tal ordem. Enquanto os requisitos do engajamento e da resistência se contradisserem, não estaremos livres. Ficaremos mais livres na medida em que tais requisitos forem reconciliados. Teremos uma chance maior de agir como os originais, os que transcendem o contexto, os que compartilham de atributos da divindade, estando nesse caminho de evolução das nossas crenças religiosas como a rota mais confiável para a auto-revelação e autoconstrução.

Nossa recompensa é ter chance maior de forjar uma conexão com outras pessoas — reconhecer e aceitá-las como seres transcendentes-de-contexto — isto é, transcendentes de classe, raça, gênero e papel — indivíduos que afirmamos ser sem abrir mão do que temos de distinto e oculto (separateness and hiddenness). É também, portanto, ver aumentado o círculo invisível do amor do qual todos nós fazemos parte mesmo quando não conseguimos amar aqueles que não estão no nosso círculo de conhecidos.

Nossa recompensa é a vida, fadada à morte, porém elevada a um nível de maior de intensidade enquanto estivermos vivos. É a chance de morrer apenas uma vez. É a pausa e a reversão do processo de mumificação – a carapaça da rotina e acordos – que se forma ao nosso redor à medida que envelhecemos. Possuir a vida, agora mesmo, de olhos abertos, neste instante momento, é o mais importante objetivo da nossa autotransformação, conquistada graças a uma derrubada, uma tomada de poder auto-imposta do ser. Para chegar a esse ponto, no entanto, precisamos rejeitar o ideal de serenidade pela invulnerabilidade, ideal este que dominou a filosofia moral dos antigos e que penetrou as ideias morais dos últimos séculos. Temos que substituí-la com uma visão que aceita a vulnerabilidade e a rejeição como uma condição para intensificar a batalha com o mundo.

Nossa recompensa é o mundo real e multifacetado, do qual nós, como uma cultura e sociedade organizada, não desistiríamos, mas que, como natureza e cosmos, possuiremos mais plenamente. Possuí-lo mais plenamente significa aliviar o peso dos esquemas categóricos através dos quais o vemos e interpretamos. Significa afirmar os nossos poderes de transcendência em relação aos nossos métodos e pressupostos e também em relação às nossas instituições e práticas. Significa acreditar que a humanidade poder participar mais ativamente na experiência da genialidade, que não consiste em pensar mais, mas em perceber mais.

Tais resultados serão as causas e as consequências da intensificação da experiência, da concentração da vida no instante, que é a única resposta à mortalidade e à contingência que, com a iluminação religião do futuro, temos o direito de acreditar.

Contra-correntes na religião do futuro

1. Primeiro, parece haver um conflito entre a recompensa e a tomada de poder. A confrontação infindável com o fato da morte e com o risco da ausência de sentido e da rejeição de qualquer historia, sagrada ou secular, que eliminaria os seus terrores, parece fazer pairar uma sombra sobre a recompensa.

E de fato esta sombra existe. O conflito está no mundo, não no argumento. A tomada de poder é o requisito da transformação e da autotransformação. Juntos, estes formam o portal para a recompensa. A sombra e o portal são inseparáveis na constituição da nossa experiência.

Se, como resultado da tomada de poder, da transformação e da autotransformação, viermos a ter mais vida no momento do agora, poderemos correr risco maior de sermos dominados e paralisados pelo sentimento da vida do que antes, pelo medo da morte e pela vertigem causada pela ausência de fundamentos.

2. Portanto, aparentemente temos um conflito entre a recompensa, de um lado, e a transformação e autotransformação, do outro. A autotransformação nos coloca num caminho de busca eterna. A transformação consiste de instituições e práticas que nos conduzem a tal busca em vez de, como as instituições e práticas historicamente tem feito, para longe delas.

Estaríamos assim a ponto de sermos acorrentados, de tal maneira similar à situação da qual os filósofos da superação do mundo queriam nos libertar, ao círculo do desejo, ao carrossel da nostalgia, saturação, tédio, inquietação e luta interminável e, na esfera da percepção do mundo real, à oscilação entre ver e fitar fixamente?

De fato, estamos. Ou pelo menos estamos, salvo na medida em que o incremento da nossa experiência de vida e da nossa percepção dos outros e do mundo muda a maneira como vivenciamos a dialética inscrita na nossa constituição. Tal incremento pode mudar essa dialética, de forma assaz simples, transformando estes circuitos em rotas ascendentes no que diz respeito ao único bem que realmente possuímos, a vida vivida agora, porém enxergada à luz ao futuro.

Revolução religiosa

1. Tocqueville chegou a afirmar que toda grande revolução nos afazeres humanos é ao mesmo tempo uma revolução política e religiosa. Creio que com isso ele quis dizer que cada revolução representa uma reformulação de instituições e uma expansão da consciência.

Vivemos numa era de desilusão. Se não ficarmos desiludidos com a desilusão, profetas políticos e religiosos surgirão mesmo assim. Eles empreenderão, cedo ou tarde, a tarefa que não conseguimos realizar.

Eu já sugeri o que eu acredito ser não a doutrina, mas a direção da revolução que nós precisamos. Eu a descrevi do ponto de vista da religião e, em outros momentos, do ponto de vista da política. Eu sei, no entanto, que essa distinção só faz sentido se vista de uma perspectiva alheia aos objetivos e métodos de tal revolução.

As expressões que a insurreição pode assumir, no seu lado mais religioso, provavelmente possuem em comum com as revoluções religiosas antigas apenas a combinação de ação exemplar e ensinamento visionário. Todo o resto será inevitavelmente diferente, tão diferente que pode, no início, ser irreconhecível como a revolução que é.

O simples ensinamento central dos revolucionários deve ser e será, todavia, um que nós já podemos ouvir e seguir.

Em breve morreremos e deterioraremos e seremos esquecidos, embora tenhamos o sentimento de que não deveríamos. Morreremos sem compreender o que esse mundo estranho, e o breve tempo que passamos nele, realmente significa.

Nossa religião deve começar com o reconhecimento desses fatos aterrorizantes e não com a sua negação, como a religião tradicionalmente tem feito. Ela deve nos motivar a mudar a sociedade, cultura e nós mesmos para que nos tornemos — todos nós, não apenas alguns felizardos — maiores assim como mais iguais e incorporar uma parte maior das qualidades que atribuímos a Deus. Ela também deve, portanto, nos tornar mais dispostos a nos desproteger pelo bem da compaixão e do amor. Ela deve nos convencer a trocar a serenidade pela busca.

Assim sendo, enquanto vivermos teremos uma vida maior, nos afastando dos ídolos, porém nos aproximando um do outro. Seremos eternos, temporariamente.

Por Roberto Mangabeira Unger

Tradução de Thiago Nasser

Fonte:
http://revistaestudospoliticos.com/
a-religiao-do-futuro-por-roberto-mangabeira-unger/

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Alma... dentro da Alma...


‎''Existe uma alma dentro de sua alma.
Busque por ela.
Existe uma jóia na montanha que é seu corpo.
Olhe para a mina que contém essa jóia.
Busque dentro de você e não fora.''

Rumi

sábado, 11 de agosto de 2012

Biofótons


Os biofótons foram descobertos pelo soviético Alexander G. Gurvich, em 1923, que os denominou de “raios mitogenéticos”, uma vez que ele estava estudando o processo de diferenciação no desenvolvimento celular. O prefixo “mito” se refere à mitose. Na década dos anos 30 eles foram estudados intensamente, tanto na Europa como nos EUA, mas, como os resultados práticos não vinham, acabaram sendo esquecidos. Num clima extremamente pessimista, a notoriedade da descoberta de Gurvich acabou chegando mesmo nos anos 70, quando surgiram amplas evidências teóricas e experimentais acerca de sua estrutura.

Neste ponto, deve-se enaltecer a atuação, na Alemanha, do Prof. Fritz-Albert Popp que, apesar de extremas dificuldades e descrenças, acabou empenhando toda a sua carreira científica para exibir a origem dessa radiação no DNA e mostrar também a coerência (algo análogo ao que ocorre com o laser) dessa emissão. Pode-se mesmo dizer que ele foi o responsável por essa ressurreição ocorrida com esse tipo de fenômeno. Mesmo em 1985, o grande biofísico soviético Volkenshtein escrevia: “As tentativas, que se prolongaram por uma série de anos, de descobrir essa radiação por métodos físicos exatos não conduziram ao êxito. A existência de raios mitogenéticos não se afirmou, por isso seu estudo há tempos foi abandonado. Do mesmo modo foram falsas outras comunicações sobre as radiações ultravioletas específicas, originadas em outros processos biológicos”. Popp provou o contrário.

Na linguagem simplificada, usada nos textos elementares, o fóton é descrito como um aglomerado de energia localizada, constituindo algo como um projétil de radiação. São esses projéteis que atingem a nossa retina ou nossos aparelhos registradores e constituem a luz que estudamos. O fóton constitui, dentro do espectro visível, a luz que vemos ou registramos. Há também fótons que não são visíveis, mas que apresentam os mais variados efeitos. Abaixo da região visível, temos, por exemplo, os fótons que constituem os raios infra vermelhos, etc. Acima da região visível, temos o exemplo da radiação ultra violeta.

Os biofótons, ou emissões ultra fracas de fótons por sistemas biológicos, são fótons de luz ( intensidade muito baixa) que estão no intervalo óptico do espectro eletromagnético, ou seja, constituem a luz emitida por esses sistemas. Seus comprimentos de ondas correspondem ao vermelho, ao amarelo, ao verde, etc. Podem, também, exibir comprimentos de ondas menores, com freqüências mais elevadas, como a da radiação ultravioleta. Todas as células vivas de plantas, animais e seres humanos emitem biofótons que não chegam a serem vistos pelo olho nu, mas que podem ser notados e medidos por meio de equipamentos especiais desenvolvidos, principalmente, por pesquisadores alemães.

Talvez, o melhor e mais atualizado livro sobre o assunto seja o de Marco Bishof, entitulado “Biophotons – The Light in Our Cells” que, entretanto, só é disponível em alemão, não tendo sequer uma tradução para o inglês. Vamos segui-lo, na sua parte introdutória:

A emissão de luz é uma expressão do estado funcional do organismo vivo e a medida dessa emissão pode, portanto, ser usada para se ter um acesso a esse estado. Células cancerosas e células sadias do mesmo tipo, por exemplo, podem ser discriminadas pelas diferenças típicas da emissão de biofótons. É bom guardar esse exemplo na memória. Depois de uma década e meia de pesquisa básica sobre essa descoberta, biofísicos de vários países europeus e asiáticos estão explorando agora as aplicações muito interessantes que percorrem campos tão diferentes como pesquisas sobre o câncer, diagnóstico médico precoce não-invasivo, testes de qualidade de comida e água, testes químicos e eletromagnéticos de contaminação, comunicação entre células e várias aplicações em biotecnologia.

De acordo com a teoria biofotônica desenvolvida com base nessas descobertas, a luz dos biofótons é armazenada nas células do organismo – mais precisamente, nas moléculas de DNA de seus núcleos – e uma rede dinâmica de luz constantemente emitida e absorvida pelo DNA pode conectar organelas das células, as células, os tecidos, e órgãos dentro do corpo e serve como a rede principal de comunicação do organismo e como a principal instância de regulação para todos os processos da vida. Os processos de morfogênese, crescimento, diferenciação e regeneração são também explicados pela estrutura e pela atividade reguladora do campo biofotônico coerente. O campo holográfico de biofótons do cérebro e do sistema nervoso, e possivelmente de todo o organismo, pode também ser a base da memória e de outros fenômenos da consciência, como foi postulado pelo neurofisiologista Karl Pribram e por outros. O campo holográfico, como se sabe, é um campo coerente. As propriedades de coerência do tipo da consciência do campo biofotônico estão diretamente relacionadas às suas bases localizadas no vácuo físico e indicam seu possível papel como uma interface entre os domínios não físicos da mente, da psique e da consciência.

A descoberta da emissão biofotônica também deu respaldo científico a alguns métodos não convencionais de cura baseados no conceito da homeostase (auto regulação do organismo), tais como várias terapias somáticas, homeopatia e acupuntura. A energia “chi” circulando pelos canais do nossos corpos (meridianos) de acordo com a Medicina Tradicional Chinesa regula as funções do nossos corpos e pode estar relacionada com as linhas nodais do campo biofotônico do organismo. A “prana” da fisiologia da Ioga Indiana pode ser uma força energética similar reguladora que tem sua base nos biocampos eletromagnéticos fracos e coerentes.

A coerência do campo biofotônico 

Coerência é uma propriedade que, em óptica, tem um significado especial. Experimentalmente, sabe-se que é impossível a obtenção de figuras de interferência com duas fontes separadas, tais como duas lâmpadas de filamento colocadas lado a lado. Isso se deve ao fato de que a luz proveniente de qualquer fonte não é um trem de ondas infinito. A coerência de duas ondas , em essência, descreve uma propriedade que, em física, permite uma interferência estacionária, tanto no espaço como no tempo. De um modo geral, a coerência descreve todas as propriedades de correlação entre as quantidades físicas de uma onda. Quando duas ondas estão interferindo, ou elas se adicionam construtivamente ou se subtraem destrutivamente, dependendo de sua fase relativa. Chamamos duas ondas de coerentes se elas têm uma fase relativa constante, o que implica que elas têm também a mesma freqüência. Existe um parâmetro denominado por cross-correlation que diz quanto as propriedades da segunda onda podem ser previstas a partir do conhecimento da primeira onda em interferência. Como exemplo, podemos considerar duas ondas perfeitamente correlacionadas. Em qualquer instante, se a primeira onda varia, a segunda vai variar da mesma maneira. Segue-se que elas são perfeitamente coerentes. A segunda onda não necessita ser uma entidade diferente. Ela poderia ser a mesma onda num tempo ou numa posição diferente. Aí falamos em auto-correlação. O caso da homeostase seria um exemplo de auto correlacionamento, se todas as informações relevantes estiverem disponíveis. Exemplos de coerência pertencentes a campos mais gerais são a supercondutividade, a condensação de Bose Einstein, etc.

Assim, se temos emissão coerente de biofótons, isso quer dizer que o campo biofotônico emite luz cujas diferenças de fase se apresentam constantes, acarretando, portanto, algo global. Não se pode isolar pura e simplesmente a luz emitida por uma célula e ignorar o que se passa com as outras: há uma espécie de comprometimento entre todas as componentes luminosas. Essa propriedade pode se tornar mais significativa se estivermos estudando a luz emitida por células sadias em comparação com células doentes. Na prática sabe-se que células doentes emitem luzes de frequências mais elevadas. Iremos estudar esses casos na sequência.

Sugestões de estudo 

Em 2003 era publicada uma monografia usada como texto para a obtenção do título de Mestre junto à FMUSP, de autoria do médico Ricardo Monezi Julião de Oliveira, que atraiu a nossa atenção. O trabalho tem o título: “Avaliação de efeitos da prática de impostação de mãos sobre os sistemas hematológico e imunológico de camundongos machos”. Vamos ver o resumo do próprio autor:

“Estudamos a impostação de mãos sobre camundongos, avaliando parâmetros hematológicos e imunológicos. Nossos resultados demonstraram nos animais que receberam a impostação de mãos uma diminuição significativa do número de plaquetas, elevação do número de monócitos na leucometria específica, elevação da atividade citotóxica de células não aderentes com atividade NK (Células Natural Killer) e LKA (Células matadoras ativadas por linfócitos). Os grupos controle e placebo não mostraram qualquer alteração. Os resultados encontrados nos levam a concluir que há uma alteração fisiológica decorrente à impostação de mãos e que há que se estudar por que ela ocorre.”

Verificou-se que usando um grupo de sessenta camundongos machos, divididos em três sub-grupos, sendo um de controle, outro simulando algo como impostação e o terceiro sendo o de verdadeira impostação de mãos, no caso da reação a uma situação preparada de indução da presença de bócio, quando da retirada da ministração de iodo aos animais, apareceram os resultados apresentados. O que necessita ser explicado é o resultado da aplicação de algo que se pode definir como passe magnético, passe mesmeriano, passe utilizado na Medicina Tradicional Chinesa e outras terapias alternativas ou complementares. Não basta afirmar que durante a impostação de mãos é transferida uma certa quantidade de energia sutil. A hipótese mais evidente que se coloca é a de que a energia fornecida quando da impostação de mãos vem dos biofótons emitidos pelo pesquisador. No caso em pauta, este administrou passes de cerca de quinze minutos de duração, durante quarenta e cinco dias.

Não foi incluído especificamente entre os tipos de passes o passe espírita, pois este depende de outro fator que é a parte espiritual. O passe espírita é considerado como um passe misto: parte orgânico e parte espiritual. Neste tipo de passe deveriam ser incluídos os biofótons oriundos da parte física e os da parte perispiritual, que pertencem a outro quimismo. É possível que o campo biofotônico seja também responsável por várias outras formas de energia sutil encontradas nas medicinas alternativas, como a acupuntura e a homeopatia, ou seja, um campo informacional.

Fonte: 
http://www.amebrasil.org.br/portal/

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A Religião do Cérebro



O neurocirurgião Raul Marino Jr., 68 anos, conhece o cérebro humano como poucos. Em 35 anos de carreira, estudou-o, analisou as mudanças de comportamento relacionadas à sua química e se preocupou em explicar os caminhos das emoções entre os 100 bilhões de neurônios do órgão. Trabalhou em alguns dos melhores centros de pesquisa, como o Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. 

Estudou para entender o que acontece no cérebro durante as orações, transes e outras práticas místicas. Marino, professor de neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, lançou o livro A religião do cérebro, no qual resume as descobertas mais recentes sobre a origem e os efeitos da experiência religiosa ou mística. “Fiz um depoimento sobre o que existe e acredito, como, por exemplo, o fato de que somos dotados de áreas cerebrais para que possamos nos comunicar com Deus”, disse Marino – além de médico, cristão –, na entrevista concedida a Revista Isto é.

Revista – Qual a concepção mais atual sobre o funcionamento do cérebro?
Raul Marino Jr. – Um dos princípios da neurociência do comportamento é que nossas experiências são geradas pela atividade cerebral. Assim, os sentimentos de amor, a consciência e até a presença de uma divindade estão associados a eventos que acontecem no cérebro.

Revista – E o que é a neuroteologia?
Marino Jr. – Estudamos o processamento das emoções relacionadas à religião, à espiritualidade, no cérebro.

Revista – Como são feitos os estudos?
Marino Jr. – Foram feitas experiências com monges e freiras em clausura mostrando como e quando áreas cerebrais se alteravam durante a meditação e a oração. Viu-se que, em estado meditativo, eles apresentam alterações reais e detectáveis. Há mudanças na química do sangue e das ondas cerebrais.

Revista – Qual foi, até agora, o maior achado da neuroteologia?
Marino Jr. – Foi ter encontrado, no cérebro, as áreas ativadas pela oração e pela meditação, quando entramos em contato com o divino.

Revista – E quais são essas regiões?
Marino Jr. – Uma das mais importantes é o lobo límbico e suas conexões. Lá estão estruturas que nos ligam ao Criador e ao significado do mundo.

Revista – Seu livro descreve experiências de estimulação de áreas do cérebro situadas no lobo temporal direito, seguidas de reações que podem ser interpretadas como experiências místicas. Pode explicar isso?
Marino Jr. – Durante os últimos 15 anos, um importante pesquisador, Michael Persinger, aplicou campos magnéticos sobre o hemisfério direito do cérebro de jornalistas, músicos, escritores e estudantes. Todos referiram-se à sensação de uma presença ou ao deslocamento para fora dos seus corpos. Uma das conclusões foi a de que crenças sobre a existência de deuses são propriedades normais do cérebro humano, tendo se desenvolvido em nossa espécie como funções para facilitar nossa adaptabilidade. O autor mostrou a evidência de que certas experiências de cunho religioso podem ser simuladas em laboratório. Isso não quer dizer, porém, que elas sejam fruto do cérebro. A experiência mística é algo que vem de dentro. E só o ser humano pode ter essa experiência divina. Só ele possui as estruturas cerebrais capazes de processá-la.

Revista – De que maneira os conhecimentos da neuroteologia podem melhorar
o atendimento ao paciente?
Marino Jr. – Pode-se usá-los em favor do doente. É como ajudá-lo a usar uma fonte de benefícios que ele tem em si próprio, mas que muitos desconhecem.

Revista – Quais são esses benefícios?
Marino Jr. – A vivência da espiritualidade ajuda no bom funcionamento do organismo. As pessoas que têm fé se recuperam melhor de tratamentos de doenças crônicas, por exemplo.

Revista – No livro, o sr. afirma que a intuição é uma ferramenta que desprezamos cada vez mais. Como usá-la melhor?
Marino Jr. – Uma das maneiras é aprender a fazer silêncio para ouvir a sua voz. Ela não é alta e clara, dizendo faça isso ou aquilo. É um sopro, um sentimento, uma certeza. Isso depende de prática, de meditação, oração ou como você quiser chamar esses momentos em que a pessoa se desliga da corrente dos acontecimentos e entra em contato consigo e com Deus.

Por Cilene Pereira e Monica Tarantino

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Caminho


O que é o Caminho?

No primeiro capitulo do livro “O Caminho da Autotransformação” o Guia nos coloca uma primeira e vasta gama de conceitos, fornecendo sua preciosa definição de “Caminho”.

Sugere que existem níveis de realidade ainda a serem explorados e diferentes formas de empreender a caminhada devido à unicidade de cada ser humano em sua jornada evolutiva, mesmo que em sua essência o Caminho fundamentalmente seja sempre o mesmo.

Colocando em seguida para todos a postura confiante ao se entregar para esta energia de busca e sem forçar conclusões superficiais baseadas na teoria, lembrando que cada ser humano existe em profundidade tão grande e sobre a qual pode não ter consciência.


Nestes níveis até agora inexplorados todos possuímos os meios de transcender as fronteiras de nossa personalidade, acessando outros reinos e entidades que nos proporcionarão um conhecimento maior e mais profundo.

Como primeiro passo é essencial lidar com nossas confusões, com as atitudes destrutivas, os mal entendidos, as emoções negativas, os sentimentos paralisados, as defesas alienantes... e o Guia nos confirma que o Caminho começa de fato onde esta fase crucial termina.


Esta primeira parte do trabalho só terá sucesso caso o contato com o nosso Ser Espiritual seja regularmente cultivado e utilizado.

A segunda e mais importante fase consiste em aprender como ativar a consciência superior inerente a cada alma humana. Quanto antes voce descobrir a infinita fonte interna de sabedoria, tanto mais fácil e rápido poderá deixar para trás todas as obstruções.

Vale lembrar que não estamos lidando com uma pratica que consista em exclusivamente querer atingir uma consciência espiritual superior, assim como muitas disciplinas espirituais que não focam aquelas áreas do ego perdidas na negatividade e destrutividade.


É comum que muitos seres humanos, evitando propositadamente lidar com determinadas partes deles mesmos, muitas vezes encontrem refugio em disciplinas ou atalhos que permitem evitar este encontro consigo mesmo. Os dois extremos são: 

  • a ilusão de evitar o que está no nosso profundo, 
  • e o que nega ou teme o que existe em você.
Qualquer seu aspecto interior problemático pode ser transformado, não interessa o quanto destrutivo este possa ser.

Recapitulando, o caminho não é Psicoterapia e nem jornada espiritual no sentido comum da palavra e, ao mesmo tempo, é ambos. O aspecto psicológico é lateral, representando mais uma via para superar obstáculos.

Três pontos importantes:


- Primeiro, o entendimento e a verdadeira iluminação virão ao descer em sua próprias profundezas e ao experimentar a própria riqueza interior em conexão com o Universo.


- Segundo, entrando no Caminho você não inicia uma terapia. Você embarca para uma viagem que o levará no novo território de seu universo interior, lembrando que a finalidade do caminho não é a de simplesmente cura-lo de uma doença mental ou emocional, mesmo que isso seja conseguido muito bem caso você faça o trabalho exigido corretamente.


- Terceiro, este Caminho deverá focar todos os aspectos da personalidade, incluindo os de que menos gostamos, pois somente quando fazemos isso podemos finalmente nos amar. Somente assim podemos encontrar nossa essência e o nosso verdadeiro Deus que existe em nós.

Toda confusão e contradição aparente vem da consciência de dualidade que permeia neste estagio a mente humana, o ambos/ou, bom ou ruim, certo ou errado, preto ou branco.


O caminho da dualidade é um caminho correto somente em parte, podendo nos fazer perceber somente fragmentos de realidade, sendo que a verdade plena nunca pode ser encontrada nesta lógica dualista. Tem uma voz interior nos dizendo que tem muito, muito mais em nossa vida e em você que você possa ter experimentado até aqui... mas como encontrar clareza sobre o que é real e o que é falso neste seu propósito?

O desejo é falso quando sua personalidade deseja amor e felicidade - ou prazer e expansão criativa - sem pagar o preço da mais completa e honesta auto-confrontação.


É falso também quando você não assume a responsabilidade pelo seu estado atual, culpando os outros de algum modo. Como o que é bom sempre vem de dentro, poderá também estar colocando a recompensa pela sua transformação no lado de fora, novamente, se frustrando por consequência e mantendo ainda o apego a padrões frustrantes e destrutivos.

A pista para a realização deve estar em voce, buscando com isenção e honestidade os nós que o impedem de ser pleno e realizado. Encontramos assim as razões de estar atraindo determinadas situações de sofrimento, somente quando deixarmos de lutar e permitimos que a intuição se manifeste operando em todos os seus níveis de manifestação, trazendo criatividade, estímulo, alegria e paz em nosso dia-a-dia.

Compreendemos aos poucos que é possível encontrar o estado de felicidade no viver diário, transmutando antes todos os conteúdos negativos e traumáticos de nossa mente. O “efeito colateral” desta transmutação será um estado crescente de alegria e harmonia.

De que maneira encontrar seu eu verdadeiro nesta jornada em território desconhecido?


Utilizando o instrumento da atenção focada nas suas áreas negativas, destrutivas e mal compreendidas; começando finalmente a desfrutar de uma inabalável certeza interior.


Somente enfrentando nosso conteúdo interior por inteiro, chegaremos a nos amar de verdade e a descobrir nosso Eu divino.


Se esse desafio é tarefa fácil, partindo de início de uma mente ainda limitada? ...é claro que não! Exige esforço e disponibilidade em aceitar novas possibilidades e alternativas para a nossa expansão na vida, mas seguramente o desafio estimula e por fim compensa todas as dificuldades em enfrentar as nossas áreas de sombra, fazendo assim de nossa vida algo pleno, excitante e verdadeiro.

As poucas regras do caminho pedem que você seja íntegro e leal com seu eu, que experimente toda sua vulnerabilidade e que retire todas suas máscaras e dissimulações, e, então, a partir deste entendimento, tudo se tornará propício, natural e suave.

A postura com a qual encaramos o Caminho irá depender do ponto de vista de sua experimentação, que poderá ser a partir de um lado positivo ou negativo, mesmo que estas polaridades representem a mesma (e única) corrente de energia. A busca da honestidade em todos os níveis, mesmo os mais sutis, deve ser integral e permanente.

O Guia fala também neste capitulo sobre as imagens mentais que constituem nossos “códigos de conteúdos” inconscientes, e que ficam impressas de forma profunda em nossa psique podendo - ao ser lidas e interpretadas - contar nossas estórias de desarmonias, bloqueios e traumas que podem ter sido causados por falsas crenças e percepções distorcidas da realidade em qualquer época de nossa vida (ou vidas).

Através dos exercícios específicos de cada capitulo, os conteúdos podem ser reprogramados por cada usuário em sua busca do autoconhecimento e da sua realização plena como ser total. O conteúdo emocional individual desta e de outras vidas, que em muitos casos fica como que comprimido dentro do nosso inconsciente, gera uma pressão constante que pode se manifestar em inúmeras desarmonias para o indivíduo e, ao se confrontar os velhos (e cristalizados) padrões com os novos padrões de realidade criados pelo conhecimento emocional atualizado e em alguns casos já livre de preconceitos e crenças limitadoras...


Recomendamos que faça por uma semana ao acordar o exercício deste primeiro capitulo: “O inicio de uma vida nova”. (Que se encontra no final deste texto). Novas percepções e conceitos de renovação e harmonização estarão atuando positivamente em seu ser.

Um auto-exame de nosso estado atual poderá ser levado a cabo nos fazendo perguntas simples e esclarecedoras sobre como estamos levando nossa vida, se de forma compensadora e produtiva, se nos sentimos realmente à vontade com outras pessoas de nosso convívio... Precisamos perceber se existe tensão, ansiedade, angústia e solidão. O Caminho bem trilhado levará em conta o ponto de partida, lembrando os estados iniciais, avaliados de forma honesta, completa e humilde, de forma que os resultados conquistados na evolução espiritual possam ser percebidos e comparados de forma absolutamente simples e clara.

Quando finalmente operamos a partir de nosso centro, e não mais buscando a aprovação dos outros, ou as crenças limitadoras e controladoras exteriores, estamos finalmente fazendo desabrochar nossa parte mais profunda, criativa, poderosa. Nossa essência representará finalmente nossa capacidade inata de gerar o fluxo abundante e merecido da vida que nos é reservado em nossa preciosa e única missão de vida.

No caminho serão fornecidas as ferramentas e os instrumentos para finalmente chegar nesta essência central que está e sempre esteve à espera de ser finalmente descoberta, permitindo merecidamente viver a harmonia total em nossa vida, sem mais fugir ao encarar nossos cantos sombrios, estando finalmente aptos a nos relacionar com todos os aspectos de nossa alma e a reconhecer o poder da cadeia de acontecimentos que brota de nossos pensamentos e opiniões, gerando sentimentos, emoções e comportamentos que constituem afinal a complexa e interligada teia da vida.

O Guia se concentra sobre o medo, dizendo tratar-se de algo que, quando por fim experimentado, pode levar a um estado mais profundo de realidade, representando o medo, a negação de vários sentimentos que, ao serem finalmente vivenciados e confrontados, permitem que o bloqueio se dissolva. O medo nos afasta da vida plena e impede nosso desenvolvimento até que consigamos assumir nossa responsabilidade pelos nosso sentimentos e os acontecimentos que atuam em nosso campo, deixando finalmente de responsabilizar os outros.


Somente desta forma nosso eu espiritual poderá emergir, transformando as distorções em  energia primordial pura e atuante. Consciência e energia retornarão em sua ação criativa e positiva somente quando nossa intenção e nosso conhecimento da Luz estiverem novamente positivos e focados.

Nosso centro divino, nossa essência espiritual contém tudo de que precisamos para cumprir a missão que nos foi confiada, sendo assim, cada um de nós - a expressão de tudo que existe-, que o Guia coloca como “Todo-Consciência”, busca este centro deixando a vaidade e as demais ilusões de lado como condição fundamental, passando obrigatoriamente pela escuridão das próprias camadas profundas para de deparar com a luz.

A meditação e a visualização criativa serão instrumentos importantes nesta busca e sua frase para reflexão: "O portal da consciência está em você, abra-o com amor e percorra o caminho de volta para casa".

O caminho estará se abrindo pra você após os passos iniciais fazendo com que finalmente o seu interior lhe permita experimentar, talvez pela primeira vez na vida, seu maravilhoso e inesgotável potencial de ser, de atuar em níveis superiores de consciência, descobrindo de forma irreversível sua própria divindade.

Se você está disposto a livrar-se de medos, condicionamentos, a aceitar sua responsabilidade plena sem mais depender dos outros para a sua realização, e com certeza receberá do Universo todo o apoio e carinho na realização desta missão especial, amorosa e solidária.


Vamos começar?

Exercício de Imagens Mentais: O inicio de uma vida nova.

Sente num ambiente calmo e tranquilo. 
Os pés devem estar firmes no chão, as mãos colocadas sobre as pernas e os olhos fechados do começo ao fim. 
Antes é preciso respirar até conseguir um estado de tranquilidade e depois desta tranquilização leve sua atenção para a intenção deste exercício:


Veja, sinta, perceba ou imagine que uma cortina se abre à sua frente e você avista um caminho. Este caminho está nublado.
Imagine que em sua mão direita você tem um aspirador que retira esta neblina e que o caminho está clareado.
Comece a andar por este caminho e encontre um grande buraco.
Este buraco representa seus medos e apegos.
Encha este buraco de pedras e cimento até que você possa passar.
Deixando os medos e o vazio para trás, continue a viagem e aviste o rio.
Agora, do outro lado do rio aviste seu Ser Espiritual perfeito.
Crie uma ponte e atravesse seu rio.
Caia nos braços seguros de seu Ser Interior.

Respire e abra os olhos


Fazer por 7 dias ao acordar.


Por Izabel Telles