Mostrando postagens com marcador Goethe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Goethe. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 22 de junho de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
sábado, 10 de dezembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
Teoria das Cores de Goethe
O interesse de Johann Wolfgang von Goethe pelas cores foi instigado pela natureza ótica do fenômeno e pela tradição colorística das pinturas da Renascença com as quais teve contato em sua primeira viagem à Itália entre os anos de 1786 e 1788.
A Teoria das Cores (Zur Farbenlehre) de Goethe foi originalmente publicada em 1810. Com seu tratado sobre as cores de 1400 páginas, Goethe reformulou a teoria das cores de uma maneira inteiramente nova, sendo o primeiro a ousar confrontar as idéias de Newton sobre luz e cor. Newton via as cores como um fenômeno puramente físico, envolvendo a luz que atinge objetos e penetra nossos olhos.
Goethe concebeu a ideia de que as sensações de cores que surgem em nossa mente são também moldadas pela nossa percepção – pelos mecanismos da visão e pela maneira como nosso cérebro processa tais informações.
O trabalho de Goethe continuou a fascinar cientistas por muitos anos, dentre eles podemos destacar grandes nomes como Hermann von Helmholtz, Werner Heisenberg, Walter Heitler e Carl Friedrich von Weizsäcker.
Recentemente, o teórico do Caos, Mitchell Feigenbaum, consultando o trabalho de Goethe, surpreendeu-se ao descobrir que “Goethe já tinha realizado um extraordinário conjunto de experimentos investigando as cores” e estava correto em suas observações.
Para sustentar a sua visão na qual as principais característica das cores são a simetria e a complementaridade, Goethe propôs modificar o círculo de Newton que possuia sete cores sustentadas sob ângulos desiguais. Cria um círculo simétrico, onde as cores complementares localizam-se em posições diametralmente opostas no círculo.
Epígrafe utilizada na introdução da Teoria das Cores de Goethe. “Se nossas coisas são verdadeiras ou falsas, assim serão, ainda que a defendamos por toda a vida. Após nossa morte, as crianças, que agora brincam, serão nossos juízes.”
Para Newton, apenas as cores do espectro poderiam ser consideradas como fundamentais. Goethe, baseando-se em seus experimentos, conclui que cores, como o magenta, uma cor não espectral, possuem um importante papel para completar o círculo das cores, o que é sustentado até nos sistemas de cores mais modernos.
Artistas que lidavam com cores sentiram-se mais atraidos pela proposta de Goethe do que pela de Newton.
Um pintor fortemente influenciado pelas idéias de Goethe foi J. M. W. Turner (1775-1851), cuja pintura “Luz e Cor (Teoria de Goethe)” é exposta no ‘Tate Britain’ em Londres.
Teoria de Aristóteles
Os primeiros estudos sobre cores foram feitos na Grécia antiga por Aristóteles. Segundo ele as cores existiam na forma de raios enviados por Deus. Sua teoria não foi contestada até a Renascença quando sistemas de cores mais sofisticados foram desenvolvidos por Aguilonius e Sigfrid Forsius.
Para Aristóteles, as cores mais simples seriam aquelas dos elementos: terra, ar, fogo e água.
Sua visão era baseada na sua concepção de cor, na observação de que a luz do sol, ao atravessar ou refletir em um objeto, tem sua intensidade reduzida, escurece.
Através desse processo a cor seria produzida, ou seja, a cor seria derivada de uma transição do claro para o escuro, ou ainda, de outra forma, Aristóteles as via como uma mistura, uma composição, uma sobreposição de preto e branco.
Essa visão, que permaneceu até a época de Newton (1642 a 1727), tem a luz do sol como luz pura e portanto sem cor, a cor deve ser algum tipo de constituinte permitindo objetos e meios serem opacos ou transparentes, sendo capazes de degradar a pureza da luz incidente.
Algumas dúvidas com relação à teoria de Aristóteles começaram a ser levantadas no inicio do século XVII devido à descoberta das cores interferentes – cores de películas muito finas, tais como uma bolha de sabão – que mudam drasticamente conforme o ângulo de observação. Essas películas pareciam possuir todas as cores em si ao mesmo tempo e degradar a luz solar incidente de diferentes maneiras dependendo do ângulo de observação.
Leonardo da Vinci, como Aristóteles, acreditava que as cores são propriedade dos objetos. Em seu tratado sobre pintura escreveu: “A primeira de todas as cores simples é o branco, embora os filósofos não irão aceitar tanto branco como preto como cores porque branco é a causa ou receptor de todas as cores, e o preto é a privação total delas. Mas como os pintores não podem ficar sem ambas, as colocaremos dentre as demais. (...) Podemos colocar o branco como representante da luz sem o qual nenhuma cor pode ser vista, amarelo para a terra, verde para água, azul para o ar, vermelho para o fogo e preto para a escuridão.”
A maior dificuldade com a abordagem da percepção proposta por Aristóteles é a afirmação de que as faculdades sensoriais relevantes dos sentidos tornam-se semelhantes aos objetos a que percebem. “O conhecimento sensível, a sensação, pressupõem um fato físico, a saber, a ação do objeto sensível sobre o órgão que sente, imediata ou à distância, através do movimento de um meio. Mas o fato físico transforma-se num fato psíquico, isto é, na sensação propriamente dita, em virtude da específica faculdade e atividade sensitivas da alma. O sentido recebe as qualidades materiais sem a matéria delas, como a cera recebe a impressão do selo sem a sua matéria. A sensação embora limitada é objetiva, sempre verdadeira com respeito ao próprio objeto; a falsidade, ou a possibilidade da falsidade, começa com a síntese, com o juízo. O sensível próprio é percebido por um só sentido, isto é, as sensações específicas são percebidas, respectivamente, pelos vários sentidos; o sensível comum, as qualidades gerais das coisas tamanho, figura, repouso, movimento, etc. são percebidas por mais sentidos. O senso comum é uma faculdade interna, tendo a função de coordenar, unificar as várias sensações isoladas, que a ele confluem, e se tornam, por isso, representações, percepções.”
Teoria de Newton
O conhecimento atual sobre luz e cor iniciou-se com os trabalhos de Isaac Newton (1642-1726), uma série de experimentos cujos resultados foram publicados na chamada “Nova Teoria da Luz e Cores”, em 1672, numa carta formal à Royal Society of London. O principal experimento realizado consistiu em dispor um prisma próximo a sua janela, projetando um espectro, criado pela refração de um raio circular de luz branca, em uma parede, mostrando as cores componentes:
vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.
Principiando pela observação de que a imagem criada não era circular, como o raio original, Newton inferiu os princípios de sua nova teoria: a luz solar seria formada de uma mistura de raios de diferentes “refratabilidade”.
Para mostrar que o prisma não estava colorindo a luz, a luz refratada foi colimada novamente, obtendo assim o branco.
Os artistas ficaram fascinados com a demonstração de Newton de que apenas a luz seria a responsável pela cor e criaram uma disposição das cores em círculo de conceitos, permitindo dispor as cores primárias (vermelho, amarelo, azul) em posições diametralmente opostas às suas complementares (por exemplo, o vermelho ficaria em oposição ao verde), de maneira a mostrar que as cores complementares ficariam opostas umas às outras através de um efeito de contraste óptico.
Newton foi o primeiro a organizar as cores em um círculo. Seu círculo possuía sete cores principais que estava relacionadas aos sete planetas e às sete notas musicais da escala diatônica: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil, violeta. A teoria das três cores primárias: vermelho, amarelo e azul foi proposta originalmente um século depois pelo francês Jean C. Le Bon, sobre a qual foi publicado um tratado de mistura de pigmentos. Essa teoria tornou-se a partir de então a base para qualquer trabalho envolvendo pigmentos coloridos.
Teoria de Goethe
Goethe defende que o olhar é sempre crítico. Apenas olhar não seria um estímulo, um estímulo é uma experiência que vai além do simples observar, cria um vínculo teórico e leva o observador a tirar suas próprias conclusões.
Jedes Ansehen geht ¨uber in ein Betrachten, jedes Betrachten in ein Sinnen, jedes Sinnen in ein Verkn¨upfen, und so kann man sagen, daß wir schon bei jedem aufmerksamen Blick in die Welt theoretisieren. Dieses aber mit Bewußtsein, mit Selbstkenntnis, mit Freiheit, und um uns eines gewagten Wortes zu bedienen, mit Ironie zu tunund vorzunehmen, eine solche Gewandtheit ist n¨otig, wenn die Abstraktion, vor der wir uns f¨urchten, unsch¨adlich und das Erfahrungsresultat, das wir hoffen, recht lebendig und n¨utzlich werden soll. (Zur Farbenlehre. Didaktischer Teil - Vorwort - Goethe)
Cada olhar envolve uma observação, cada observação uma reflexão, cada reflexão uma síntese: ao olharmos atentamente para o mundo já estamos teorizando. Devemos, porém, teorizar e proceder com consciência, autoconhecimento, liberdade e – se for preciso usar uma palavra audaciosa – com ironia: tal destreza é indispensável para que a abstração, que receiamos, não seja prejudicial, e o resultado empírico, que desejamos, nos seja útil e vital. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores - Goethe (tradução de Marco Giannotti)
Para Goethe a sensibilidade não é apenas receptividade, mas também impulsividade.
As cores devem ser interpretadas duplamente como Leiden (paixão) e como Tat (ação) da luz.
Die Farben sind Taten des Lichts, Taten und Leiden. In diesem Sinne k¨onnen wir von denselben Aufschl¨usse ¨uber das Licht erwarten. Farben und Licht stehen zwar untereinander in dem genausten
Verh¨altnis, aber wir m¨ussen uns beide als der ganzen Natur angehorig denken: denn sie ist es ganz, die sich dadurch dem Sinne des Auges besonders offenbaren will.(Zur Farbenlehre. Didaktischer Teil - Vorwort - Goethe)
As cores são ações e paixões da luz. Nesse sentido, podemos esperar delas alguma indicação sobre a luz. Na verdade, luz e cores se relacionam perfeitamente, embora devamos pensá-las como pertencendo à natureza em seu todo: é ela inteira que assim quer se revelar ao sentido da visão. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores - Goethe (tradução de Marco Giannotti)
A natureza é algo construído pelos nossos olhos, e que existe apenas quando se revela aos sentidos.
“As leis naturais são feitas e relacionadas umas com as outras como se a Faculdade de Julgar as houvesse produzido para o seu próprio uso.”
A cor não é apenas a luz, mas também a impulsividade que nasce na paixão, no olhar como forma de criar a natureza.
A luz não só está dentro de cada um, como acaba se identificando com o próprio sujeito.
Nesse ponto, Goethe parece se aproximar da obra de Kant. Em sua Crítica do Juízo a natureza é colocada de forma “estetizada”, pois o homem julga a natureza da mesma maneira que interpreta uma obra de arte.
O estilo dessa obra de Goethe é alternadamente um discurso rigorosamente científico ou um discurso poético, sendo as vezes chamado de uma literatura científica. Por um lado a obra mostra-se como um relato de um escritor versátil, poeta ábil e investigador da natureza, herdeiro do Aufklarung, por outro é um relato tortuoso, fruto de uma longa investigação que perdurou por mais de vinte anos e que jamais pareceu estar concluída sendo chamada de ein Entwurf (um esboço).
O trabalho de Goethe é uma tentativa de ordenar e combinar os fenômenos cromáticos para entender os princípios que os regem e como essa ordenação nos leva a uma diferenciação em termos de estética.
Die Lust zum Wissen wird bei dem Menschen zuerst dadurch angeregt, daß er bedeutende Ph¨anomene gewahr wird, die seine Aufmerksamkeit an sich ziehen. Damit nun diese dauernd bleibe, so muß sich eine innigere Teilnahme finden, die uns nach und nach mit den Gegenst¨anden bekannter macht. Alsdann bemerken wir erst eine große Mannigfaltigkeit, die uns als Menge entgegendringt. Wir sind gen¨otigt zu sondern, zu unterscheiden und wieder zusammenzustellen, wodurch zuletzt eine Ordnung entsteht, die sich mit mehr oder weniger Zufriedenheit ¨ubersehen l¨aßt. (Zur Farbenlehre. Didaktischer Teil - Einleitung - Goethe)
O homem só é levado ao desejo de conhecer se fenômenos notáveis lhe chamam a atenção. Para que esta perdure, é preciso haver um interesse mais profundo, que nos aproxime cada vez mais dos objetos. Observamos então uma grande diversidade diante de nós. Somos obrigados a separá-la, distingui-la e recompô-la, daí resultando uma ordenação que pode ser apreciada com maior ou menor satisfação. (Doutrina das Cores. Esbo¸co de uma Doutrina das Cores - Introdução- Goethe (tradução de Marco Giannotti)
Os estímulos incidentes são primeiramente analisados, e assim separando, decompondo a multitude do mundo que observamos. Após esse processo de desagregação inicia-se a etapa de síntese, montagem, através da qual extraímos informações, características e significados, tornando possível a memorização, a comparação e a apreciação.
A natureza se revela ao sentido da visão através da luz e das cores e assim é possível distinguir um objeto de outro, ou as várias partes de um objeto. O mundo visível é re-construído, e cria-se uma dissociação entre o queé e o que aparenta ser. Goethe retoma, nesse ponto, a idéia de Kepler 3, quem define o olho humano como um produtor mecânico de pinturas, definindo o “ver” como “pintar”, e a pintura como formativa de imagem retiniana não-linear. Kepler foi o primeiro a separar o problema físico da formação das imagens retinianas (o mundo visto) dos problemas psicológicos da percepção (o mundo percebido).
Iluminismo
Kepler foi uma figura marcante na revolução científica. Nascido na Alemanha, tornou-se astrônomo, matemático e astrólogo. É mais conhecido pelas suas leis de movimentação dos planetas. As vezes é referenciado como o primeiro astrofísico teórico, embora Carl Sagan prefira chamá-lo de o último astrólogo cientista.
Und so erbauen wir aus diesen dreien die sichtbare Welt und machendadurch zugleich die Malerei m¨oglich, welche auf der Tafel eine weit vollkommner sichtbare Welt, als die wirkliche sein kann, hervorzubringen vermag. (Zur Farbenlehre. Didaktischer Teil - Einleitung - Goethe)
E assim construímos o mundo visível a partir do claro, do escuro e da cor, e com eles também tornamos possível a pintura, que é capaz de produzir, no plano, um mundo visível muito mais perfeito que o mundo real.(Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores - Introdução- Goethe (tradução de Marco Giannotti)
Goethe estava convencido de que a totalidade da natureza se revela, como através de um espelho, ao sentido da visão, através da dialética entre dividir e fundir, intensificar e neutralizar. É pois através da oposição e da transposição para o mundo da percepção que nascem os conceitos, e resulta assim a apreciação e cria-se a estética como objeto.
Die Farbe sei ein elementares Naturph¨anomen f¨ur den Sinn des Auges, das sich, wie die ¨ubrigen alle, durch Trennung und Gegensatz, durch Mischung und Vereinigung, durch Erh¨ohung und Neutralisation, durch Mitteilung und Verteilung und so weiter manifestiert und unter diesen allgemeinen Naturformeln am besten angeschaut und begriffen werden kann. (Zur Farbenlehre. Didaktischer Teil - Einleitung - Goethe)
(...) a cor é um fenômeno elementar da natureza para sentido da visão, que, como todos os demais, se manifesta ao se dividir e opor, se misturar e fundir, se intensificar e neutralizar, ser compartilhado e repartido, podendo ser mais bem intuído e concebido nessas fórmulas gerais da natureza. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores - Introdução - Goethe (tradução de Marco Giannotti)
“Para Goethe o princípio vital da natureza é, ao mesmo tempo, o da própria alma humana, ambas tendo a mesma igualdade de direitos, mas procedentes da unidade do ser, que, na diversidade de suas configurações, desenvolve a igualdade do princípio criador, de sorte que o homem pode encontrar em seu próprio coração todo o segredo do ser, e talvez também a solução.” (Simmel)
“Outro aspecto importante a ser mencionado é o fato de que a divergência de Goethe em relação a Newton não se reduz a uma disputa pessoal, pois acabou envolvendo uma polêmica entre o idealismo alemão e os físicos newtonianos. Na verdade, o que estava por trás dessa dissensão é o confronto de dois modos completamente distintos de pensar a natureza. O idealismo alemão recusa a ótica mecanicista, já que interpreta tanto a natureza quanto a arte a partir da idéia de organismo, de uma finalidade interna. A cor não pode ser simplesmente causada pela luz, devendo ser pensada na sua relação com o órgão específico.”(Marco Giannotti)
As três primeiras seções da obra de Goethe trata das cores sobre o ponto de vista fisiológico, físico e químico: Cores Fisiológicas (Physiologische Farben), Cores Físicas (Physische Farben) e Cores Químicas (Chemische Farben).
Wir betrachteten also die Farben zuerst, insofern sie dem Auge angeh¨oren und auf einer Wirkung und Gegenwirkung desselben beruhen; ferner zogen sie unsere Aufmerksamkeit an sich, indem wir sie an farblosen Mitteln oder durch deren Beih¨ulfe gewahrten; zuletzt aber wurden sie uns merkw¨urdig, indem wir sie als den Gegenst ¨anden angeh¨orig denken konnten. Die ersten nannten wir physiologische, die zweiten physische, die dritten chemische Farben. Jene sind unaufhaltsam fl¨uchtig, die andern vor¨ubergehend, aber allenfalls verweilend, die letzten festzuhalten bis zur sp¨atesten Dauer. (Zur Farbenlehre. Didaktischer Teil - Einleitung - Goethe)
Consideremos, em primeiro lugar, as cores na medida em que pertencem ao olho e dependem de sua capacidade de agir e reagir. Em seguida, despertam a atenção na medida em que as percebemos através dos meios incolores ou com o auxílio destes. Por fim, são dignas de nota na medida em que podemos pensá-las como fazendo parte do objeto. Chamamos as primeiras de fisiológicas, as segundas de físicas e as terceiras de químicas. As primeiras são constantemente fugidias, as segundas são passageiras, embora tenham uma certa permanência. As últimas têm longa duração. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores - Introdução - Goethe (tradução de Marco Giannotti)
A quarta seção é uma perspectiva geral das relações internas sendo abordados os aspectos do surgimento e determinação das cores. Segundo Goethe, um jogo de cores é criado pela incidência da luz sobre a retina, o que é uma reação legítima devido à sensibilidade do olho à luz. As cores podem ser determinadas pela oposição, polaridade entre azul e amarelo; ação e privação; luz e sombra; força e fraqueza; claro e escuro; quente e frio; proximidade e distância; repulsão e atração; afinidade com ácidos e afinidade com álcalis.
In dieser stetigen Reihe haben wir, soviel es m¨oglich sein wollte, die Erscheinungen zu bestimmen, zu sondern, und zu ordnen gesucht. Jetzt, da wir nicht mehr f¨urchten, sie zu vermischen oder zu verwirren, k¨onnen wir unternehmen, erstlich das Allgemeine, was sich von diesen Erscheinungen innerhalb des geschlossenen Kreises pr¨adizieren l¨aßt, anzugeben, zweitens, anzudeuten, wie sich dieser besondre Kreis an die ¨ubrigen Glieder verwandter Naturerscheinungen anschließt und sich mit ihnen verkettet. (Zur Farbenlehre. Vierte Abteilung - Allgemeine Ansichten nach Innen - Goethe)
Na medida do possível, procuramos determinar, separar e ordenar os fenômenos segundo essa série contínua. Já que agora não tememos misturá-los ou confundi-los, podemos empreender em primeiro lugar a tarefa de julgar, no círculo, o que é universal nos fenômenos, para em seguida apontar como esse círculo particular se encadeia e se une ao resto dos fenômenos naturais afins. (Doutrina das Cores. Quarta Seção - Goethe (tradução de Marco Giannotti)
Na quinta seção Goethe analisa as diferentes relações que a cor estabelece com as mais diversas disciplinas: Filosofia, Matemática, Técnica de Tingir, Fisiologia e Patologia, História Natural, Física Geral, Música, Linguagem e Terminologia.
Daß ein gewisses Verh¨altnis der Farbe zum Ton stattfinde, hat man von jeher gef¨uhlt, wie die ¨oftern Vergleichungen, welche teils vor¨ubergehend, teils umst¨andlich genug angestellt worden, beweisen. Der Fehler, den man hiebei begangen, beruhet nur auf folgendem. Vergleichen lassen sich Farbe und Ton untereinander auf keine Weise, aber beide lassen sich auf eine h¨ohere Formel beziehen, aus einer h¨ohern Formel beide, jedoch jedes f¨ur sich, ableiten. Wie zwei Fl¨usse, die auf einem Berge entspringen, aber unter ganz verschiedenen Bedingungen in zwei ganz entgegengesetzte Weltgegenden laufen, so daß auf dem beiderseitigen ganzen Wege keine einzelne Stelle der andern verglichen werden kann, so sind auch Farbe und Ton. Beide sind allgemeine elementare Wirkungen nach dem allgemeinen Gesetz des Trennens und Zusammenstrebens, des Auf- und Abschwankens, des Hinund Wiederw¨agens wirkend, doch nach ganz verschiedenen Seiten, auf verschiedene Weise, auf verschiedene Zwischenelemente, f¨ur verschiedene Sinne. M¨ochte jemand die Art und Weise, wie wir die Farbenlehre an die allgemeine Naturlehre angekn¨upft, recht fassen und dasjenige, was uns entgangen und abgegangen, durch Gl¨uck und Genialit¨at ersetzen,so w¨urde die Tonlehre nach unserer ¨ Uberzeugung an die allgemeine Physik vollkommen anzuschließen sein, da sie jetzt innerhalb derselben gleichsam nur historisch abgesondert steht. Aber eben darin l¨age die gr¨oßte Schwierigkeit, die f¨ur uns gewordene positive, auf seltsamen empirischen, zuf¨alligen, mathematischen,¨asthetischen, genialischen Wegen entsprungene Musik zugunsteneiner physikalischen Behandlung zu zerst¨oren und in ihre ersten physischen Elemente aufzul¨osen. Vielleicht w¨are auch hierzu auf dem Punkte, wo Wissenschaft und Kunst sich befinden, nach so manchen sch¨onen Vorarbeiten Zeit und Gelegenheit. (Zur Farbenlehre. Vierte Abteilung - Allgemeine Ansichten nach Innen - Goethe)
Sempre se percebeu que existe certa relação entre cor e som, como demonstram as frequentes comparações, por vezes passageiras, por vezes suficientemente pormenorizadas. O erro nelas cometido se deve ao seguinte: Cor e som de maneira alguma podem ser comparados, embora ambos remetam a uma fórmula superior, a partir da qual é possível deduzir cada um deles. Ambos são como dois rios que nascem na mesma montanha, mas devido a circunstâncias diversas correm sobre regiões opostas, de modo que em todo o percurso não há nenhum ponto em que possam ser comparados. Ambos são efeitos gerais e elementares segundo a lei universal que tende a separar e unir, oscilar, pesando ora de um lado, ora de outro lado da balança, mas conforme aspectos, maneiras, elementos intermediários e sentidos completamente distintos. (Doutrina das Cores. Quinta Seção - Goethe (tradução de Marco Giannotti)
Na última seção Goethe discorre a cerca dos efeitos sensíveis, morais e estéticos que surgem. Para cada cor, para cada tonalidade de uma cor, Goethe analisa suas características e os seus efeitos sobre nossos olhos. Estabelece relações de harmonia, totalidade e complementaridade entre as cores do círculo cromático.
Hier liegt also das Grundgesetz aller Harmonie der Farben, wovon sich jeder durch eigene Erfahrung ¨uberzeugen kann, indem er sich mit den Versuchen, die wir in der Abteilung der physiologischen Farben angezeigt, genau bekannt macht. Wird nun die Farbentotalit¨at von außen dem Auge als Objekt gebracht, so ist sie ihm erfreulich, weil ihm die Summe seiner eignen T¨atigkeit als Realit¨at entgegen kommt. Es sei also zuerst von diesen harmonischen Zusammenstellungen die Rede. (Zur Farbenlehre. Sechste Abteilung - Totalit¨at und Harmonie - Goethe)
Aqui reside a lei fundamental de toda harmonia cromática, a respeito da qual qualquer um poderá se convencer por experiência própria, ao travar conhecimento dos experimentos descritos na seção das cores fisiológicas.
Se a totalidade cromática se apresenta exteriormente ao olho como objeto, torna-se agradável para ele, pois o resultado de sua própria atividade lhe parece como realidade. Trataremos em primeiro lugar dessas composiçõees harmônicas. (Doutrina das Cores. Sexta Seção - Totalidade e Harmonia - Goethe (tradução de Marco Giannotti)
Por Leonardo Carneiro de Araújo
Teria das Cores de Goethe
segunda-feira, 11 de abril de 2011
As cores do Arco-Íris
A teoria das cores, que sustenta o sistema Aura-Soma, é a teoria do poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, que por sua vez, teve como base o trabalho do filósofo e naturalista grego Aristóteles (384-322 a.C.). Goethe no seu livro, reconhece que devia esse conhecimento aos filósofos gregos do início da nossa era.
De acordo com a teoria de Goethe, as cores azul, vermelha e amarelo se localizam em pontos opostos a uma cor complementar que representa uma combinação das outras duas.
Por exemplo, em oposição à cor azul, está o laranja que é a combinação do amarelo e do vermelho. Oposto ao vermelho está o verde que é uma combinação do azul com o amarelo. Oposto ao amarelo está o violeta, que surge da combinação do azul com o vermelho.
Podemos observar esta disposição de cores primárias e secundárias na forma de uma rosácea, onde na parte externa temos as cores primárias e secundárias e no interior surge uma roseta com as cores terciárias, que são criadas pela combinação das cores secundárias e as primárias.
Na roseta interior obtemos a cor coral como combinação do laranja e o vermelho. Em oposição ao coral, temos o turquesa que surge do azul e o verde. O azul royal surge entre o azul e o violeta, em oposição ao ouro, que surge entre o amarelo e o laranja. Entre o verde e o amarelo surge o verde oliva e seu complementar o magenta, como combinação do vermelho e o violeta, completando assim, as cores terciárias.
No centro da rosácea ainda temos as cores quaternárias que surgem das terciárias com adição de luz, convergindo no centro, na cor branca.
Vemos abaixo, alguns tópicos do que representam as cores, seguindo a ordem da rosácea das cores.
Vermelho:
A força da vida
Paixão
Energia básica para o amor
Aterramento
Sobrevivência
Praticidade
Abundância
Energia
Coragem
Proteção por isolamento
Proteção contra energias telúricas.
Desafio: Ira, Frustração, Ressentimento, Dificuldades com o lado material da vida, Agressão, Sacrifício.
Azul:
Proteção
Força criadora da Mãe
Paz mental
Comunicação
Comunicação clara
Mente calma
Segurança
Proteção espiritual
Força de vontade
Liderança
Autoridade
Diplomacia.
Desafio: Dificuldades com o modelo masculino, com o pai, com autoridade, com Deus.
Amarelo:
Alegria
Assimilação
Individualidade
Conhecimento
Clareza mental.
Desafio: Medo, Ansiedade, Confusão mental, Insegurança, Controle e Manipulação, Egocentrismo, Indecisão, Ciúme, Falta de confiança, Depressão, Covardia.
Laranja:
Felicidade
Prazer
Êxtase
Independência
Paciência
Perseverança
Harmonia
Confiança
Beleza e Arte
Sensualidade
Sociabilidade.
Desafio: Dependência e co-dependência, Traumas, Violência, Estado de choque.
Verde:
Espaço
Direção
Propósito
Determinação
Verdade
Integridade
Crescimento
Prosperidade
Fertilidade
Nutrição
Equilíbrio
Cura
Regeneração
Habilidade para tomar decisões
Discernimento.
Desafio: Falta de espaço, Perda da esperança, Inveja, Ciúme.
Violeta:
Espiritualidade
Cura Espiritual
Contemplação
Equilíbrio entre o masculino e o feminino
Serviço
Idealismo
Transmutação cármica
Reconhecer a razão da vida: o Céu na Terra
União
Desafio: Tristeza, Fuga da realidade através da espiritualidade, Raiva escondida, Sofrimento, Dificuldades com a vida na matéria, Não querer/dificuldade em ficar aqui.
Por Rosa Maria Masino
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Quando uma criatura humana desperta...
desperta
para um grande sonho,
para um grande sonho,
e sobre ele lança
toda a força da sua alma,
todo o universo conspira a seu favor".
Goethe
domingo, 21 de novembro de 2010
O Pensamento Científico de Goethe
(A ser publicado pela revista Galileu provavelmente em outubro de 1999)
![]() |
| Goetheanum, Dornach, Suiça |
A natureza às vezes se excede.
E reúne, num só homem, uma quantidade de talento capaz de suprir um século inteiro.
Foi o que fez com alemão Johann Wolfgang Goethe (1749-1832).
É pelo valor de sua obra literária que o mundo comemora os 250 anos de seu nascimento.
De fato, com apenas 25 anos, a publicação do romance "Os sofrimentos do jovem Wether" já havia feito dele uma celebridade internacional.
A conclusão da primeira parte do Fausto, aos 41, consagrou seu nome como um dos maiores poetas e dramaturgos de todos os tempos.
O que raramente se diz é que, tanto quanto poeta, Goethe foi também um cientista.
E chegou a dar mais importância às suas investigações da natureza do que à criação literária.
Ele realizou pesquisas em campos tão variados como a óptica, a geologia, a mineralogia, a botânica e a zoologia.
Fez descobertas importantes, como a do osso intermaxilar no crânio humano.
E elaborou uma teoria das cores alternativa à do grande físico inglês Isaac Newton (1642-1727).
Mais significativa do que essas realizações isoladas, porém, foi sua visão da natureza.
Divergindo das idéias científicas da época, Goethe a concebeu como uma totalidade orgânica e viva, em profunda conexão com o mundo espiritual, e não um mecanismo frio e sem alma, constituído apenas por matéria em movimento.
Num momento em que a ciência busca novos paradigmas, é essa visão da natureza que torna o pensamento de Goethe tão atual.
Ela o levou a considerar o crânio como um desenvolvimento das vértebras.
E a ver todos os órgãos vegetais como metamorfoses do princípio espiritual expresso pela folha.
Essas concepções ousadas foram tratadas com incompreensão e desprezo pela corrente dominante na ciência.
E só foram resgatadas, quase um século mais tarde, graças ao trabalho de Rudolf Steiner (1861-1925), o criador da antroposofia.
Em 1882, com apenas 21 anos de idade, Steiner foi convidado a editar os escritos científicos de Goethe.
Ele os reuniu em cinco livros, que abordam uma grande variedade de temas.
As introduções que redigiu – de uma profundidade filosófica espantosa para um autor tão jovem – fazem aquilo que o próprio Goethe sempre evitou: pensar sobre o pensamento.
Elas explicitam uma visão de mundo que nos "escritos goetheanos" permanecem implícitos e nos permitem captar suas linhas mestras.
Em todos os domínios da realidade, Goethe trabalha com dois conceitos básicos:
a) arquétipo e
b) metamorfose.
São os arquétipos ou idéias universais que conferem coerência à natureza.
É a metamorfose desses princípios espirituais que produz a enorme variedade das formas individuais encontradas no mundo.
Vejamos como o próprio Goethe utiliza esses conceitos para estabelecer a relação entre o crânio e as vértebras.
"O cérebro representa somente uma massa da medula espinhal aperfeiçoada ao máximo grau", escreveu ele em 1789.
"Na medula terminam e começam os nervos que estão a serviço das funções orgânicas, ao passo que no cérebro terminam e começam os nervos que servem às funções superiores, principalmente os nervos dos sentidos.
No cérebro surge desenvolvido aquilo que está indicado como possibilidade na medula espinhal."
E continua:
"O cérebro é uma medula perfeitamente desenvolvida, ao passo que a medula espinhal é um cérebro que ainda não chegou ao pleno desenvolvimento.
Ora, as vértebras da coluna contornam como um molde as várias partes da medula, servindo-lhe como órgãos envoltórios.
Parece então altamente provável que, se o cérebro é uma medula espinhal elevada ao máximo grau, também os ossos que o envolvem sejam vértebras altamente desenvolvidas".
Em outras palavras, as diversas vértebras da coluna seriam manifestações de um princípio espiritual, de uma idéia arquetípica.
"De vértebra a vértebra, no sentido ascendente, esse mesmo princípio vai-se metamorfoseando, sendo representado por formas ósseas cada vez mais sutis.
Até chegar ao crânio, que seria a última metamorfose da idéia vértebra", explica o farmacêutico-bioquímico Flávio Ernesto Milanese, com estágio em ciência Goetheanística no Goetheanum, de Dornach, Suiça.
Essa maneira de ver o mundo apresenta enorme afinidade com o pensamento do filósofo grego Platão (427-347 a.C.) e de seus sucessores neoplatônicos (séculos 3 a 6 d.C.).
Mas Goethe não chegou a ela por meio da especulação filosófica, e sim através de uma observação muito atenta e sem preconceitos da natureza.
Mais do que em qualquer outro campo, foi na botânica que sua abordagem alcançou as melhores realizações.
Ele as expressou no texto "A metamorfose das plantas", publicado em 1790, o mesmo ano da primeira edição do Fausto.
A idéia começara a germinar em sua mente uma década e meia antes.
Pois foi por volta de 1776 que ele travou contato com a classificação dos vegetais realizada pelo naturalista sueco Carl von Linée, o célebre Lineu (1707-1778).
Esta baseava-se exclusivamente nas características exteriores, que diferenciam uma planta de outra, e não em qualquer princípio interno unificador.
Goethe não podia concordar com isso.
Ele intuia a existência de "algo" que fazia uma planta ser uma planta e estava presente em todas as plantas individuais.
Para captar esse "algo" era preciso observar a mesma planta sob as mais variadas condições e influências.
Sua famosa viagem à Itália, iniciada no dia 3 de setembro de 1786, permitiu-lhe estudar a flora dos Alpes e verificar as numerosas transformações provocadas pelos fatores geográficos em cada ente vegetal.
Ele observou como suas formas se modificavam à medida que subia a montanha.
E, em Veneza, perto do mar, constatou como seus aspectos eram alterado pelo solo e o ar salinos.
Ficou claro que a essência da planta não podia ser encontrada em suas características externas, sempre mutáveis, porém num nível mais profundo de realidade.
Seus sentidos estavam aguçadíssimos e sua inteligência parecia ter alcançado a potência máxima.
No jardim botânico de Pádua, em meio à vegetação exuberante, irrompeu finalmente em sua consciência o pensamento de que todas as formas vegetais poderiam ser desenvolvidas a partir de uma forma só.
Era a idéia da Urpflanze, ou seja, a planta primordial.
"Trata-se de uma realidade espiritual, arquetípica, que não pode ser alcançada pelos sentidos, nem sequer pela imaginação, mas apenas pelo pensamento abstrato", explica o geólogo Hendrik Ens, professor da Escola Waldorf Rudolf Steiner, de São Paulo.
Essa idéia universal pode sofrer um sem-número de transformações, dando origem à extrema variedade de entes vegetais.
Mas todas essas metamorfoses decorrem das leis formativas presentes na planta primordial.
Não são as influências exteriores que transformam esse arquétipo.
Elas apenas fazem com que suas forças plasmadoras internas se manifestem de um modo peculiar.
São essas forças – e somente elas – o princípio constitutivo da planta.
Ao conceber a Urpflanze – escreveu Rudolf Steiner – Goethe reproduziu mentalmente o trabalho que a natureza realiza ao formar seus seres.
Era preciso ser tão cientista quanto poeta para executar tal façanha.
No campo da anatomia comparada, a mais famosa descoberta de Goethe foi a do osso intermaxilar no ser humano.
Esse osso, no qual estão incrustados os dentes incisivos superiores, é bastante destacado nos demais mamíferos.
Mas, no homem, encontra-se de tal forma soldado ao maxilar que a diferenciação é praticamente impossível.
Goethe achava, porém, que ele tinha que existir.
"Isso fazia parte de sua concepção geral da natureza", explica Hendrik Ens.
"Ele considerava que havia, sim, uma diferença fundamental entre o homem e os animais superiores.
Mas essa diferença era de ordem anímica e espiritual."
Do ponto de vista da arquitetura do corpo físico, Goethe "acreditava numa linha de continuidade, que permitia apenas pequenas variações e especializações".
Essa opinião acabou se confirmando, quando, no crânio no um indivíduo doente, ele descobriu um exemplar do osso intermaxilar, que se apresentava bastante separado do próprio maxilar.
A Urpflanze, a planta arquetípica, é uma entidade espiritual, que não pode ser encontrada em nenhum lugar do mundo físico.
Mas manifesta-se parcialmente em cada planta individual.
Ela é constituída exclusivamente por folhas.
Pois, para Goethe, a planta é uma folha que está se transformando.
"Ele chegou a esse pensamento a partir do estudo dos vegetais superiores, porque, quanto mais evoluída a planta, mais completamente ela manifesta o seu princípio arquetípico", afirma Hendrik Ens.
Investigando as sementes das dicotiledônias, Goethe percebeu que, nelas, as folhas já estão presentes em potencial.
É o caso das sementes do feijão, que, ao brotarem, projetam duas folhas.
A partir daí, cada folha nova que nasce apresenta uma forma ligeiramente diferente da anterior.
É a metamorfose do princípio arquetípico, que dá origem aos diferentes órgãos da planta.
Texto de José Tadeu Arantes
(A ser publicado pela revista Galileu provavelmente em outubro de 1999)
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
No estudo da natureza... Goethe
"No estudo da natureza
deve-se considerar
cada coisa
isoladamente
assim como o todo.
Nada está dentro,
nada está fora;
porque o que está dentro
também está fora.
Assim,
vá em frente
e tente captar
o Sagrado Segredo
universalmente visível"
Goethe
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Cores / Teoria das Cores / Goethe
Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749 — Weimar, 22 de Março de 1832) foi um escritor alemão e pensador que também incursionou pelo campo da ciência.
Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.
Juntamente com Friedrich Schiller foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang.
De sua vasta produção fazem parte: romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais.
Além disso, sua correspondência epistolar com pensadores e personalidades da época é grande fonte de pesquisa e análise de seu pensamento.
Através do romance Os sofrimentos do jovem Werther, Goethe tornou-se famoso em toda a Europa no ano de 1774.
Mais tarde, com o amadurecimento de sua produção literária, e influenciado pelo também escritor alemão Friedrich Schiller, Goethe se tornou o mais importante autor do Classicismo de Weimar.
Goethe é até hoje considerado o mais importante escritor alemão, cuja obra influenciou a literatura de todo o mundo.
Vida / Origem
Johann Wolfgang von Goethe nasceu em 28 de agosto de 1749 em Frankfurt am Main, Alemanha.
Era o filho mais velho de Johann Caspar Goethe.
Homem culto, jurista que não exerceu a profissão, Caspar vivia dos rendimentos de sua fortuna.
A mãe de Goethe, Catharina Elisabeth Goethe (1731 –1808), procedia de uma família de poder econômico e posição social.
Casou-se aos 17 anos e teve outros filhos, dos quais apenas uma viera a chegar à idade adulta.
Educados, inicialmente, pelo próprio pai e, depois, por tutores contratados.
Goethe e a irmã receberam uma ampla educação que incluía o estudo de francês, inglês, italiano, latim. Grego, ciências, religião e desenho.
Goethe teve aulas de violoncelo e piano, além de dança e equitação.
O contato com a literatura se deu desde a infância, através das histórias contadas por sua mãe e da leitura da Bíblia.
À família pertencia uma biblioteca que continha mais de 2 mil volumes.
Juventude: Estudos e primeiras produções literárias
Por decisão de seu pai, Goethe iniciou os estudos na Faculdade de Direito de Leipzig em 1765, mostrando-se, porém, pouco interessado.
Goethe dedicou-se mais às aulas de desenho, xilogravura e gravura em metal, e aproveitava a vida longe da casa dos pais entre teatros e noites na boemia.
Acometido por uma doença, possivelmente tuberculose, voltou para a casa dos pais.
Em 1769 Goethe publicou sua primeira antologia, Neue Lieder.
Em 1768, retorna para Frankfurt a fim de recuperar a saúde debilitada.
Enquanto se recupera, dedica-se a leituras, experiências com alquimia e astrologia.
Nesse mesmo ano, Goethe escreve sua primeira comédia: Die Mitschuldigen.
Em abril de 1770 volta aos estudos de direito, agora em Estrasburgo, Alsácia, dessa vez mostrando-se mais interessado.
Durante esse período, conheceu Johann Gottfried Herder.
Teólogo e estudioso das artes e da literatura, Herder influenciou Goethe trazendo a ele leituras como Homero, Shakespeare e Ossian assim como o contato com a poesia popular (Volkspoesie).
Nesse período, Goethe escrevia poemas a Friederike Brion, com a qual mantinha um romance.
Esses, mais tarde, ficaram conhecidos como Sesenheimer Lieder.
Nelas já se expressa fortemente o início de uma nova produção literária lírica.
No verão de 1771, Goethe licencia-se na faculdade de direito.
Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto)
De volta a Frankfurt, Goethe trabalha sem muito ânimo em seu escritório de advocacia, dando maior importância à poesia.
Ao fim de 1771 escreveu Geschichte Gottfriedens von Berlichingen mit der eisernen Hand, que veio a ser publicado dois anos depois sob o título Götz Von Berlichtungen (O cavaleiro da mão de ferro). A peça veio a valer como a primeira obra do movimento Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto).
Em 1772 Goethe mudou-se para Wetzlar, a pedido do pai, para trabalhar na sede da corte da justiça imperial.
Lá conheceu Charlotte Buff, noiva de seu colega Johann Christian Kestner, por quem se apaixonou.
O escândalo dessa paixão obrigou-o a deixar Wetzlar.
Um ano e meio depois, em 1774, Goethe publica Die Leiden des Jungen Werther (Os sofrimentos do jovem Werther).
Com esse romance Goethe tornou-se rapidamente conhecido em toda a Europa.
O período entre seu retorno de Wetzlar e a partida à Weimar foi um dos mais produtivos de sua carreira. Além de Werther, Goethe escreveu, entre outros, poemas que se tornaram exemplares de sua obra como Prometheus, Ganymed e Mahomets Gesang, além de peças como Clavigo (Clavigo), Stella, e outras mais curtas como Götter, Helden und Wieland.
Nesse período Goethe inicia o projeto de seu mais conhecido escrito, Faust (Fausto).
Goethe em Weimar
Em 1775, Carlos Augusto herda o governo de Saxe-Weimar-Eisenach e convida Goethe a visitar a Weimar, capital do ducado.
Disposto a desfrutar os prazeres da corte, Goethe aceita o convite a acaba por mudar-se para Weimar.
Em pouco tempo a população o acusa de desencaminhar o príncipe, que por sua vez reage e faz Goethe comprometer-se com setores do governo.
Goethe passa então, como ministro, a exercer alguns serviços administrativos, como inspecionar minas e irrigação do solo, entre outros.
Goethe viveu até 1786 na cidade, onde veio a exercer diversas funções político-administrativas.
Em Weimar, Goethe viveu um afetuoso romance com Charlotte von Stein, do qual restaram documentados mais de 2 mil cartas e bilhetes.
Com o trabalho diário na administração da cidade restava-lhe pouco tempo para sua prática poética. Nesse período Goethe trabalha na escrita em prosa de Iphigenie auf Tauris (Ifigênia em Táuride), além de Egmont, Torquarto Tasso e Wilhelm Meister, e dos poemas Wandrers Nachtlied, Grenzen der Menschheit e Das Göttliche.
Por volta de 1780, Goethe passa a ocupar-se sistematicamente com pesquisas na área das ciências naturais.
Seu interesse demonstrou-se principalmente nas áreas de geologia, botânica e osteologia.
No mesmo ano, juntamente com Herder, torna-se membro de uma sociedade secreta, os Illuminati (conhecida como Maçonaria Iluminada, extinta pelo governo da Baviera em 1787), que alcança grande prestígio entre as elites européias.
Viagem à Itália
Goethe estava cada vez mais insatisfeito com trabalho na administração pública e seu relacionamento com Charlotte se desgastou.
Goethe entrou em crise com relação ao rumo tomado por sua vida.
Por conta disso, em 1786, partiu sem pré-aviso para a Itália usando um pseudônimo, evitando assim ser reconhecido, já que na época já havia se tornado um autor famoso.
Goethe passou por Verona, Veneza, Lago di Garda, até chegar a Roma, onde permanece até 1788, tendo também visitado nesse meio tempo Nápoles e Sicília.
Em abril daquele ano, Goethe deixou Roma e chegando dois meses depois de volta em Weimar.
Na Itália, Goethe conheceu e encantou-se pelas construções e obras de arte da antiguidade clássica e do Renascimento, admirava em especial os trabalhos de Rafael e Andrea Palladio.
Lá se dedicou ao desenho, decidindo-se porém pela profissão de poeta.
Entre outras coisas Goethe versificou nesse período Iphigenie auf Tauris (Ifigênia em Tauride), finalizou Egmont, doze anos após o iniciado da escrita desse, e deu prosseguimento a Tasso.
A viagem fora para Goethe uma experiência restabelecedora.
Classicismo de Weimar
De volta a Weimar, trava amizade com frau Schopenhauer, mãe do filósofo Arthur Schopenhauer. Poucas semanas após o retorno, Goethe conhece Christiane Vulpius, uma mulher de 23 anos, de origem simples, sem prestígio social.
Mesmo com a pouca aceitação da sociedade weimarense, Goethe e Christiane casam-se em 1806, mesmo ano que a cidade foi invadida pelos franceses em ocasião da Revolução Francesa.
O casal permaneceu junto até a morte dela em 1816.
Goethe assume cargos de influência política nas áreas de cultura e científica.
De 1791 a 1817 Goethe dirigiu o teatro de Weimar, antes dirigira a escola de desenho.
Ao mesmo tempo Goethe era membro conselheiro na Universidade de Jena, onde conheceu, entre outros, Friedrich Schiller, Georg Hegel e Friedrich Schelling.
Em 1794, inicia amizade com Friedrich von Schiller, que passa também a residir em Weimar.
Essa amizade entre os dois grandes escritores é celebrada como um dos maiores momentos da literatura alemã.
Ciências naturais e poesia
Em 1806, Weimar é invadida pelos franceses e Goethe casa-se com Christiane Vulpius.
Nos anos posteriores à sua viagem à Itália, Goethe empenhava-se em pesquisas nas ciências naturais.
Em 1790 ele publica obra chamada Versuch die Metamorphose der Pflanzen zu erklären, e inicia sua pesquisa sobre as c o r e s , assunto ao qual se dedicou até o fim de sua vida.
As obras da década de 1790 fazem parte Römische Elegien, uma coleção de poemas eróticos à maneira clássica sobre a paixão de Goethe por Christiane.
Da viagem à Itália vieram os Venetiatischen Epigrame, poemas satíricos sobre a Europa da época. Goethe escreveu também uma série de comédias satirizando a Revolução Francesa: Der Groβ-Cophta (1791), Der Bürgergeneral (1793), e o fragmento Die Aufgeregten (1793).
Em 1794 Schiller convida Goethe para colaborar na revista de arte e cultura: Die Horen.
Goethe aceita o convite e a partir daí inicia-se uma aproximação entre os dois intelectuais, que resultou numa íntima amizade.
Ambos desaprovavam a Revolução e apoiavam a estética da antiguidade clássica como ideal artístico.
Como resultado de suas discussões a respeito dos fundamentos estéticos da arte, Schiller e Goethe desenvolveram idéias artísticas que deram origem ao Classicismo de Weimar.
Nesse período, Schiller convence Goethe a retomar a escrita de Faust (Fausto) e acompanha o nascimento de Wilhelm Meister Lehrjahre (Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister).
Além dessas obras, Goethe escreve no mesmo período Unterhaltungen deutscher Ausgewanderten e o épico escrito em hexâmetro clássico Hermann und Dorothea.
Em 1805, interfere para que Hegel seja nomeado professor na Universidade de Berlim.
A morte de Schiller nesse mesmo ano, grande perda para o amigo Goethe.
Em 1808, Napoleão condecora Goethe, no Congresso de Erfurt, com a grande cruz da Legião da Honra. De acordo com sua correspondência, sobretudo os registros Eckermann, seu amigo, Goethe ficou bastante aturdido com a Revolução Francesa.
Prova disso, é a segunda parte de Fausto, publicada postumamente, conforme carta ao amigo, ao qual dizia para só se abrir o pacote após sua morte, num profundo lamento, prevendo que sua literatura seria deixada no esquecimento.
Nesse período Goethe, incursiona pela ciência e publica algumas obras a esse respeito.
A Teoria das cores é publicada em 1810.
Últimos anos do poeta
Nos anos que seguiram a morte de Schiller Goethe adoece diversas vezes.
Em 1806, ano em que Goethe se casa com Christiane Vulpius, Weimar é invadida pelas tropas de Napoleão.
Atormentado com os acontecimentos, Goethe vive uma fase pessimista.
Desta época provém seu último romance, Die Wahlverwandschaften, de 1809.
Um ano depois Goethe começa a escrever sua autobiografia e publica Farbenlehre (Da teoria das cores).
Um ano após a morte da esposa (1816), Goethe organiza seus escritos e publica os trabalhos: Geschichte meines botanischen Studiums (1817); Italianischen Reise (1817) (Viagem à Itália), diário e reflexões de sua viagem, em duas partes, respectivamente; Wilhelm Meister Wanderjahre (1821) e Zur Naturwissenschaft überhaupt (1824).
Em 1823, Jean-Pierre Eckerman torna-se secretário de Goethe e o ajuda na revisão e publicação de escritos até sua morte.
As conversações com Eckerman são fruto dessa relação.
Durante esse período Goethe dedicava-se à escrita de Faust, que veio a finalizar, após 16 anos de trabalho, em 1830.
Aos 82 anos, em 22 de março de 1832, Goethe morre na cidade de Weimar.
Recepção da obra
Goethe se torna conhecido em toda a Europa na ocasião da publicação de Os Sofrimentos do Jovem Werther.
Já no século XIX, Goethe torna-se parte do cânone literário, sendo parte do currículo escolar desde 1860.
Goethe foi aclamado gênio no Segundo Reich e suas ideias foram fundamentais para a instauração da República de Weimar após a Primeira Guerra Mundial.
Já no na Alemanha Nazista, sua obra fora deixada de lado, pois suas ideias humanistas não cooptavam com a ideologia fascista.
Goethe no Brasil
Grande interessado em culturas, Goethe não deixou de passar observar aspectos da cultura brasileira.
Em sua biblioteca constavam 17 títulos de obras que tratavam do Brasil, além de estarem registrados empréstimos de livros do tema na biblioteca de Weimar.
Goethe conheceu canções tupinambás através da leitura de Dos Canibais de Montaigne e mantinha um intercâmbio de informações científico com Carl Friedrich Philipp von Martius, o qual costumava chamar o "brasileiro" Martius.
Esse e Ness Von Esenbeck o homenagearam batizando Goetha uma espécie de malvácea brasileira.
Na literatura, Goethe influenciou autores de renome como Machado de Assis e Guimarães Rosa.
O "método" goethiano de análise fenomenológica não se restringia à botânica, mas também abrange a teoria do conhecimento e a das cores.
No início do século XX, o filósofo austro-húngaro Rudolf Steiner fundou a Ciência Espiritual, ou Antroposofia, inspirado no método de observação dos fenômenos desenvolvido por Goethe (no qual a parte subjetiva do observador é também considerada).
Goethe passou anos obcecado pela obra Da Teoria das Cores, em que propunha uma nova teoria das cores, em oposição à teoria de Newton.
Essa obra por muito tempo foi deixada de lado, em boa parte devido à maneira violenta pela qual pretende provar que Newton estava errado.
Goethe fez diversas observações corretas sobre a natureza das cores, especialmente sobre o aspecto da percepção emocional e psicológica, que serão retomadas anos mais tarde pela escola da Gestalt e não ferem a teoria de Newton, mas tentou justificá-las com argumentos falhos.
Esses argumentos fizeram-no cair em descrença na comunidade científica.
Faust / Fausto
"Se eu me acosto jamais em fofa cama,
contente e em paz, que nesse instante eu morra!
Se uma só vez com falsas louvaminhas
chegares por tal arte a alucinar-me
que eu me agrade a mim próprio; se valeres
a cativar-me com deleites frívolos,
súbito a luz da vida se me apague.
Vá! queres apostar?"
Quadro V, Cena I
Tradução António Feliciano de Castilho
Fonte: wikipédia
Assinar:
Postagens (Atom)











