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segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Tomara.... Vinícius de Moraes
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais.
Vinicius de Moraes
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Poema Pátria Minha de Vinicius de Moraes
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu…
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda…
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha… A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Poema de Natal
"Natal...
Somos Nós!
Somos o Natal
quando decidimos nascer de novo,
a cada dia, nos transformando.
Somos o pinheiro de natal
quando resistimos vigorosamente
aos tropeços da caminhada.
Somos os enfeites de natal
quando nossas virtudes,
nossos atos,
são cores que adornam.
Somos os sinos do natal
quando chamamos,
congregamos
e procuramos unir.
Somos luzes do natal
quando simplificamos
e damos soluções.
Somos presépios do natal
quando somos humildes
para enriquecer a todos.
Somos os anjos do natal
quando cantamos ao mundo
o amor e a alegria.
Somos os pastores de natal
quando enchemos nossos corações
vazios com Aquele que tudo tem.
Somos estrelas do natal
quando conduzimos alguém ao Senhor.
Somos os Reis Magos
quando damos o que temos de melhor,
não importando a quem.
Somos as velas do natal
quando distribuímos harmonia
por onde passamos.
Somos Papai Noel
quando criamos lindos sonhos
nas mentes infantis.
Somos os presentes de natal
quando somos verdadeiros amigos para todos.
Somos cartões de natal
quando a bondade está escrita em nossas mãos.
Somos as missas do natal
quando nos tomamos louvor,
oferenda e comunhão.
Somos as ceias do natal
quando saciamos de pão,
de esperança,
qualquer pessoa do nosso lado.
Somos as festas de natal
quando nos despimos do luto
e vestimos a gala.
Somos sim,
a Noite Feliz do Natal,
quando conscientemente,
mesmo sem símbolos e aparatos,
sorrimos com confiança e ternura
na contemplação interior
com o espírito de Natal
durante todos os dias do Ano Novo
que estabelece seu Reino em nós.
Obrigado Jesus!
Por vossa luz!
Feliz Natal, Amigo!"
Autor Desconhecido
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
100 Anos Vinícius de Moraes
Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
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