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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Poema Almas Perfumadas


Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta. De sol quando acorda. De flor quando ri. Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda. Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça. Lambuzando o queixo de sorvete. Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher. O tempo é outro. E a vida fica com a cara que ela tem de verdade, mas que a gente desaprende de ver. 

Tem gente que tem cheiro de colo de Deus. De banho de mar quando a água é quente e o céu é azul. Ao lado delas, a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis. Ao lado delas, a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo. Sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso. Ao lado delas, pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel. 

Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra. Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza. Ao lado delas, a gente se sente visitando um lugar feito de alegria. Recebendo um buquê de carinhos. Abraçando um filhote de urso panda. Tocando com os olhos os olhos da paz. Ao lado delas, saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração. 

Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa. Do brinquedo que a gente não largava. Do acalanto que o silêncio canta. De passeio no jardim. Ao lado delas, a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo. Corre em outras veias. Pulsa em outro lugar. Ao lado delas, a gente lembra que no instante em que rimos Deus está dançando conosco de rostinho colado. E a gente ri grande que nem menino arteiro. 

Costumo dizer que algumas almas são perfumadas, porque acredito que os sentimentos também têm cheiro e tocam todas as coisas com os seus dedos de energia. Minha avó era alguém assim. Ela perfumou muitas vidas com sua luz e suas cores. A minha, foi uma delas. E o perfume era tão gostoso, tão branco, tão delicado, que ela mudou de frasco, mas ele continua vivo no coração de tudo o que ela amou. E tudo o que eu amar vai encontrar, de alguma forma, os vestígios desse perfume de Deus, que, numa temporada, se vestiu de Edith, para me falar de amor.

Por Ana Cláudia Saldanha Jácomo (Para minha avó Edith) 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Idade do Céu


Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu...

Não somos o
Que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu...

Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu...

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Um capricho do sol
No jardim do céu...

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu...

Paulinho Moska

sábado, 5 de maio de 2012

Super Lua Cheia em seu Perigeu / Festival de Wesak


A Lua Cheia tem uma reputação de criar problemas. Ela levanta as marés altas, faz os cães e lobos uivarem, ela nos acorda no meio da noite com os seus raios de luar iluminando através das cortinas. Se um raio de lua acordar voce na noite de 05 de maio de 2012, você pode querer sair da cama e dar uma olhada nela. A Lua cheia em maio deste ano é a "Super Lua", que estará 14% maior e 30% mais brilhante do que outras luas cheias em todo o ano de 2012. (N.T. Esta Super Lua Cheia também marca a tradicional celebração do Festival de Wesak para os budistas em todo o planeta).

O termo científico para o fenômeno é "perigeu da lua". Luas cheias variam de tamanho por causa da forma oval da órbita da lua ao redor da Terra. A Lua segue uma trajetória elíptica ao redor da Terra com um lado ("perigeu") cerca de 50,000 km mais perto da Terra do que o outro ("apogeu"). Luas cheias que ocorrem no lado perigeu da órbita da Lua parecem extra grande e mais brilhante.

Tal é o caso em 05 de maio às 11:34 pm Horário de Verão Oriental (hemisfério norte), quando a Lua atinge o seu perigeu. Apenas um minuto depois, a Lua se alinha com a Terra e o sol para se tornar brilhantemente cheia. Esse é o momento quase perfeito da noite.

A Lua esta 14% maior do que o habitual, mas você pode realmente perceber a diferença? É complicado. Não há governantes que flutuam no céu para medir diâmetros lunares. Pendurado lá no alto, sem pontos de referência para fornecer uma noção de escala, uma Lua Cheia pode parecer como qualquer outra Lua Cheia. A melhor época para se observar é quando a Lua está perto do horizonte. Por razões ainda não totalmente compreendidas pelos astrônomos ou psicólogos, a Lua baixa e pendurada no horizonte se parece anormalmente maior quando cruza através das árvores, edifícios e outros objetos em primeiro plano. Em 5 de maio, esta ilusão da lua vai ampliar a Lua cheia que estará extra-grande, para começar. O orbe inchado nascendo no leste ao pôr do sol deve parecer super, realmente.

Perigeu é o ponto em órbita elíptica da Lua mais próxima da Terra. 

O Folclore sustenta que todos os tipos de coisas loucas acontecem sob a luz da lua cheia. Supostamente, o aumento de internações hospitalares, a taxa de criminalidade dispara para cima, e as pessoas se comportam de forma estranha. A idéia de que a Lua cheia provoca transtornos mentais foi difundida na Idade Média. Mesmo a palavra "loucura", que significa "insanidade", vem da palavra latina para "Lua".

A maioria dos estudos modernos, no entanto, não mostram nenhuma correlação entre a fase da Lua e o aumento da incidência de crimes, doenças, ou do mau comportamento humano. A verdade é que a Lua é menos influente do que o folclore nos quer fazer crer.

É verdade que o perigeu de uma lua cheia traz consigo marés extra-altas, mas de acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration - NOAA, isto não é nada grave para se preocupar. Na maioria dos lugares, a gravidade lunar no perigeu puxa as águas da maré poucos centímetros (uma polegada ou quase assim) mais elevados do que o habitual. A geografia local pode amplificar o efeito em cerca de 15 centímetros (seis polegadas) - o que não é exatamente uma grande inundação.

As Super Luas nos perigeus são realmente bastante comuns. A Lua torna-se completa dentro de algumas horas de sua maior aproximação à Terra, em cerca de uma vez por ano em média. A última vez ocorreu em 19 de março de 2011, produzindo uma lua cheia que estava quase 400 km mais perto da Terra. 

Como de costume, nenhum problema foi relatado - a menos que você conte um despertar à meia-noite por causa da luz da Lua Cheia como um problema. Se assim for, feche as cortinas em 05 de maio. Caso contrário, aproveite a luz do super luar da Lua Cheia.

Autor: Dr. Tony Phillips | Produção editor: Dr. Tony Phillips | Crédito: Science @ NASA

Fonte: http://science.nasa.gov/science-news/science-at-nasa/2012/02may_supermoon/
Tradução: Thoth


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Rei do Mar


Muitas Velas. Muitos Remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular.
Vimos as Plêiades. 
Vemos agora a Estrela Polar.
Muitas velas. Muitos remos.
Curta Vida. Longo Mar.

Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar...

Nem tormenta nem tormento
nos poderia parar.
(Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...)
Andamos entre água e vento
procurando o Rei do Mar.

Cecília Meirelles

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

...o mar...


"Por vezes sentimos 
que aquilo que fazemos 
não é senão 
uma gota de água no mar. 
Mas o mar seria menor 
se lhe faltasse uma gota."

Madre Teresa de Calcutá

Sal Grosso / Banho de Sal Grosso


Os benefícios do sal no banho são muitos, desde estético até medicinal. Muito antes de Cristo o uso do banho de mar para cura era sistemático na China e em seguida em outros lugares no mundo.

Hipócrates incentivou curadores de fazer uso de água salgada para curar várias doenças imergindo seus pacientes em água do mar.

O banho de sal tem muitos efeitos sobre os músculos e o sistema nervoso, assim agindo para combater o estresse e aliviando tensões.

O sódio auxilia na eliminação das toxinas do organismo e age como o brometo, um relaxante muscular natural, que faz com que seja benéfico para quem sofre de artrite.

Os sais podem alterar o equilíbrio osmótico da água, e o sulfato de magnésio pode ser absorvido através da pele, causando um efeito anti-inflamatório.

Outro efeito é o de eliminar a energia negativa que acumulamos no dia a dia, e talvez este seja o mais aplicado na utilização do sal grosso no banho. O banho mais eficaz para a energia do corpo é o simples banho de mar, mas nem sempre esta ao alcance de todos.

Modo de tomar o banho de sal grosso:

Após seu banho convencional, deixe um punhado de sal grosso escorrer do pescoço para baixo, embaixo da água da ducha. Uma opção que agrada muitas pessoas, é colocar um punhado de sal dentro de uma meia, e repousar esta na nuca (atrás do pescoço) debaixo da ducha.

Não é aconselhável banhos frequentes, pois o sal tira toda energia do seu corpo, tanto a negativa quanto a positiva, e caso necessite de vários banhos, seria bom repor estas energias com massagens de óleos aromáticos, meditação com velas e incensos, fazer algo de muita felicidade pessoal e lógico que muito pensamento positivo e feliz.

Benefícios de banhos e escalda pé com sal grosso:

Fisiológico

· Ajuda a desintoxicar o corpo e afastar os vírus

· Estimula a circulação natural para a melhoria da saúde

· Ajuda a aliviar o pé do atleta, calos e calosidades

· Relaxa a tensão, dores musculares e nas articulações

· Ajuda a aliviar artrite e reumatismo

· Ajuda a aliviar a dor lombar crônica.

Benefícios estético

· Tira as impurezas da pele

· Alivia irritações da pele como psoríase / eczema

· Alivia coceiras, ardor e picadas

· Suaviza e amacia a pele

· Incentiva a pele se renovar

· Ajuda a curar as cicatrizes

· Restaura o equilíbrio a umidade da pele.

Ocupacional

· Alivia o cansaço, os pés doloridos e os músculos da perna

· Alivia a tensão nas mãos e punhos

· Ajuda a aliviar lesões do esporte.

Psico-físico

· Proporciona um relaxamento profundo

· Ajuda a aliviar o estresse e a tensão

Como tomar Banho com Sal Grosso:

O banho de sal grosso tira energias negativas, mas também as positivas. Por isso é melhor não abusar dos banhos. Comece com um banho por semana, e se não sentir resultado, aumente os dias aos poucos… e quando sentir que está funcionando, mantenha até sentir-se melhor.

Se for necessário vários banhos, procure fazer meditação após alguns banhos, isso ajuda a repor energias positivas.

Uma vela aromática ou incenso também ajudam a recuperar energia positiva.

Para facilitar seu banho com o sal grosso pegue uma meia fina, pode ser velha (limpa, né) e coloque dois punhados de sal grosso dentro da meia e dê um nó leve na extremidade para não vazar o sal.

Depois de seu banho convencional, coloque a meia na nuca (parte de tráz do pescoço) e deixe a água do chuveiro caindo na meia.

Assim o sal vai derretendo dentro da meia e escorrendo pelo seu corpo. E se quiser, pode ir movimentando a meia pelo corpo.

Tome poucos banhos com o sal no começo, até sentir que consegue repor a energia positiva.

Não conheço ninguém que se prejudicou com banho de sal grosso, só alerto para não te deixar com fraqueza por excesso de banhos. É só uma dica.

Faça seu banho com sal grosso, e em seguida deite e relaxe ao som de uma música, com luz de velas, incenso e meditação.

Não há energia negativa que aguente!



Benefícios do SAL

Está chegando o verão e nessa época muitas pessoas aproveitam para viajar para a praia. Aposto que você já experimentou a sensação de relaxamento depois de um banho de mar, mas alguma vez você já pensou que benefícios de fato esse banho pode trazer à nossa saúde?

A água do mar tem muitos componentes que trazem relaxamento ao corpo, tiram dores e reenergizam. Não é à toa a crença de que um banho de mar pode "descarregar" energias negativas. Além das propriedades da água, a quebra das ondas no corpo promove uma drenagem linfática e ainda estimula a pele e a circulação.

A água marinha é composta por mais de 80 elementos químicos. Alivia principalmente as tensões musculares, graças à presença de sódio em sua composição — por isso é considerada energizante. A massagem que as ondas fazem no corpo estimula a circulação sanguínea periférica, e isso provoca aumento da oxigenação das células.

Graças à presença de cálcio, zinco, silício e magnésio, a água do mar é usada para tratar doenças como artrite, osteoporose e reumatismo. Já o sal marinho, rico em cloreto de sódio, potássio e magnésio, tem propriedades cicatrizantes e antissépticas.

Banho de Sal Grosso

Se você não pode desfrutar de um banho de mar, você pode simular um em casa. É uma técnica chamada Thalassoterapia que usa as propriedades do sal marinho e das algas para ativar a pele e deixá-la mais bonita e revitalizada.

O banho de sal, assim como o banho de mar simples, tem muitos efeitos sobre os músculos e o sistema nervoso, assim agindo para combater o estresse e aliviando tensões. O sódio auxilia na eliminação das toxinas do organismo e age como o brometo de um relaxante muscular natural, que faz com que seja benéfico para quem sofre de artrite.

Os sais podem alterar o equilíbrio osmótico da água, e o sulfato de magnésio pode ser absorvido através da pele, causando um efeito anti-inflamatório.

Carvão Virgem e Sal Grosso

O banho de sal grosso deve ser passado pelo corpo, sendo que o melhor mesmo seria fazer o procedimento no chão de terra, mas diante da impossibilidade para muitos, alguns pedaços de carvão virgem colocados dentro de um recipiente no piso, a pessoa coloca os pés sobre o carvão, procede dessa forma o banho de sal.

A função do carvão é para a captação de partículas mais pesadas e depois uma chuveirada para retirar o excesso.

Na possibilidade de se fazer o banho imersivo com ervas. Seria numa banheira sendo feito depois do banho de sal grosso, ou seja após a limpeza do campo áurico, este banho de ervas ou essência, repõe as energias positivas. E por isto pode-se compará-lo o mesmo à aromaterapia.

O escoamento acontece do mesmo modo, sendo que a diferença está no caso que no 1º banho com sal grosso a recomendação é que seja rápido, já para o 2º banho no mínimo 10 minutos. Isso é claro para aqueles que tem o privilégio de ter uma banheira em casa, é claro também recomenda-se não tomar o banho de sal na banheira, e sim no chuveiro.

A possibilidade de melhor absorção das essências de ervas é a potencializada pela imersão do corpo na banheira e tanto é assim que há a recomendação de não enxugar-se de imediato.

Um outro método prático e simples é colocar 7 colheres (de sopa) cheias de Sal dissolvidas num balde de 5 litros, depois é só virar pelo corpo, sempre livrando a cabeça e partindo do pescoço.

O carvão possui grande capacidade de absorção das energias etéricas densas, e no caso costuma-se recomendar que após despejar a salmoura, se cubra as mãos com uma sacola plástica ou luvas, depositando numa sacola os pedaços de carvão, fechando-a e tomando nova chuveirada, como já disse para retirar o excesso. O carvão deve ser jogado na terra, que a energia será absorvida pela natureza.

É importante frisar mais uma vez que tal recurso é um agente coadjuvante no reequilíbrio energético pois recomenda-se ao fazê-lo elevar os pensamentos numa mentalização positiva ou ainda para quem saiba, visualize no 1º banho a eliminação da negatividade, no 2º momento a expansão da energia inclusive com cores brilhantes e vivas.

Quantidade de Sal e Carvão:

- O suficiente para passar pelo corpo

- Carvão que caiba a planta dos dois pés

- Em 1 litro de água, coloque 7 colheres (de sopa) de sal grosso (pode ser fino), depois dissolva em mais 4 litros de água.

Fonte:
magia zen espiritualismo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Senhora do Mar


“...Sou a estrela que surge do mar, o mar do crepúsculo,
Trago aos homens os sonhos que regem os seus destinos
Trago as marés do sonho às almas dos homens
As marés que fluem e refluem e tornam a fluir,
As silenciosas marés íntimas que governam os homens;
Elas são o meu segredo e pertencem a mim...”
A sacerdotisa do mar - Dion Fortune


O mar engloba as misteriosas origens da vida, que, após inúmeras transmutações e percursos, para ele volta no final do seu ciclo. Desde o instante em que nascemos do líquido salgado do ventre materno, até quando os nossos pulmões se preenchem com os fluidos corporais no momento da morte, somos um receptáculo para o caminho da água, o nosso mais precioso e sagrado presente. Desde a antiguidade o mar simbolizou vida, magia e mistério, sendo o berço da própria vida, pois ele existiu desde o começo dos tempos, antes que a terra fosse formada. Em muitas culturas a primeira imagem do mundo era de um oceano, ilimitado, indefinido e eterno, pleno de energias que podiam criar as variadas formas da vida. O primeiro estágio do mundo era descrito como uma massa aquática inerte, da qual emergiram a Terra, o céu e todos os seres. O mar primordial, informe, escuro e silencioso representava um modelo para o caos, que existia antes da criação e uma metáfora para o líquido amniótico que sustentava a vida.

Os povos antigos respeitavam o mar como uma força criadora e nutridora, mas também temiam o seu poder destruidor. O mar detinha segredos e mistérios, suas profundezas ocultavam seres sobrenaturais - benéficos ou não - e divindades que moravam em palácios repletos de riquezas e tesouros. As lendas sobre os tesouros enterrados no fundo do mar na realidade são as reminiscências das antigas lendas sobre as divindades que governavam a fertilidade representada pela riqueza da fauna e flora aquáticas.

A Deusa se manifesta em todos os elementos, Ela é a Mãe Terra, o Sopro da Inspiração, a Senhora das Chamas, mas o elemento em que A encontramos mais facilmente é a água, pois assim Ela está presente em todos nós. A vida começou no mar e o nosso corpo guarda esta lembrança no líquido amniótico, nas lágrimas, no sangue, nas células e nos fluidos corporais. Nossos ventres e nossas emoções respondem ao chamado das marés e da Lua e retornaremos ao ventre primordial seguindo o eterno fluir do tempo, do seu inicio até o fim. A Grande Deusa é a quintessência fluida formada das águas, as celestes e as subterrâneas (onde pertencem os córregos, riachos, rios, cachoeiras, fontes, lagos, mares), em cujo ventre a vida se formou como se fosse um peixe.

A Mãe do Mar aparece de várias formas, às vezes Ela é escura e profunda como o vazio primordial onde a vida apareceu primeiramente. Outras vezes Ela brinca e ri com as ondas na areia, brilha com a luz do Sol ou da Lua ou se enfurece e rodopia com o rugido da tempestade. A sua presença foi louvada e honrada em inúmeras canções e poemas, apareceu em mitos, histórias, contos e lendas em vários lugares do mundo. Dion Fortune - escritora, ocultista e sacerdotisa da Deusa - vê o mar como “origem de todos os seres, a vida nela aparecendo como uma onda silenciosa que segue seu rumo e volta para recolhê-la no final.”

Ao longo dos milênios a Mãe do Mar recebeu muitos nomes e representações, Ela era a Grande Deusa cujas marés seguiam as fases da Lua e que foi vista como Tiamat, o dragão das profundezas, Atargatis e Derceto, deusas sírias com caudas de peixe e regentes da fertilidade, equivalentes das deusas venusianas Astarte e Ishtar, Ísis e Maria adoradas como Stella Maris, a Estrela do Mar ou Iemanjá, a nossa Mãe das águas.

A Mãe do Mar como “Senhora dos peixes” tem uma origem muito antiga, foram encontradas esculturas de uma deusa–peixe datadas de 6000 a.C. no sitio arqueológico de Lepenski Vir na antiga Iugoslávia, indicando um culto exclusivo de moças, que nos períodos de seca ou enchente se ofertavam à Deusa - deixando-se levar pelos redemoinhos do rio Danúbio - para implorar Sua benevolência.

Na Grécia existiam antigos cultos da Senhora da navegação e da Mãe das criaturas marinhas que tinham vários altares. A Mãe do mar é um emblema universal do nascimento e renascimento, reproduzido nas religiões patriarcais de maneira oculta e simbólica pelo batismo e a pia batismal. O peixe é totem da Deusa Mãe e aparece como sua montaria ou emblema, estilizado como yoni, símbolo do órgão sexual feminino, uma imagem central do ventre nos mitos de fertilidade e renascimento, adotado depois como símbolo cristão (por ter sido considerado Cristo o pescador das almas).

No mito babilônio da criação o primeiro ser foi Tiamat, Mãe de todos os deuses e detentora das tábuas dos destinos, que se apresentava como uma grande serpente – ou dragão- e regia as águas salgadas dos mares. Fecundada pelas águas doces pertencendo ao seu amado Apsu, do seu imenso ventre nasceram todas as formas de vida, perfeitas e monstruosas, até que no final nasceram os deuses. Após um tempo, os filhos divinos se revoltaram contra seus pais, mataram Apsu e o primogênito Marduk despedaçou Tiamat, criando das metades do seu corpo o céu, a Terra e todas as águas.

Mari significava mar e ventre na tradição suméria, Afrodite Mari era conhecida como a Mãe de todos, nascida do mar e Criadora da essência da água. Como Afrodite, Pandemos é representada cavalgando um golfinho e foi reverenciada na Síria como Atargatis. 

A Mãe primordial grega era Rhea, que separou os elementos sólidos e líquidos do abismo primordial e criou assim a Terra e o mar. Tetis, descrita como a Grande Rainha grega do oceano, filha de Gaia e Urano, chamada de Mare Nostrum pelos romanos, era mãe de 6000 filhos, suas 3000 filhas sendo as Ocêanides. Depois da revolta e vitória dos deuses olímpicos sobre as divindades pré-helênicas, a regência do mar foi conferida a Posêidon. Para poder governar ele teve que casar-se com a regente ancestral do mar, a deusa Anfitrite, que continuou governando as profundezas do mar, enquanto Posêidon dirigia sua carruagem na superfície das ondas, acompanhado pelas ninfas marinhas, as Nereidas. Na mitologia celta a deusa Fand também regia as profundezas do mar, enquanto seu marido Manannan Mac Lyr navegava na superfície. O casal de gigantes nórdicos Ran e Aegir era temido pelos navegantes, que lhes pediam proteção fazendo oferendas e orações, para evitar que as tempestades levassem seus barcos para as moradas divinas do fundo do mar. Suas filhas, as Donzelas das Ondas em número de nove eram as mães do deus Heimdall, o guardião de Bifrost, a ponte do arco-íris da mitologia nórdica. Temu era o nome egípcio do vazio uterino cósmico e primordial, do qual foram criadas as divindades e os mundos.

Na China existe a lenda de uma moça - Lin Mo Ning - cujas qualidades extraordinárias de devoção a Kwan Yin, a sua bondade e as curas milagrosas por ela realizadas lhe permitiram a iluminação e ascensão. Aos 28 anos ela foi elevada para o céu em uma nuvem dourada e se transformou em um arco-íris, equivalente chinês do dragão e símbolo de cura e boa sorte. Ela foi deificada e tornou-se Mat-su ou Mazu, a deusa do mar reverenciada até hoje em inúmeros templos a Ela dedicados, como protetora dos barcos nas tempestades e das pessoas nas inundações.

O mito de Sedna, deusa do mar dos inuits - Senhora dos animais marinhos, Doadora da fertilidade - retrata a trajetória mítica de uma jovem mortal passando por decepções afetivas e filiais. Ao ser sacrificada pelo seu pai (para ele se salvar) representa o caos seguido pela abundância, pois ao mergulhar nas profundezas do mar, a jovem Sedna se transformou na mãe arquetípica fornecedora do alimento para o seu povo.

Na África a regência do mar é dividida entre Olokun (que aparece ora como orixá masculino, ora como feminino) e Yemayá ou Iemanjá, também honrada como Iyá Mo Ayé, a Mãe dos mundos, Criadora do céu e do mar. Originariamente Iemanjá era divindade das águas doces, regente do rio Ogum, associada à fertilidade das mulheres, maternidade, criação do mundo e continuidade da vida. Por ser regente do plantio e colheita (dos inhames) e da pesca, seu nome ficou Yeyé Omo Ejá, a “Mãe dos filhos peixes”. Nas representações míticas e nas várias imagens seus poderes - gerador e nutridor - são revelados pelos seios fartos e as ancas largas. Nos mitos Ela aparece como uma Grande Mãe, protetora das cabeças dos mortais, generosa nas suas dádivas e representando os diversos papéis da mulher: mãe, filha, esposa, irmã.

Na transposição para o Brasil foi transferido para Iemanjá a regência do mar, que na África pertencia a seu pai ou mãe, Olokun, pois segundo conta uma lenda “ as lágrimas derramadas pelos escravos na travessia do oceano salgaram as águas doces de Iemanjá”. Mas mesmo considerada orixá do mar, Iemanjá continua sendo saudada no Candomblé como Odo Iyá, Mãe do rio, da qual sua filha Oxum herdou o domínio das águas doces. Outro aspecto de Iemanjá no Brasil é relacionado à sua denominação deRainha do mar, que a associa à figura da sereia, de origem africana (as três sereias de Angola: do mar, do rio e da lagoa) e europeia (dos mitos gregos, celtas, e nórdicos). Como divindade marinha Iemanjá tem um papel duplo: de mãe que controla as marés e propicia a pesca, e também de sereia sedutora e sensual que atrai o pescador ou o navegante para as profundezas do mar.

Concebida popularmente como a Mãe propiciadora de saúde, prosperidade e boa sorte, além de garantir sanidade, equilíbrio e clareza mental como “dona das cabeças”, Iemanjá aos poucos foi perdendo seus atributos originais de divindade guerreira e mulher sensual dos mitos africanos e foi sendo ampliado o seu papel de deusa mãe. À medida do fortalecimento do seu papel materno, Iemanjá foi sendo aproximada da figura de Nossa Senhora com quem Ela é sincretizada em Cuba e Brasil e suas festas comemoradas de acordo com o calendário católico (como Nossa Senhora das Candeias na Bahia, do Carmo no Recife, dos Navegantes no Rio Grande do Sul, da Conceição em São Paulo). Aos poucos Ela foi assumindo novos aspectos iconográficos trocando seus traços africanos por características europeias e sendo retratada como uma mulher branca, com longos cabelos negros e lisos, de vestido azul com cauda, caminhando sobre as ondas do mar, espalhando rosas brancas e usando uma tiara em forma de estrela, aparecendo assim como a própria Stella Maris. Na Umbanda foi atribuída à Iemanjá a chefia de falanges de “caboclos e caboclas do mar”; associada a diferentes Mães d’Água indígenas foi sendo chamada de Iara, a Mãe d’Água ou Senhora Janaina. Seus atributos de sedução e sensualidade foram transferidos para uma entidade complexa e controvertida - Pomba Gira - e realçados apenas os atributos maternos e protetores. Na Santeria cubana Iemanjá é sincretizada com La Virgem dela Regla e retratada como uma Madona Negra, protetora dos navegantes.

A crescente participação da população nas Suas festas nas praias brasileiras - principalmente nos dias 31 de janeiro e dois de fevereiro - tornou Iemanjá o orixá mais popular e reverenciado no Brasil, não somente pelos adeptos de Candomblé e Umbanda, mas pela sociedade como um todo.

Transcendendo as tradições afro-caribenhas que deram origem aos cultos modernos, Iemanjá é cultuada atualmente pelos círculos sagrados femininos, os adeptos dos grupos da tradição Wicca e neo-pagãos, nos Estados Unidos e no Brasil, como uma Deusa Mãe. Apesar das suas modificações ao longo do tempo e espaço, os atributos de amor e nutrição que Iemanjá traz para seus adeptos são prova do seu poder milenar como protetora das crianças, mulheres e famílias. Enquanto Olokum detém os poderes de destruição subindo enfurecida das profundezas do mar, Iemanjá rege em contrapartida a superfície e a calmaria. A suavidade da filha pode acalmar a fúria da mãe, pois ambas representam os ciclos de mudança: dar a vida, proteger, abrigar, nutrir, transformar ou dar-lhe o fim. Com a ajuda de Iemanjá podemos superar as marés e mudanças na nossa vida e buscar a tranqüilidade mesmo no meio da tempestade.

Os mitos da Mãe do Mar refletem o mundo natural ao nosso redor e principalmente o poder do oceano, que inspira respeito e medo pela sua força destruidora como vemos nostsunamis, tufões e maremotos. A mutabilidade do mar nos ensina como buscar o equilíbrio e a conciliação dos opostos na nossa própria natureza, alternando a ação e a quietude, a aceitação da dor e da alegria, as fases de tumulto ou de estagnação.

Ao longo dos séculos os seres humanos lidaram com os desafios do mar e por isso o reverenciavam por saberem que estavam à mercê das suas forças. Mas agora, pela primeira vez na história da humanidade, os homens têm o poder de envenenar as suas águas, de matar sem discernimento ou necessidade os seres vivos que nele habitam. Para continuarmos a receber as bênçãos e dádivas da Mãe do Mar precisamos nos envolver em alguma atividade ecológica para impedir a destruição dos recifes de corais, a extinção das espécies marinhas, a poluição pelos resíduos industriais e domésticos. Precisamos honrar a Mãe do Mar e lhe pedir compaixão e generosidade para o nosso renascimento, nos elevando da cobiça, violência, falta de respeito e compaixão com os outros seres para a harmonia, o convívio pacifico e a serenidade, exterior e interior.

“Devemos nos lembrar de que o nosso espírito nos leva de volta para a água, pois ele flui no pulsar do rio e retorna para o mar onde a vida começou. Nossas almas são pesadas com tanta dor e decepção e difíceis de carregar, mas nós pediremos ao rio levar nosso peso para o mar e oraremos ao mar lavar e renovar os nossos espíritos. Nossas lágrimas de dor e tristeza lavam nossas almas e nos libertam de tudo o que nos atordoa, removendo as marcas de sofrimento. Levantemo-nos radiantes e sigamos em paz, pois o nosso espírito foi lavado pelas ondas do mar e por elas renovado”.

Adaptado do “Book of Daily Prayer for Today’s Changeable World”

Mirella Faur

Fonte:

domingo, 6 de novembro de 2011

Os Golfinhos: Sistema de Sonar


Provavelmente todos já ouviram falar dos golfinhos. Que eles são mamíferos adoráveis, brincalhões, excelentes nadadores, companheiros – vivem sempre em grupos e com uma admirável inteligência. Todas essas são algumas das características apresentadas por esses animais marinhos. Mas, e sobre o sistema de sonar dos golfinhos … você já ouviu falar? Acho que não. Pouco ou nada se falam sobre isso, portanto, atentem-se aos detalhes que se seguem; tenho certeza que mais uma vez irá se surpreender.

Sonar é uma técnica que utiliza som para se comunicar ou detectar embarcações. A marinha dos Estados Unidos possui um excelente sistema de sonar; entretanto, este sistema não chega, nem sequer um pouquinho, próximo da perfeição apresentada pelo sistema de sonar dos golfinhos. A precisão deste sistema dos golfinhos é tão incrível que eles podem detectar um peixe, por menor que seja, que esteja até 70 metros de distância dele. Esse sistema de sonar é composto por uma lente sonora que focaliza em feixe as ondas de som emitidas, fazendo com que um golfinho consiga mirá-lo para qualquer direção; mecanismo, este, semelhante ao facho de uma lanterna.

Para a lente sonora funcionar, diferentes susbtâncias gordurosas, chamadas de lipídios, curvam as ondas de ultra-som que passam por entre elas de maneiras diferentes. Para focar os ecos sonoros que voltam para o golfinho esses lipídios precisam estar na ordem e sequência exatas! Sendo assim, o golfinho consegue localizar o peixe, não importando o seu tamanho.

As gorduras que compõem o sistema de sonar dos golfinhos não se assemelham a nenhuma outra. Possuem características próprias, exatas e matemáticamente projetadas.

“Observando as obras admiráveis que mostram planejamento neste mundo, acredito que qualquer pessoa intelectualmente honesta deva concluir que elas foram realizadas por um grande Planejador.”

Jonathan D. Sarfati
Blog Detalhes da Criação

sábado, 16 de abril de 2011

As Águas do Mar por Clarice Lispector


O mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar. Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.

Ela olha o mar, é o que pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra. São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é um mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar. Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação à vastidão do mar porque é a exigüidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exigüidade que a torna pobre e livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo, mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não tem o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no mar em simples jogo leviano de viver.

Ela está sozinha. O mar não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de, não se conhecendo, no entanto, prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem. Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal – a alegria é uma fatalidade – já a tomou, embora nem lhe ocorra sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda – e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que oposição pode ser um pedido.

O caminho lento aumenta sua coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo – espantada de pé, fertilizada. Agora o frio se transforma em frígido. Avançando ela abre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora, já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol, quase imediatamente já estão endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com a altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheias de água, bebe em goles grandes, bons. E era isso que lhe estava faltando: o mar por dentro. Agora ela está toda igual a si mesma.

A garganta alimentada se constringe pelo sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto. Mergulha de novo, de novo bebe, mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo.

O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, e ela mergulha de novo; está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica, pois.Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação. Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas – ah nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas – mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas.

Às vezes o mar lhe opõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera. E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água, e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos são de náufrago. Porque sabe – sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.


Clarisse Lispector