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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Transformação: liberte-se do sofrimento



No caminho interior do desenvolvimento da consciência, um momento muito importante é aquele no qual o homem descobre que a evolução no plano humano não é um processo de aperfeiçoamento, mas um processo de transformação.

O homem, na verdade, é um ser híbrido, que pertence a dois reinos da natureza: ao terceiro reino ( o reino animal) e ao quarto reino (o reino humano).

Como diz Sri Aurobindo em seu livro Il Ciclo Umano (O Ciclo Humano), o ser humano é "um anormal que não encontrou sua normalidade. (...) Não é perfeito pela própria natureza, como são as plantas e os animais. Essa imperfeição não chega a ser totalmente deplorável; antes, ela é um privilégio e uma promessa, porque abre ao homem uma visão ilimitada do autodesenvolvimento e da auto-superação".

Essa transformação gradual recebe ajuda do sofrimento, o qual possui um poder sublimatório e evolutivo que o homem descobre quando não apenas aceita o sofrimento mas também quando sabe interpretar seu significado e suas mensagens, focalizando a atenção no interior de si mesmo para tentar ver suas reações como sintomas e sinais daquilo que deve superar e abandonar.

É nesse momento que o homem, como diz Sri Aurobindo, "aciona a alavanca de sua evolução", o Agni, ou seja, o fogo purificador do sofrimento.

Alcançaremos esse "fogo purificador" se, toda vez que sofremos, em vez de fugir da dor e tentar escapar do tormento, mergulharmos neles, absorvendo-os e vivendo-os plenamente, não com a idéia de vítima ou com mórbido masoquismo, mas com a atitude forte, corajosa e consciente de quem aceita o trabalho e mergulha no fogo do sofrimento, sentindo seu poder criativo e transformador.

O homem é "o laboratório vivo e pensante" que deve produzir o super-homem, a criatura do quinto reino. Ele próprio é o crisol no qual se processa "o opus alquímico" que produzirá esse novo ser.

É esse o segredo do sofrimento, o segredo que temos de desvendar. Todavia, se adquirirmos o hábito de ser espectadores de nós mesmos quando sofremos, poderemos observar, quase que com olhar científico, aquilo que está acontecendo dentro de nós uma trasformação das energias psíquicas. É porque foi despertado o Agni, o fogo oculto na matéria do qual falam os orientais e que nos proporciona o poder evolutivo para realizarmos a nossa transformação.

Os antigos alquimistas procuravam trasformar os metais brutos em ouro, submetendo-os a um calor cada vez mais forte. Simbolicamente, eles estavam tentando extrair o Espírito da Matéria, sublimando-a por meio da combustão.

Para compreender melhor esse processo interior de transformação, talvez seja útil lembrar o que produz o fogo no plano material.

No nível físico, o fogo produz primeiro uma aceleração do movimento dos átomos que compõem a matéria submetida à combustão; depois, uma liquefação da própria matéria (como ocorre, por exemplo, com os metais quando submetidos a um calor intenso); e, por fim, uma volatização, ou seja, uma passagem ao estado aeriforme.

O fogo interior do sofrimento produz um efeito análogo sobre as energias psíquicas que compõem nossa personalidade. Essas energias, embora sendo mais sutis que a matéria física, continuam a ser sempre matéria quando comparadas com as energias espirituais.

A dor moral, entendida como chama, acelera a vibração das energias psíquicas e as faz passar de um estado mais denso e grosseiro para um estado mais luminoso, puro e livre, semelhante ao das energias espirituais. Essa "alquimia psicológica" produz não somente um amadurecimento ou um aperfeiçoamento moral como também uma verdadeira e legítima transformação, que tem suas fases, suas leis, seus sintomas e seus resultados.

Podemos agora perguntar: "O que é realmente esse fogo emitido pelo sofrimento?". Nesse momento podemos responder a essa pergunta dizendo que existe um fogo latente na própria matéria, como já sugerimos, o qual é liberado em função do atrito entre o impulso evolutivo do Espírito e a resistência da Matéria, a qual é estática e inerte por natureza. Esse fogo emitido pelo atrito é chamado, nas doutrinas esotéricas, de "fogo por fricção".

A dor que sentimos, portanto, é a manifestação emocional e moral desse atrito, que produz "combustão" e gradualmente transforma em consciência todas as energias existentes na complexa estrutura psicofísica do homem.

Sabemos que o homem - seja considerado em sua estrutura corporal, seja em sua complexidade psíquica - é realmente um conjunto de forças e energias, das quais nem sempre estamos conscientes.

Podemos, portanto, fazer nossas estas palavras de Sri Aurobindo: "A história da nossa evolução terrestre (...) é a história de uma lenta conversão da força em consciência e (...) todo o progresso evolutivo, no final das contas, é medido apenas e tão somente pela capacidade de libertar o elemento consciência do elemento força".

Todo o nosso ser deve transformar-se em consciência.

O que significam essas palavras?

Elas significam "reconstruir a unidade entre Espírito e Matéria". O homem, como já dissemos e repetimos, é uma dualidade, é o ponto de encontro de Espírito e Matéria.

Seu objetivo é o de superar essa dualidade, "espiritualizando a Matéria e materializando o Espírito". Esse processo faz emergir uma realidade total: a consciência do Eu, que é o Verdadeiro Homem.

Isso acontece lentamente e em degraus, por meio de um longo trabalho que não está isento de conflitos, crises e de todo aquele conjunto de sofrimentos que o homem durante longo tempo atribui a causas externas, até o momento em que se dá conta de que a verdadeira causa da dor está oculta dentro de si mesmo.

Na verdade, chega um momento em que o homem começa a passar por períodos de mal-estar, desconforto e sofrimento, os quais parecem se manifestar sem causa aparente. Essas perturbações se apresentam tanto sob forma psicológica e moral quanto sob a forma de distúrbios físicos que não têm qualquer causa orgânica real.

Todas essas perturbações - ou mesmo doenças - têm um caráter puramente "funcional", refratário às substâncias farmacológicas comuns, e são catalogadas como distúrbios psicossomáticos. Mas, o que são realmente essas perturbações? De que elas provêm?

Se elas se apresentam num indivíduo que já está trilhando um caminho de autoformação espiritual e desenvolvimento da consciência, poderiam ser o sintoma e o sinal de uma transformação em andamento, da qual o indivíduo não está consciente e à qual opõe, por isso, uma resistência inconsciente.

Essa pessoa deveria, então, tentar se analisar, observar-se, desidentificando-se de sua personalidade para compreender qual é o obstáculo, qual é o aspecto de si mesmo que não quer mudar, que não quer crescer e que se opõe, portanto, à transformação.

Todo tipo de sofrimento, seja ele emocional ou físico, como dissemos, é sempre o sintoma de um atrito e de uma resistência entre o passado cristalizado na matéria e o futuro que nos abre caminho para a realização.

O que podemos fazer para superar esses bloqueios à transformação, que produzem em nós sofrimento e desconforto?

Precisamos aderir ao impulso evolutivo, voltando-nos para a aspiração interior que nasce da consciência espiritual que está se manifestando em nós.

Devemos lembrar que toda a vida é regulada pela grande Lei do Sacrifício, que assim se enuncia: "Nada do que existe no nível inferior pode se manifestar sem o sacrifício daquilo que é superior, e nada do que é superior pode se manifestar sem o sacrifício daquilo que é inferior".

O sacrifício não deve ser interpretado como uma renúncia dolorosa, mas como um ato "sagrado", o que é bem expressado por estas palavras de Sri Aurobindo: "A verdadeira essência do sacrifício não é a imolação, mas a doação de si mesmo. Seu objetivo não é a anulação, mas o dar de si; seu método não é a mortificação, mas uma vida maior; não uma mutilação, mas uma trasformação dos nossos membros humanos naturais em membros divinos".

Ao nos transformarmos, na verdade, não apenas espiritualizamos a Matéria como também materializamos o Espírito, valendo-nos desse modo da lei do sacrifício. Enquanto a Matéria se eleva, transforma-se e é sublimada, o Espírito (a energia do Eu) desce, encarna na personalidade e se expressa. Existe na realidade uma interação, uma atração, um intercâmbio entre o pólo espiritual e o pólo material. Ambos se transformam e a matéria se purifica, se liberta da inércia, do mecanicismo, do peso de seus antigos condicionamentos. O Eu se expressa manifestando, por meio da personalidade, todas as suas qualidades, tornando-as ativas e eficazes na vida.

Ocorre, portanto, uma integração entre os dois pólos, levando à criação de um novo ser: o homem realizado.

Esse processo, como dissemos, acontece em degraus e por meio de sucessivas superações e transformações que nos libertam gradativamente do sofrimento e nos fazem experimentar estados interiores cada vez mais luminosos de PAZ, de serenidade e de alegria espiritual.

Fonte:
O Caminho para a Libertação do Sofrimento
Angela Maria La Sala Batà
Tradução de Merle Scoss

domingo, 28 de outubro de 2012

Estresse: tipos, teste, consequências, tratamentos



O que é o Estresse? 

O estresse, seja ele de natureza física, psicológica ou social, é composto de um conjunto de reações fisiológicas que se exageradas em intensidade ou duração podem levar a um desequilíbrio no organismo. 

A reação ao estresse é uma atitude biológica necessária para a adaptação à situações novas. Um dos primeiros estudos sobre estresse foi realizado em 1936 pelo pesquisador canadense Hans Selye, que submeteu cobaias a estímulos estressores e observou um padrão específico na resposta comportamental e física dos animais. Selye descreveu os sintomas do estresse sob o nome de Síndrome Geral de Adaptação, composto de três fases sucessivas; alarme, resistência e esgotamento. Após a fase de esgotamento era observado o surgimento de diversas doenças sérias, como úlcera, hipertensão arterial, artrites e lesões miocárdicas. 

O estresse pode ser dividido em dois tipos básicos: o estresse crônico e o agudo. O estresse crônico é aquele que afeta a maioria das pessoas, sendo constante no dia a dia mas de uma forma mais suave. O estresse agudo é mais intenso e curto, sendo causado normalmente por situações traumáticas mas passageiras como a depressão na morte de um parente. 

Tipos de Estresse 

Entre as principais causas do estresse, devemos citar: 
  •  Mudanças: uma certa dose de mudança é necessária. Entretanto, se as mudanças violentas podem ultrapassar nossa capacidade de adaptação. 
  •  Sobrecarga: a falta de tempo, o excesso de responsabilidade, a falta de apoio e expectativas exageradas. 
  •  Alimentação incorreta: não é apenas importante o que comemos, mas também como comemos.  
  •  Fumar: o cigarro libera nicotina que, na fase de menor concentração, já provoca reações de estresse leve, depois bloqueia as reações do organismo e causa dependência psicológica. 
  •  Ruídos: coloca-nos sempre em alerta, provoca a irritação e a perda de concentração desencadeando reações de estresse, que podem levar até a exaustão. 
  •  Baixa auto-estima: tende a se agravar o estresse nestas pessoas. 
  •  Medo: o medo acentua nas pessoas a preocupação sem necessidade, uma atitude pessimista em relação à vida ou lembranças de experiências desagradáveis. 
  •  Trânsito: os congestionamentos, os semáforos, os assaltos aos motoristas e a contaminação do ar podem desencadear o estresse. 
  •  Alteração do ritmo habitual do organismo: provoca irritabilidade, problemas digestivos, dores de cabeça e alterações no sono. 
  •  Progresso: a agitação do progresso técnico é acompanhada de aumento das pressões e de sobrecarga de trabalho, aumentando os níveis de exigências, qualitativas e quantitativas. 


 São desses estressores que surgem os principais tipos de estresse que abrangem: 

 Estresse de Trabalho 
 Estresse decorrentes de doenças cardíacas e do câncer 
 Estresse na Infância 
 Estresse de Envelhecimento 

 Os tipos de estresse são variados e não se restringem aos citados acima. Mas é mais marcante no nosso cotidiano o estresse do trabalho. O mundo do trabalho mudou com o avanço das tecnologias. Hoje, o profissional vive sob contínua tensão, pois, além de suas habituais responsabilidades, a alta competitividade das empresas exige dele aprendizado constante e enfrentamento de novos desafios, o que faz com que, muitas vezes, supere seus próprios limites. Isso pode levá-lo ao estresse. O tipo de desgaste à que as pessoas estão submetidas permanentemente nos ambientes e as relações com o trabalho são fatores determinantes de doenças. 

Os agentes estressores psicossociais são tão potentes quanto os microorganismos e a insalubridade no desencadeamento de doenças. Tanto o operário, como o executivo, podem apresentar alterações diante dos agentes estressores psicossociais. 

 A ansiedade decorrente das preocupações pode gerar insônia, comer demasiadamente, ou o contrário, comer pouco demais . Duas formas de preocupações se destacam: uma cognitiva, com idéias preocupantes, e outra somática, como sintoma de suor, coração disparado, tensão muscular etc. 

 O estresse surge quando a pessoa julga não estar sendo capaz de cumprir as exigências sociais, sentindo que seu papel social está ameaçado. Então, o organismo reage de modo a dominar as exigências que lhe são impostas. Entretanto, no mundo moderno, não é socialmente aceitável que o estresse cumpra sua função natural de preparar o indivíduo para a fuga ou para a luta. Tal reação seria considerada inadequada do ponto de vista da adaptação dos seres humanos ante um mundo cheio de conflitos e de pseudo-harmonia. Assim, o homem, ao confrontar-se com um estímulo estressor no trabalho é impedido de manifestar reação, ficando prisioneiro da agressão ou do medo, e é obrigado a aparentar um comportamento emocional ou motor incongruente com sua real situação neuroendócrina. 

Se durar tempo suficiente essa situação de discrepância entre a reação apresentada e o estado fisiológico real, ocorrerá um elevado desgaste do organismo, o que pode conduzir às doenças. Alguns estímulos foram classificados, segundo o tempo necessário para produzirem estresse, em estressores de curto prazo e de longo prazo. 

Entre os estressores de curto prazo temos o fracasso, a carga de trabalho, a pressão de tempo, ameaça, indução do medo etc e, a longo prazo, as situações de competição, serviços em zonas de perigo, trabalho monótono. Várias das patologias hoje estudadas pela Medicina do Trabalho têm íntima correlação com o estresse. 

O desgaste a que pessoas são submetidas nos ambientes e nas relações com o trabalho é fator dos mais significativos na determinação de doenças. Este trabalho não escapa ao conhecimento médico, mas também é fato que o espaço dedicado na anamnese à investigação destes aspectos é pequeno em relação à sua importância. 

 No câncer há um colapso da imunidade e resistência do organismo. O fato dos tumores crescerem ou não está relacionado com a eficiência dos processos de imunidade. Assim, se o sistema imunológico encontra-se "desequilibrado", a probabilidade do desenvolvimento da doença aumenta. Como o sistema imunológico é também controlado pelo sistema límbico, podemos acreditar que o paciente com câncer apresenta todo um conjunto de elementos psicossomáticos. 

 Consequências no Organismo 

 O estresse pode afetar o organismo de diversas formas e seus sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Existe uma sensibilidade pessoal que reage quando enfrentamos um problema, e essa particularidade explica como lidamos com situações desafiadoras, decidindo enfrentá-las ou não. Não são só situações ruins que nos deixam estressados. Todas as grandes mudanças que passamos na vida são situações estressantes, mesmo se elas forem boas e que esteja nos fazendo felizes. 

 A necessidade de ajuste deixa o organismo preparado para "lutar ou fugir", aumentando a pressão arterial e e frequência cardíaca, e contraindo músculos e vasos sanguíneos. Na natureza esta adaptação é necessária visto que o animal precisa tomar uma decisão rápida de defesa ou ataque, mas em se tratando de seres humanos que convivem com diversas situações estressantes, esta reação pode ser prejudicial. 

 O excesso de estresse pode causar desde dores pelo corpo e queda de cabelo até sintomas sérios como hipertensão e problemas no coração. O fato de um evento emocional como o estresse afetar o organismo se deve ao íntimo relacionamento entre o sistema imunológico (defesa), sistema nervoso (controle) e sistema endócrino (hormonal). Por isso um estresse intenso pode afetar qualquer um desses sistemas levando à diversidade dos sintomas do estresse. 



Sintomas Gerais 

 Aqui são apresentadas reações gerais, mas mais informações sobre como o estresse afeta o organismo e sobre a gravidade dos sintomas podem ser encontradas no Teste seu Estresse. 

Físicos 

Dores de cabeça 
Indigestão 
Dores musculares 
Insônia 
Indigestão 
Taquicardia 
Alergias  
Queda de cabelo 
Mudança de apetite 
Gastrite 
Dermatoses 
Esgotamento físico 

Psicológicos 

Apatia 
Memória fraca 
Tiques nervosos 
Isolamento e introspecção 
Sentimentos de perseguição 
Desmotivação 
Autoritarismo 
Irritabilidade 
Emotividade acentuada 
Ansiedade 

Curiosidades 

Estresse social pode matar 

Pesquisadores americanos descobriram que o estresse social pode dar início a um processo de destruição do sistema imunológico, levando à morte. Esta foi a conclusão de uma pesquisa feita com ratos, onde detectou-se que o estresse pode estimular à inflamações perigosas. A descoberta, de acordo com os pesquisadores, pode ser muito importante para os seres humanos. 

Estresse diminui assiduidade no trabalho 

Uma pesquisa publicada na Grã-Bretanha mostra que o estresse está levando os funcionários de empresas a faltarem cada vez mais ao trabalho. O estresse é mais intenso entre pessoas na faixa etária de 35 a 44 anos. O problema aumenta ainda mais entre pessoas que permanecem no mesmo emprego por muito tempo. Os mais estressados estão nas profissões de enfermagem e no magistério. O professor Cooper recomenda que os gerentes de empresas "elogiem e recompensem" seus funcionários ao invés de puní-los, para que o estresse no ambiente de trabalho diminua. 

Estilo de vida - Estresse 

Uma pesquisa divulgada pela Fundação Britânica para o Coração - British Heart Foundation - mostra que o risco de doenças cardíacas é maior do que se esperava para as mulheres que levam vida sedentária. O estresse no trabalho, a depressão e a falta de alimentação adequada são os principais fatores que levam a ataques cardíacos. 

As estatísticas da Fundação para o ano 2000 indicam que o estresse no trabalho - que afeta pelo menos um terço dos homens e mulheres - e a depressão podem prejudicar o coração, mas muita gente acaba piorando as coisas ao tentar buscar alívio. "Fumar, consumir bebidas alcoólicas, alimentos gordurosos, passatempos como assistir à TV, infelizmente são fatores de risco que podem aumentar maciçamente o risco de problemas cardíacos", disse o Professor Andrew Stepped, indicado pela Fundação Britânica do Coração para participar do estudo. Ficar se apressando para ir ao trabalho no dia a dia não é o suficiente. Não é que as pessoas têm que começar a jogar squash imediatamente. Ir à pé de casa até a estação de trem e voltar de novo pra casa à pé pode dar às pessoas a meia hora de exercício físico diário de que elas precisam", disse uma porta-voz da British Heart Foundation. 

Pesquisa mostra que homens são mais predispostos ao estresse 

Uma pesquisa da Universidade de Cambridge mostra que homens podem ser naturalmente mais predispostos ao stress, mesmo antes do nascimento. A pesquisa mostra que a razão pode ser o maior índice do hormônio cortisona entre os homens do que entre as mulheres.Cientistas examinaram os níveis do hormônio em fetos de carneiros e verificaram que os níveis do cortisona são maiores entre os machos do que entre as fêmeas. Eles acreditam que a descoberta, apresentada no encontro anual da Sociedade de Endocrinologia britânica, também pode ser aplicada aos seres humanos e pode explicar porque os dois sexos reagem de forma diferente ao stress. "Há muito tempo nós sabemos que homens e mulheres respondem de forma diferente a condições de stress", explicou o chefe do estudo, doutor Dino Giussani. "Pensava-se que os motivos eram ambientais, mas agora nós mostramos que essas diferenças são determinadas desde o nascimento", afirmou. O estudo com carneiros mostrou que os machos tinham o dobro de cortisona do que as fêmeas. "Este trabalho também mostra que o sexo masculino pode ser mais predisposto do que o feminino a reagir de forma exagerada a condições de stress mais tarde", disse. Giussani disse que o estudo vai agora continuar com fetos humanos. Estresse no trabalho, dor nas costas Uma rotina de trabalho estressante pode ser a causa da dor nas costas de muita gente. Um estudo da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, mostra que as pessoas estressadas acabam usando os músculos errados na hora de pegar alguns objetos. Se essa pessoa for levantar algo pesado, pode acabar com uma dor nas costas. Além disso, os pesquisadores acreditam que algumas pessoas com certos tipos de personalidade têm maior tendência a dores nas costas. Esse é o caso das pessoas mais introvertidas - descoberta que deixou intrigados os cientistas. 

Estresse e cafézinho 

 Tomar muito café prejudica a produtividade no trabalho, de acordo com uma pesquisa encomendada por uma fábrica de água mineral.Segundo os pesquisadores, o consumo de 3,5 xícaras de café acarreta lapsos de concentração e ajuda a aumentar o stress. Os resultados da pesquisa também condenam o excesso de chá, que, de acordo com os pesquisadores contratados pela fabricante de água mineral Volvic, produz efeito similar aos do café por meio do aumento do nível de cafeína no organismo. A pesquisa foi feita com mil pessoas que trabalham em escritórios. Desse total, 76% disse que tomava café, chá ou refrigerantes que contêm cafeína pelo menos três vezes por dia. 

 Teste 

A evolução do estresse se dá em três fases: alerta, resistência e exaustão. 

Neste teste é avaliada em que fase o seu estresse se encontra com base em alguns sintomas que costumam estar relacionados a cada uma delas. 

É importante alertar que as formas pelas quais o estresse se manifesta podem mudar muito de pessoa para pessoa e que este teste é apenas uma referência. Em caso de dúvida deve-se procurar um médico para um aconselhamento mais preciso. 

Fase de alerta 

A primeira fase ocorre quando o indivíduo entra em contato com o agente estressor e o seu corpo perde o seu equilíbrio. 

Tem-se os seguintes sintomas: 

Mãos e/ou pés frios 
Boca seca 
Dor no estômago 
Aumento de sudorese 
Tensão e dor muscular por exemplo na região dos ombros 
Aperto na mandíbula/ranger os dentes ou roer unhas/ponta da caneta 
Diarréia passageira 
Insônia 
Taquicardia 
Respiração ofegante 
Hipertensão súbita e passageira 
Mudança de apetite 
Agitação 
Entusiasmo súbito 

Se você tem menos que 7 desses sintomas é possível que o seu corpo não esteja sendo afetado pelo estressor. 

Lembramos mais uma vez que este teste não é muito preciso e que casos de estresse podem se manifestar de formas diferentes. 

Se você tem 7 ou mais destes sintomas é provável que já tenha atingido a fase de ALERTA. Continue o teste. 

Fase da resistência 

Na segunda fase o corpo tenta voltar ao seu equilíbrio. 

O organismo pode se adaptar ao problema ou eliminá-lo. 

Tem-se os seguintes sintomas: 

Problemas com a memória 
Mal-estar generalizado 
Formigamento nas extremidades 
Sensação de desgaste físico constante 
Mudança de apetite 
Aparecimento de problemas dermatológicos 
Hipertensão arterial 
Cansaço constante 
Gastrite prolongada 
Tontura 
Sensibilidade emotiva excessiva 
Obsessão com o agente estressor 
Irritabilidade excessiva 
Desejo sexual diminuído 

Se você tem menos que 4 desses sintomas sua fase de estresse é de ALERTA. 

Se você tem 4 ou mais destes sintomas você provavelmente já atingiu a fase de alerta e ultrapassou. Continue com o teste. 

A Fase da Exaustão 

A exaustão é a terceira fase do estresse. 

É perigosa pois se tem diversos comprometimentos físicos em forma de doença. 

Os sintomas são: 

Diarreias frequentes
Dificuldades sexuais 
Formigamentos nas extremidades 
Insônia 
Tiques nervosos 
Hipertensão arterial confirmada 
Problemas dermatológicos prolongados 
Mudança extrema de apetite 
Taquicardia 
Tontura frequente 
Úlcera 
Impossibilidade de trabalhar 
Pesadelos 
Apatia 
Cansaço excessivo 
Irritabilidade 
Angústia 
Hipersensibilidade emotiva 
Perda ou alterações do senso de humor 

Se você teve menos que 9 desses sintomas nos últimos três meses sua fase de estresse é RESISTÊNCIA. 

Se você teve 9 destes sintomas nos últimos três meses sua fase de estresse é EXAUSTÃO e deve-se procurar ajuda médica. 

Se você se enquadra em alguma das fases aqui mostradas deve-se procurar alguma forma de tratamento adequado. 

Tratamentos 

Tratamentos convencionais 

Remédios 

Somente um profissional poderá indicar o melhor remédio para cada caso, porém os mais utilizados são: calmantes, anti-depressivos entre outros. 

 Alimentação 

Durante o processo de estresse, o organismo perde muitas vitaminas e nutrientes, portanto para repor essa perda é recomendado comer muitas verduras e frutas, pois são ricas em vitaminas do complexo B, vitamina C, magnésio e manganês. Brócolis, chicória, acelga e alface são ricos nesses nutrientes. O cálcio pode ser reposto com leite e seus derivados. 

 Atividade Física 

Qualquer atividade física proporciona benefícios ao organismo, melhorando as funções cardiovasculares e respiratórias, queimando calorias, ajudando no condicionamento físico e induzindo a produção de substâncias com caráter relaxante e analgésico, como a endorfina. Segundo pesquisas realizadas na UNIFESP-EPM, a atividade física mais eficaz é a natação, pois além de obter todos os benefícios do esporte, tem menores riscos de lesões. 

Tratamentos não convencionais 

Medicina alternativa consiste em tratamentos não convencionais, ou seja, não há uso de remédios ou cirurgia. Entre estes tratamentos alternativos podem ser citados: fitoterapia, acupuntura, cromoterapia, reiki, entre outros. 

Alguns deles não são aceitos na comunidade científica ou por médicos. Apesar disto, em algumas pessoas estes tratamentos podem ter um efeito placebo. Esse efeito consiste em uma modulação psíquica do sistema imunológico. 

Fitoterapia 

Este é um tratamento feito com plantas. Apesar de natural, dependendo da dose pode causar intoxicação. Algumas plantas recomendadas para o combate ao estresse são: melissa, rosa branca, valeriana, maracujá. 

 Acupuntura 

Esta é uma técnica chinesa que consiste em aplicações de agulhas em locais específicos do corpo estimulando neurônios que ativam vários sistemas, como endócrino e o imunológico. Isto tem como resultado uma melhora geral do corpo. 

 Reiki 

É uma técnica japonesa que consiste em reequilibrar a energia do corpo. As trocas de energias são feitos entre as mãos e pontos energéticos específicos (chakras). 

 Massagem 

Há várias técnicas de massagem, dentre elas podem ser citadas shiatsu, quick massage dentre outras. Todas as técnicas de massagem tentam promover um equilíbrio físico, mental e energético. 

 Dança / Bioenergética 

Através de movimentos de expressão corporal, cria-se um processo de harmonia com o corpo, mente e espírito. 

 Aromaterapia 

É um tratamento feito a base de aromas. Alguns odores causam prazer ajudando a restabelecer a saúde. 

 Cromoterapia 

É um tratamento feito com cores. As ondas eletromagnéticas que as cores emitem, ativam a imaginação, trazendo uma reação positiva ao organismo. As cores indicadas para o estresse são: verde, violeta e azul. 

 Fonte: http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2001/grupo2/index.htm




E PARA SE LIBERTAR DO ESTRESSE...

ACESSE AQUI:

Meditação para transformar Insônia em Sono Reparador

http://www.sandrabellezanovelli.com/2013/04/meditacao-para-transformar-insonia-em.html



Meditação para relaxar Corpo e Mente


http://www.sandrabellezanovelli.com/2013/03/meditacao-para-relaxar-o-corpo-e-mente.html

Saúde / Atenção: não se estresse! Entrevista com Dr. Cícero Coimbra



A Ciência admitia a idéia de que o estresse provocava apenas alterações funcionais no sistema nervoso, mas agora se sabe que ele dá origem a alterações estruturais e a processos degenerativos.


Nesta entrevista, Dr. Cícero Coimbra nos fala sobre a influência do estresse na destruição de neurônios, resultando nas doenças neurodegenerativas que habitualmente atribuímos à velhice, como Doença de Parkinson,  Alzheimer, doenças autoimunes, etc. 

Em contraposição, demonstra o papel da serenidade na produção de novos neurônios e consequente preservação ou cura da saúde do cérebro e dos tecidos nervosos. 

A gênese de neurônios feita pelas células tronco cerebrais, que existe para repor neurônios perdidos, é propiciada pela tranquilidade emocional e bloqueada pelo estresse, pela ansiedade, depressão e sofrimento continuados, o que ocasiona inúmeras graves enfermidades. 

Em resumo, o estresse constante mata neurônios e impede que nasçam outros em substituição.

Idosos mais serenos são mais saudáveis e mais ativos. Esta atitude também contribui para manter a juventude do cérebro, porque estimula a produção de células. 

O cérebro, assim como um músculo, se desenvolve com exercício e se atrofia com a inércia.

Dr. Cícero também aborda a relação entre insuficiente luminosidade solar e incidência de doenças autoimunitárias. 

A luz solar sobre a pele produz vitamina D em grande quantidade, e esta impede que o próprio organismo se ataque a si mesmo (doença autoimune). Mas o estilo de vida moderno não expõe o corpo à luz solar em quantidade suficiente, o que eleva o índice de aparecimento dessas moléstias. O grau de virulência das moléstias depende da quantidade de vitamina de D presente no sangue.


A depressão também está associada a falta da luz solar e da vitamina D. A vitamina D não apenas controla a agressão do sistema imunológico contra nosso próprio organismo como também tem outros efeitos benéficos sobre o sistema nervoso.


Vamos aproveitar o nosso maravilhoso Sol !!!!!

sábado, 13 de outubro de 2012

Temos que aprender...


We must learn to let go of old emotional baggage that prevents us from being able to receive and move forward in life. 
Temos que aprender a soltar a bagagem emocional velha que nos impede de ser capazes de receber e seguir em frente na vida. 

When you forgive fully you are then able to learn from the experience and take responsibility for your part in it. #forgiveness 
Quando você perdoar totalmente você estará preparado a aprender com a experiência e assumir a responsabilidade por sua parte nela. #perdão 

Our all too human mistakes create ripples that open opportunities for other people to have their human experience. #were all human 
Todos os nossos erros demasiado humanos criam ondulações que oferecem oportunidades para que outras pessoas tenham sua experiência humana. # somos todos humanos 

We can walk gently but powerfully on this earth plane, moving with a consciousness, love and respect for all life. 
Podemos andar gentil mas poderosamente neste plano terrestre, movendo-se com consciência, amor e respeito por toda a vida. 

Once you clear, align with, begin to consciously live through your heart, you'll become a conscious co-creator of your world. 
Depois de limpar, de se alinhar com, e começar a viver conscientemente através do seu coração, você vai se tornar um cocriador consciente de seu mundo. 

Our ego mind holds us strongly within the 3rd dimensional illusion.We must release this habit of holding onto the mind. #heart 
Nossa mente do ego nos mantém fortemente dentro da ilusão de terceira dimensão. Devemos liberar este hábito de se agarrar a mente. #coração 

Whatever you want to create in your life, open to receive the living energetic of your creation through your sacred heart. 
Tudo o que você deseja criar em sua vida, abra-se para receber a energia vivente de sua criação através do seu coração sagrado. 

You are your own healer and only you can align with that loving, light aspect of your Self. No one else can do it for you.
Você é seu próprio curador e só você pode se alinhar com esse amor, aspecto da luz do seu Ser. Ninguém mais pode fazer isso por você. 

As you come to live more and more in the heart, you will begin to experience a change in how you meet life's surprises. #no fear 
À medida que você vir a viver mais e mais no coração, você começará a experimentar uma mudança na forma como você se encontra com as surpresas da vida. #Não tema 

When in doubt always bring your consciousness to your heart and breathe. Thoughts NOT from your ego mind will grow stronger. 
Em caso de dúvida sempre traga a sua consciência para o seu coração e respire. Os pensamentos que não vem da sua mente do ego crescerá mais forte. 

When you move out of separation you create a natural opening to receive the abundance that has been always waiting for you. 
Quando você sai da separação; você cria uma abertura natural para receber a abundância que sempre esteve esperando por você. 

Vulnerability brings you into a place of strength and clarity that allows you to stand close to Spirit; your own sacred heart. 
A vulnerabilidade o leva a um lugar de força e clareza que lhe permite ficar perto de Espirito; do seu coração sagrado. 

Your cells need love; the light of the Self brings that love — awakening; activating the individual consciousness of each cell. 
Suas células precisam de amor e a luz do Ser traz esse amor - despertando e ativando a consciência individual de cada célula. 

Honor whatever feeling is inside of you remembering that the feeling is not who you are and cannot hurt you. #feelings just are 
Honre qualquer sentimento que está dentro de você; lembrando que o sentimento não é quem você é e não pode te machucar. # São apenas sentimentos 

Anger is one of the hardest emotions for us to allow ourselves to feel as there is a social stigma attached to expressing anger. 
A raiva é uma das mais difíceis emoções que nós nos permitimos sentir pois há um estigma social associado à expressão de raiva. 

When you activate your place in the Universal Grid your unique signature expands outwards into the Universe. #Energy Signature 
Quando você ativa o seu lugar na Grade Universal, a sua assinatura exclusiva se expande para fora para o Universo. # Assinatura Energética 

To understand your mission or path in life it is essential that you bring your attention inwards. 
Para entender sua missão ou caminho de vida, é essencial que você traga sua atenção para dentro. 

As you energetically anchor new alignments you'll become more conscious of your true Self as you live here on this earth plane. 
À medida que você energicamente ancora novos alinhamentos; você se tornará mais consciente de seu verdadeiro Eu, conforme você vive aqui neste plano terrestre. 

The most powerful statement you can make are the words, I AM. These simple words, spoken consciously, activate a truth. 
A declaração mais poderosa que você pode fazer são as palavras, EU SOU. Estas simples palavras, ditas conscientemente, ativam a verdade. 

The focus on forgiveness is usually on the other person, when in reality the focus first needs to be self-forgiveness. 
O foco sobre o perdão geralmente é sobre a outra pessoa, quando na realidade o primeiro foco precisa ser o auto-perdão. 

In order for you to open up more completely to a new level of yourself, you need a working relationship with your inner child. 
Para que você se abra mais completamente a um novo nível de si mesmo, você precisa de um relacionamento de trabalho com a sua criança interior. 

You are “perfectly imperfect” as a human being; you are going to make mistakes. It's okay because #everybody does. 
Você é "perfeitamente imperfeito"; como um ser humano, você vai cometer erros. Está tudo bem pois todos cometem. 

You cannot control situations that arise or what other people will do. But you can choose how you will meet each experience. 
Você não pode controlar as situações que surgem ou o que os outros vão fazer. Mas você pode escolher como você conhecerá cada experiência. 

We must learn to let go of old emotional baggage that prevents us from being able to receive and move forward in life. 
Temos que aprender a soltar a bagagem emocional velha que nos impede de ser capazes de receber e seguir em frente na vida. 

Vulnerability brings you into a place of strength and clarity that allows you to stand close to Spirit; your own sacred heart. 
A vunerabilidade te coloca num espaço de força e clareza que lhe permite estar mais próximo de Deus e de seu coração sagrado. 

It’s time to activate a blueprint for yourself to manifest what you want for in this life, achieve your heart’s desire. #go for it 
É hora de ativar um modelo para si mesmo para manifestar o que você quer na vida e realizar o desejo do seu coração. # vá em frente 

 Christine Day

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A Religião do Futuro


A segunda palestra, A Religião do Futuro, examina o conteúdo da religião transformada, em seu registro secular. O tema central é a necessidade e o potencial para uma revolução na nossa crença religiosa. Dois obstáculos dificultam pensar sobre a religião. O primeiro deles é o tabu contra a crítica religiosa da religião. As origens deste tabu encontram-se na privatização da religião e no fim das guerras religiosas do início do período moderno. O segundo obstáculo a ser superado é a atitude sentimental em relação à religião. Na prática, a atitude sentimental em relação à religião é útil para uma democracia social institucionalmente conservadora. Ela serve para manter as aparências: trata-se de um aprimoramento metafísico dos mesmos preconceitos morais frequentemente apoiados pelo humanismo secular predominante.

The second lecture, The Religion of the Future, examines the content of the transformed religion, in its secular register. My central theme throughout is the need and the potential for a revolution in our religious beliefs. Two obstacles make it difficult to think about religion. The first obstacle is the taboo against the religious criticism of religion. The origins of this taboo lie in the privatization of religion and the overcoming of the religious wars of the early modern period. The second obstacle to overcome is the sentimental attitude to religion. In practice, the sentimental attitude to religion serves an institutionally conservative social democracy. It is window dressing: a metaphysical upgrade of the same moral prejudices habitually embraced by the prevailing secular humanism.


O argumento retomado

1. O meu tema na primeira palestra foi o motivo, a ocasião e o objetivo de uma revolução na consciência religiosa da humanidade. Meu tema nessa segunda leitura é o programa dessa revolução.

Eu descrevi as três principais orientações na historia religiosa da humanidade. A terceira — que eu chamei de batalha com o mundo — tem aparecido, não apenas no começo, mas repetidamente e mais frequentemente como uma forca revolucionária. Nos últimos séculos, ela tem ajudado a iniciar e influenciar ideologias seculares de emancipação, que afetaram grande parte da humanidade, e também a cultura romântica popular mundial, que ajudou a ensinar a todos os seres humanos que eles estão destinados a ter uma vida grandiosa apesar das circunstâncias que parecem dizer o contrário.

A nossa lealdade a essa visão pode ser validada somente dentro de um sentido estrito, no qual qualquer visão mais ampla do nosso lugar no planeta pode ser sustentada: pela incitação combinada de várias formas de experiência e de uma maneira que nunca inteiramente a livra de ser uma aposta e uma profecia que se auto-realiza. Além do mais, a sua ascendência deve ser qualificada. Em vários aspectos, o que eu chamei de humanização do mundo, em vez de batalhar com ele, tem uma presença mais forte nas ideias e atitudes consagradas nas interpretações praticas convencionais de varias religiões — incluindo o Cristianismo — que eu associo com a orientação batalha-com-o-mundo. Ela também dita o tom e direção da humanismo secular prevalente. O que falta a essas crenças humanizantes, no entanto, apesar da sua imensa influência, é o poder da iniciativa; elas não, e eu creio que elas não devem, determinar a agenda.

No cerne do programa revolucionário espiritual encontramos os dois temas relacionados que sempre foram vitais para a batalha contra o mundo: a substituição do amor pelo altruísmo como o principio organizador da vida moral e a concepção do indivíduo e humanidade como sendo moldado e ao mesmo tempo sendo capaz de transcender o contexto, ou como sendo, de acordo com a antiga linguagem teológica e metafísica, uma colocação, uma personificação, do infinito dentro do finito.

Essas ideias – amor e infinito — são conectadas de uma maneira que nos incitam a mudar o mundo. Nós o mudaríamos para tornar as nossas vidas e circunstâncias mais parecidas com a visão. Nós também o mudaríamos porque a própria batalha nos tornaria mais divinos. Ela aumentaria a nossa parcela de divindade. Ela vira o jogo contra a experiência de desdenho, precisamente o que esta revolução busca desafiar e superar.

2. Eu desenvolvo o argumento seguindo determinados passos. Eu descrevo as duas maneiras que podem ser usadas para levar a cabo a revolução espiritual. Uma – o caminho sagrado — continua a depender da narrativa da intervenção redentora divina na história. A outra – o caminho profano — não depende em nenhuma narrativa desse tipo e por isso leva ao limite a ideia de que tudo não esta tão bem afinal de contas.

A maior parte dessa palestra lida com o conteúdo deste caminho profano.

O caminho sagrado e o profano

1. A revolução pode proceder com ou sem um apelo à fé nas ações redentoras de Deus na história. A diferença entre fazer tal apelo e evitá-lo importa, por dois motivos.

Em primeiro lugar, importa por causa da autoridade. A narrativa de intervenção divina cria disputas em torno de uma autoridade moldada pelo papel de agentes humanos na interpretação e transmissão da obra salvadora de Deus. Nenhuma narrativa, nenhum privilégio. A oportunidade então se abre não apenas ao sacerdócio de todos os devotos, à maneira da reforma Protestante, mas também a uma afirmação do poder profético de todos os homens e mulheres, no espírito da democracia.

Em segundo lugar, importa por causa da substância. A história da intervenção divina nos diz que a habilidade de abrir e visualizar o caminho só está parcialmente em nossas mãos. A maior parte da salvação vem depois e está escondida no fim dos tempos e na fase que vem depois da vida humana. A rejeição dessa visão nos força a aceitar a noção de que só existe uma perspectiva de salvação — ou resposta – na medida em que nós somos capazes de providenciar uma. Não existe mais ninguém, só nós. Não existe ninguém lá em cima nos protegendo.

A pecha de Pelagianismo sempre irá pairar sobre aquele que propuser o caminho profano nos olhos daqueles que escolhem o caminho sagrado e não importa o quão insistente ele pode ser ao negar o nosso poder de criar um desfecho para historia através de uma reconciliação definitiva dos conflitos e contradições que nos afligem. De sua parte, o viajante do caminho secular, verá o devoto, com que ele compartilha a ambição transformativa, como uma vitima do principio de William James que diz que as pessoas acreditam em tudo que elas podem acreditar, e suspeitam que ele está envolvido numa fantasia de edificação e auto-decepção que ameaça abrandar e mudar o foco do impulso revolucionário.

2. Apesar das diferenças significativas que os separam, o caminho sagrado e caminho religioso para iniciar a revolução são mais semelhantes entre si do que a probabilidade de qualquer um deles se assemelhar ao humanismo secular predominante ou às formas fossilizadas de pratica e crença religiosa. A razão é ao mesmo tempo simples e fundamental: a consciência que a visão evocada na ruptura dos religiosos convencionais e os humanistas seculares, e sujeita a um impulso radicalizante dos aspirantes a revolucionários, continua incompatível com muito do que nós pensamos, de como nos vivemos e de quem nos somos.

Eu proponho uma visão do conteúdo da revolução do ponto de vista do caminho maneira profano. Eu também gostaria de acreditar, mas eu não posso. Eu espero que a atitude sentimental para com a religião, com a sua busca mentirosa por um centro de reabilitação entre a verdade e a inverdade das crenças religiosas, não vai ter muitos adeptos numa humanidade futura.

3. O que ganhamos ao chamar a forma profana da revolução de uma mudança na consciência religiosa da humanidade – dado que o conceito da religião não possui um núcleo estável?

Em primeiro lugar, o objetivo aqui consiste em enfatizar a proximidade com a tradição que eu descrevi como batalha com o mundo. A mensagem daquela tradição precisa ser radicalizada por uma superação de restrições – institucionais e intelectuais — que agora restringem o seu alcance e empobrecem o seu significado. No entanto, a radicalização representa uma melhora pois ela significa uma ruptura. O que gera a aceitação ou rejeição de uma narrativa de intervenção divina na história gera o assunto em disputa entre os revolucionários sagrados e os seculares.

Em segundo lugar, o objetivo é enfatizar o quanto o programa da revolução tem em comum com duas das características que nós associamos com a religião. Uma dessas características é o escoramento de uma orientação existencial numa visão do nosso lugar no planeta. A outra característica é o caráter fragmentário, complicado e limitado da justificação que a crença religiosa pode reivindicar. O programa profano que eu insisto em chamar de revolução religiosa oferece uma visão da direção na qual nós podemos mudar quem somos e como nós nos vemos, e ela conecta o seu programa espiritual e institucional com uma certa maneira de lidar com mortalidade e a contingência. Ela requer que nós adotemos uma posição antes de termos, de acordo com os padrões do discurso racional, uma base que a sustentar nossa posição.

Como seria o caminho sagrado para levar adiante a revolução religiosa?

1. Visto que, como um número crescente pessoas no mundo, eu não sou um crente, e visto que, ao contrário de muitas delas, eu não finjo que existe uma posição intermediária entre acreditar e não acreditar, eu proponho uma descrição do programa da revolução religiosa na sua forma secular. Eu começo, no entanto, sugerindo quais seriam algumas das características da voz sagrada da revolução religiosa. Com esse propósito foco, eu me valho da única religião que eu conheço intimamente, por assim dizer, por dentro: o Cristianismo. Eu falo como se fosse cristão, e, particularmente, católico, teólogo que não sou. O que me encoraja a fazê-lo é a confiança na afinidade entre as rotas sagradas e profanas que levam à revolução religiosa que eu comecei a descrever. Nesse exercício, eu me movimento, em fragmentos, das implicações políticas e morais para o núcleo da concepção e método teológico.

2. O ensinamento social da igreja teria como foco a rejeição das instituições políticas, econômicas e sociais atuais, por causa das razões enumeradas na última palestra e elaboradas nesta. Um ponto decisivo é a recusa para simplesmente atenuar as consequências da estrutura de classe.

Considere, à guisa de exemplo, a trajetória da doutrina social católica. Partindo do seu foco em direitos sociais no fim do século XIX, sem qualquer estrutura institucional de organização política e econômica capaz de cumprir essas promessas, ela prosseguiu para o comunitarianismo corporatista das encíclicas papais entreguerras. Após essa doutrina ser desacreditada, o ensinamento social da igreja católica voltou, no fim do século XX, para o caráter vacuidade institucional no qual se encontrava no fim do século XIX. O que é necessário hoje é um programa para democratizar a economia de mercado e aprofundar a democracia política através de inovações nas formas institucionais do mercado e da democracia. (Tal tentativa seria muito diferente da combinação de conservadorismo institucional ou agnosticismo e igualitarianismo redistribuitivo que marcaram as tendências dominantes na filosofia política anglo-americana nas ultimas décadas.)

A relação passiva de muito do ensinamento social cristão com as formas de organização social econômica é análoga à espiritualização crista do feudalismo europeu. Trata-se de uma acomodação que camufla as tensões manifestas entre a visão profética e a estrutura vigente.

3. Durante séculos, a agitação e reordenamento da doutrina cristã contra a moralidade convencional regrada da época, e também contra a história dessa moralidade das instituições sociais herdadas, encontrou inspiração numa redescoberta e reinterpretação da ênfase Paulina e Agostina na fé contra a razão, na graça contra a obra e no amor contra a lei. O resultado tem sido o surgimento de uma confusão no que tange um assunto vital à religião.

Instituições e regras, se insuladas contra contestações e mudanças, se tornam instrumentos de uma idolatria contrária ao espírito. Mas a religião cristã tem que ser tão contra um antinomianismo que trata toda repetição, regra e estrutura institucional como o toque de Midas que acaba com o espírito quanto o é contra a idolatria de instituições estabelecidas. A “via negativa” do antinomianismo institucional deságua num abandono do mundo, acima do mundo social, claramente em contradição com os principais ensinamentos da religião. (Essa é a heresia, uma doutrina de desespero, na qual o grupo Paulino-Agostiniano sempre corre o risco de cair. Nós vemos sinais dela em pensadores do século XX tão distintos quanto Karl Barth e Jean-Paul Sartre.) A simples oposição entre o espírito e estrutura (ou repetição, regra e instituição) tem que ser superada por uma mudança progressiva na relação entre a estrutura e o espírito, na vida do indivíduo e também na organização da sociedade.

O ponto, ao fim e ao cabo, é insistir na incorporação do espírito no mundo. Tal incorporação não pode ocorrer enquanto o espírito paira sobre o mundo cujas rotinas ele é incapaz de penetrar e transformar.

Uma das implicações práticas dessa visão é o peso teológico do experimentalismo, sobre a extensão de cada vida individual e também sobre a organização da sociedade. A abertura ao novo está relacionada à abertura a outras pessoas.

4. Ao colocar a autotransformação e a transformação da sociedade no contexto de uma narrativa das obras redentoras de Deus na história, nós afirmamos um princípio de esperança radical. As transações entre Deus e a humanidade podem ser compreendidas somente através de uma comparação com as transações entre pessoas. Contudo, elas dão a essas transações um grau de abertura, de possibilidade, de profundidade, de importância, que sem elas normalmente não teriam, ou a teriam de uma maneira muito mais limitada.

A esperança é a esperança de que o mundo, especialmente o mundo humano, pode ser penetrado e transformado, o que significa, na linguagem teológica, que ele pode ser redimido. O cristão vive para esse futuro, mas ele vive para ele como uma maneira de viver no momento, e ele vive para ele à luz de algo que já aconteceu.

5. O Deus de Abraão acima do Deus dos filósofos. O enigma escandaloso do Deus pessoal e a sua obra histórica acima do racionalismo reconfortante da divindade impessoal. O tempo nesse mundo real e único acima da eternidade de muitos mundos possíveis.

O cristianismo pode ser de fato finalmente liberado da influência da filosofia grega. Ele deve se livrar dela, no entanto, de uma forma que considere a mensagem da intervenção divina e da reconciliação como o aprofundamento e expansão de algo que nós já conhecemos, imperfeita e obscuramente, na nossa experiência humana secular de encontro e conexão e que é, portanto, capaz de elucidação parcial. A sua teologia não pode acabar numa celebração da obscuridade.

6. O que justifica denominar uma transformação de crenças com tais características de revolução é a sua combinação de mudança na visão espiritual, no método teológico, no programa institucional e na atitude existencial.

7. Tendo sugerido, na condição de descrente solidário, possíveis características da revolução na sua forma sagrada, eu agora passo a uma descrição do programa que, na sua forma profana, ela colocaria em marcha. O programa é composto por quatro partes. Chamá-las-ei de: a tomada do poder, a transformação, a autotransformação e a recompensa.

A tomada do poder

1. A primeira parte do programa consiste no despertar do estado semi-consciente no qual normalmente vivemos nossas vidas. Ela tem como objetivo nos arrancar das rotinas consoladoras da sociedade e da cultura. Ao encarar a morte de frente e o fato de que vivemos num mundo desprovido de bases sólidas — com a realidade da mortalidade e com o mistério do nosso lugar num mundo que nós somos incapazes de compreender por completo, que existe num espaço temporal cujo começo e fim nós não podemos alcançar — corremos o risco de recuar de uma maneira covarde e humilhante para uma vida que é empobrecida através do enfraquecimento da consciência. A vida, vivida no agora, é tudo que temos. Ao desperdiçá-la, tudo perdemos.

Praticamente todos os grandes pensadores da nossa tradição escreveram sobre essa característica básica da nossa experiência. Trata-se, por exemplo, do “divertissement” de Pascal ou do “Zerstreuung” de Heidegger.

2. E o que devemos fazer a respeito? Parte, mas apenas parte da resposta poderemos encontrar nas ideias e histórias que eles informam. O começo e o fim das ideias deve ser o reconhecimento da mortalidade e da falta de fundamentos, sem a anestesia das teologias e filosofias preocupadas apenas em nos fazer sentir bem.

Ideias sem conteúdo e não concretizadas não são, no entanto, o suficiente. Muitos soldados alemães educados carregavam o Ser e Tempo nas suas mochilas no front da Segunda Guerra Mundial. Suspeitamos que se não fosse o Ser e Tempo seria um exemplar de outra coisa, qualquer coisa capaz de descrever as experiências que nos colocam no limite do que nos podemos ver e resistir. Não foi o texto que fez isso. Foi à guerra.

3. As ideias precisam ser suplementadas pelas práticas: as práticas institucionalizadas da sociedade e as práticas discursivas da cultura. Tais práticas precisam servir como estandartes da nossa tomada de poder auto-infligida, para que possamos ser ao mesmo tempo os depositores e os depostos.

Elas devem ter um atributo distinto e compartilhado. Nós normalmente conseguimos distinguir entre nossas ações de preservação ou contestação ou revisão do contexto. Nós estamos acostumados a nos mover dentro de uma estrutura de arranjos e pressupostos que nós tomamos como dada. Excepcionalmente, desafiamos e revisamos a estrutura por meios que são inevitavelmente apenas incrementais, mas que podem se tornar, pelo seu movimento direcionado e reiterado, radicais no seu efeito transformativo.

A distância entre essas duas classes de atividades não é constante. Ela varia. A distância depende da organização da sociedade e da cultura e, certamente, da alta cultura de cada uma de suas disciplinas. Quanto maior a distancia, quanto mais a mudança dependerá da crise.

Para favorecer a tomada do poder, não como um evento único, mas como um processo contínuo, nós precisamos trabalhar no sentido de diminuir a distância. Nós devemos preferir que as práticas de revisão de contexto sejam causadas, mais pronta e continuamente, pelo exercício das práticas de preservação de contexto. Uma das consequências será o fato de que a mudança dependerá menos da crise para tornar o impulso revisionista mais inerente a nossa experiência. Nós seremos então mais livres e maiores: assim, essa derrubada ergue ao mesmo tempo em que nos arranca da condição atual.

Teríamos pouca perspectiva de desenvolver e disseminar tais práticas caso elas não servissem vários outras sortes de interesses morais e materiais e não apenas nosso interesse espiritual pela tomada de poder: nossos interesses no desenvolvimento de nossas capacidades práticas e no enfraquecimento de divisões e hierarquias sociais enraizadas. Aqui, então, encontra-se um ponto de contato entre os motivos da revolução religiosa inicial — a que deu a luz às três orientações religiosas dominantes históricas que eu descrevi — e a revolução que nós temos a obrigação de concretizar.

3. Como estou numa grande universidade, nem precisaria dizer que tal esforço é contrário às tendências racionalizadoras, humanizadoras e escapistas que comandam as ciências sociais e a área de humanas, já que os grandes relatos da ascensão da humanidade, sustentados pelas mais ambiciosas e esperançosas teorias sociais do passado deixaram de ser críveis. Essas tendências racionalizadoras, humanizadoras e escapistas parecem se antagonizar. Na verdade, elas funcionam de forma concertada para desarmar a imaginação transformativa. Na mesma veia, elas colocam a mistificação no lugar da compreensão.

A transformação

1. A segunda parte da revolução diz respeito à mudança nas instituições da sociedade. Existem três males que tem de ser confrontados: as divisões e hierarquias sociais que menosprezam e apequenam a vida — particularmente a sua estruturação em classes; a restrição da solidariedade à família e, para além da família, à conexão tênue do dinheiro; e o fato da mudança depender da crise. Desses, o terceiro é ao mesmo tempo o mais remoto das preocupações imediatas da vida social e o que possui a relação mais íntima com a religião do futuro.

Os males estão causalmente conectados pela sobreposição de suas condições causais. Cada um dos problemas tem uma relação íntima com um conjunto de inovações institucionais. Contudo, cada série de inovações afeta todos os problemas.

1. O mal da desigualdade enraizada e obstrutora de oportunidades está mais intimamente associado à necessidade de reconstruir o conteúdo institucional da economia de mercado. Nós não podermos construir uma economia de mercado mais inclusiva sem inovações nas instituições que a organizam. (Os americanos tentaram isso, no começo do século XIX ao organizarem uma forma de agricultura familiar combinado a um sistema descentralizado de bancos e crédito). Nós precisaríamos inovar a estrutura que governa a relação entre governos e firmas e a estrutura que molda as relações entre produtores. Regimes diferentes de propriedade privada e social teriam que coexistir em caráter experimental dentro da mesma economia de mercado. Para ampliar o acesso às formas mais avançadas e experimentais de produção e aprendizado que estão emergindo, em conjunto, no mundo seria uma das ambições principais deste programa institucional.

O potencial transformativo de tais reformas só seria realizado na medida em que fosse combinado com uma reformulação da educação. Tal reformulação reconciliaria a administração local das escolas com padrões nacionais de investimento e qualidade. E ela insistiria num método de ensino e aprendizado que fosse cooperativo e dialético (sempre procedendo via o contraste de pontos de vista opostos) e também analítico e focado em problemas.

2. O fracasso da solidariedade fora do círculo familiar não pode ser remediado apenas com transferências de dinheiro. Ela requer o desenvolvimento e aplicação do princípio que todo adulto capaz deve, durante certos períodos da sua vida ou por parte do seu tempo, sempre ser responsável por ajudar a cuidar de pessoas fora da sua família, de acordo com o seu talento e disposição. Dinheiro, sem tempo e engajamento, não é o suficiente para fornecer para cada indivíduo uma resposta para a questão mais importante: onde estão os outros?

Ao insistir na primazia dessa questão ficamos cara-a-cara com a fraqueza humana em todas suas formas e damos as costas à idolatria do poder que poderia corromper a religião do futuro.

Dessas considerações surge o argumento favorável para o serviço social voluntário e também obrigatório.

3. Todas as nossas instituições – as econômicas, sociais e políticas — em todas as sociedades, no mundo inteiro, estão organizadas de uma maneira que torna a transformação dependente do trauma, tradicionalmente na forma da ruína ou guerra. Não é necessário que seja assim, ao menos não numa medida imutável. Esta medida, por sua vez, depende da organização da sociedade. Entre nossas instituições, nossos arranjos políticos são especialmente importantes, especialmente numa democracia, pois eles ditam as regras que utilizamos para mudar todos os outros arranjos.

A consequência mais abrangente do fato da mudança ser dependente da crise é a criação de uma situação em que, a cada passo dado, somos obrigados a escolher entre o engajamento e a resistência, entre a aceitação dos outros e a manutenção do direito de ter a última palavra. Enquanto estivermos obrigados a tomar esse tipo de decisão, não poderemos atender ao chamado de estar no mundo sem ser do mundo.

Uma democracia altamente energética e vibrante é o projeto necessário para lidarmos com esse problema dadas as condições históricas atuais. Tal democracia seria definida por cinco grupos de inovações institucionais. Um grupo incrementaria o nível de engajamento cívico organizado. Ele aumentaria a temperatura da esfera política. O segundo grupo providenciaria meios para resolver impasses entre os poderes do governo, seguindo o princípio liberal da fragmentação de poder e ao mesmo tempo repudiando o compromisso conservador (consagrado, por exemplo, no esquema de Madison) de desacelerar a política sob o falso estandarte da liberdade. Haveria uma aceleração do compasso da política. O terceiro grupo exploraria com maior eficácia o potencial experimentalista do federalismo ao dar maior margem para que setores da sociedade, economia e unidades federativas testassem modelos que estivessem a contrapelo da direção convencional seguida pelas políticas públicas federais. O quarto grupo criaria um poder dentro do governo, projetado e equipado especificamente para resgatar grupos desprivilegiados de sua circunstância de exclusão e subjugação da qual eles não tem capacidade de escapar por meio dos mecanismos políticos e ações econômicas aos quais atualmente têm acesso. O quinto grupo teria como objetivo enriquecer as instituições de democracia representativa pela incorporação de mecanismos de democracia direta e participativa sem, entretanto, acarretar na diluição das salvaguardas da liberdade individual.

4. Pode parecer estranho evocar um programa institucional no delineamento de um programa de revolução religiosa. No entanto, não é tão estranho assim, pois se a orientação religiosa insiste na criação de um mundo social mais justo e que proporciona mais oportunidades para a pessoa que transcende o contexto: ou seja, usando outra linguagem, para o espírito incorporado e situado, o original radical, que todos nós sabemos que somos. Temos um programa institucional para não desistir do mundo.

O objetivo maior desse programa não é humanizar a sociedade, mas, sim, tornar a humanidade divina. Seu objetivo é elevar a vida ordinária — não apenas para uma elite de heróis, gênios e santos, mas para todos — para um nível mais alto de intensidade e capacidade.

A auto-transformação

1. O programa para a reconstrução da sociedade vem acompanhado por um projeto para a transformação do ser. Se o projeto social avança com passos fragmentados, cumulativos, o mesmo valerá também, por razões melhores, para o projeto pessoal. Afinal, é mais fácil mudar uma sociedade do que mudar um indivíduo. Esse projeto se volta a uma reinterpretação dos hábitos da mente e do coração mais valorizados na tradição da batalha com o mundo. Num contexto cristão, ele depende de uma reinterpretação do lugar das virtudes teológicas de fé, esperança e amor na nossa vida moral.

2. O que está em jogo nesse redirecionamento fica mais claro quando a contrastamos com a visão pagã, greco-romana das virtudes. Ainda estamos para superar a influência desse quadro antigo. Sim, as virtudes da conexão — coragem, imparcialidade e tolerância — têm um papel indispensável e encorajador. Sua tônica é o abandono progressivo da experiência primitiva de estar no centro do mundo; elas nos reconciliam, na prática, com a visão de que nem tudo gira em torno de nós.

Tais virtudes precisam ser casadas com as virtudes da purificação — a kenosis dos teólogos da patrística. Por meio de tais virtudes — compaixão, simplicidade e entusiasmo – afrouxamos os grilhões que nos atam ao mundo. Ao fazer isso, conseguimos enxergar melhor o mundo e as pessoas dentro dele. À medida que nossos poderes e confortos aumentam, também aumenta o valor desse desafogo para o gozo de nossa liberdade do mundo estando no mundo.

No entanto, a importância dessas duas famílias de virtudes é transfigurada por uma terceira família que é decisiva para determinar um caminho para a vida. Essas são as virtudes da divinização: nossa aceitação do novo e de outras pessoas. É ela que nos empurra para uma existência na qual nós podemos reconhecer que a transcendência é mais importante do que a circunstância e que o amor ao próximo é uma das estralas guia da vida moral.

Parte da função deles na nossa experiência consiste em compensar pelas consequências da divergência entre o tempo histórico e biográfico: para tornar possível que cada um seja capaz de entrever na sua própria vida, nesse instante, os objetivos da revolução religiosa que essas palestras descrevem, antes de conseguirmos, coletivamente, transformar a sociedade e a cultura.

3. Vista a partir de um ângulo diferente, o objetivo desse ideal de personalidade, dessa orientação existencial, é morrer apenas uma vez, dado que temos que morrer, em vez de morrer várias pequenas mortes. É, além disso, resistir e reverter o estreitamento do foco e da adaptação às circunstâncias que ameaçam nos dominar e nos matar, pouco a pouco, durante as nossas vidas. O objetivo maior dessa conversão é nos dar vida enquanto estamos vivos.

A recompensa

1. No fim, o que temos é a nossa vida, nesse momento.

As raízes do ser humano, de acordo com a religião do futuro, estão mais no futuro do que no passado. A profecia conta mais que a memória; a esperança, que a experiência; a surpresa mais que repetição. O tempo é mais importante do que a eternidade. Nós vivemos para o futuro, à luz do futuro.

No entanto, um paradoxo formativo da religião do futuro é que viver no futuro é uma maneira de viver no presente como um ser que é mais, e que é capaz de mais, do que a sua situação permite ou revela.

Ao assim reorientarmos nossas vidas, somos recompensados. Nossa recompensa não nos resgata da mortalidade ou da ausência de fundamentos. Ela não nos consola em relação à morte. Ela nem mesmo nos prepara para a morte, algo que Fédon queria que a filosofia fizesse. Ela não supera nem ameniza o caráter inconcebível e surreal da nossa existência. Tudo não vai acabar bem.

2. Qual seria então, dentro desses limites, a nossa recompensa?

Nossa recompensa é poder agir, obstinadamente e com todo o coração, no mundo sem sermos vencidos pelo mundo. O engajamento faz parte da liberdade: nós nos criamos ao engajar numa ordem social e cultural particular. A resistência faz parte da liberdade: nós nos criamos ao resistir tal ordem. Enquanto os requisitos do engajamento e da resistência se contradisserem, não estaremos livres. Ficaremos mais livres na medida em que tais requisitos forem reconciliados. Teremos uma chance maior de agir como os originais, os que transcendem o contexto, os que compartilham de atributos da divindade, estando nesse caminho de evolução das nossas crenças religiosas como a rota mais confiável para a auto-revelação e autoconstrução.

Nossa recompensa é ter chance maior de forjar uma conexão com outras pessoas — reconhecer e aceitá-las como seres transcendentes-de-contexto — isto é, transcendentes de classe, raça, gênero e papel — indivíduos que afirmamos ser sem abrir mão do que temos de distinto e oculto (separateness and hiddenness). É também, portanto, ver aumentado o círculo invisível do amor do qual todos nós fazemos parte mesmo quando não conseguimos amar aqueles que não estão no nosso círculo de conhecidos.

Nossa recompensa é a vida, fadada à morte, porém elevada a um nível de maior de intensidade enquanto estivermos vivos. É a chance de morrer apenas uma vez. É a pausa e a reversão do processo de mumificação – a carapaça da rotina e acordos – que se forma ao nosso redor à medida que envelhecemos. Possuir a vida, agora mesmo, de olhos abertos, neste instante momento, é o mais importante objetivo da nossa autotransformação, conquistada graças a uma derrubada, uma tomada de poder auto-imposta do ser. Para chegar a esse ponto, no entanto, precisamos rejeitar o ideal de serenidade pela invulnerabilidade, ideal este que dominou a filosofia moral dos antigos e que penetrou as ideias morais dos últimos séculos. Temos que substituí-la com uma visão que aceita a vulnerabilidade e a rejeição como uma condição para intensificar a batalha com o mundo.

Nossa recompensa é o mundo real e multifacetado, do qual nós, como uma cultura e sociedade organizada, não desistiríamos, mas que, como natureza e cosmos, possuiremos mais plenamente. Possuí-lo mais plenamente significa aliviar o peso dos esquemas categóricos através dos quais o vemos e interpretamos. Significa afirmar os nossos poderes de transcendência em relação aos nossos métodos e pressupostos e também em relação às nossas instituições e práticas. Significa acreditar que a humanidade poder participar mais ativamente na experiência da genialidade, que não consiste em pensar mais, mas em perceber mais.

Tais resultados serão as causas e as consequências da intensificação da experiência, da concentração da vida no instante, que é a única resposta à mortalidade e à contingência que, com a iluminação religião do futuro, temos o direito de acreditar.

Contra-correntes na religião do futuro

1. Primeiro, parece haver um conflito entre a recompensa e a tomada de poder. A confrontação infindável com o fato da morte e com o risco da ausência de sentido e da rejeição de qualquer historia, sagrada ou secular, que eliminaria os seus terrores, parece fazer pairar uma sombra sobre a recompensa.

E de fato esta sombra existe. O conflito está no mundo, não no argumento. A tomada de poder é o requisito da transformação e da autotransformação. Juntos, estes formam o portal para a recompensa. A sombra e o portal são inseparáveis na constituição da nossa experiência.

Se, como resultado da tomada de poder, da transformação e da autotransformação, viermos a ter mais vida no momento do agora, poderemos correr risco maior de sermos dominados e paralisados pelo sentimento da vida do que antes, pelo medo da morte e pela vertigem causada pela ausência de fundamentos.

2. Portanto, aparentemente temos um conflito entre a recompensa, de um lado, e a transformação e autotransformação, do outro. A autotransformação nos coloca num caminho de busca eterna. A transformação consiste de instituições e práticas que nos conduzem a tal busca em vez de, como as instituições e práticas historicamente tem feito, para longe delas.

Estaríamos assim a ponto de sermos acorrentados, de tal maneira similar à situação da qual os filósofos da superação do mundo queriam nos libertar, ao círculo do desejo, ao carrossel da nostalgia, saturação, tédio, inquietação e luta interminável e, na esfera da percepção do mundo real, à oscilação entre ver e fitar fixamente?

De fato, estamos. Ou pelo menos estamos, salvo na medida em que o incremento da nossa experiência de vida e da nossa percepção dos outros e do mundo muda a maneira como vivenciamos a dialética inscrita na nossa constituição. Tal incremento pode mudar essa dialética, de forma assaz simples, transformando estes circuitos em rotas ascendentes no que diz respeito ao único bem que realmente possuímos, a vida vivida agora, porém enxergada à luz ao futuro.

Revolução religiosa

1. Tocqueville chegou a afirmar que toda grande revolução nos afazeres humanos é ao mesmo tempo uma revolução política e religiosa. Creio que com isso ele quis dizer que cada revolução representa uma reformulação de instituições e uma expansão da consciência.

Vivemos numa era de desilusão. Se não ficarmos desiludidos com a desilusão, profetas políticos e religiosos surgirão mesmo assim. Eles empreenderão, cedo ou tarde, a tarefa que não conseguimos realizar.

Eu já sugeri o que eu acredito ser não a doutrina, mas a direção da revolução que nós precisamos. Eu a descrevi do ponto de vista da religião e, em outros momentos, do ponto de vista da política. Eu sei, no entanto, que essa distinção só faz sentido se vista de uma perspectiva alheia aos objetivos e métodos de tal revolução.

As expressões que a insurreição pode assumir, no seu lado mais religioso, provavelmente possuem em comum com as revoluções religiosas antigas apenas a combinação de ação exemplar e ensinamento visionário. Todo o resto será inevitavelmente diferente, tão diferente que pode, no início, ser irreconhecível como a revolução que é.

O simples ensinamento central dos revolucionários deve ser e será, todavia, um que nós já podemos ouvir e seguir.

Em breve morreremos e deterioraremos e seremos esquecidos, embora tenhamos o sentimento de que não deveríamos. Morreremos sem compreender o que esse mundo estranho, e o breve tempo que passamos nele, realmente significa.

Nossa religião deve começar com o reconhecimento desses fatos aterrorizantes e não com a sua negação, como a religião tradicionalmente tem feito. Ela deve nos motivar a mudar a sociedade, cultura e nós mesmos para que nos tornemos — todos nós, não apenas alguns felizardos — maiores assim como mais iguais e incorporar uma parte maior das qualidades que atribuímos a Deus. Ela também deve, portanto, nos tornar mais dispostos a nos desproteger pelo bem da compaixão e do amor. Ela deve nos convencer a trocar a serenidade pela busca.

Assim sendo, enquanto vivermos teremos uma vida maior, nos afastando dos ídolos, porém nos aproximando um do outro. Seremos eternos, temporariamente.

Por Roberto Mangabeira Unger

Tradução de Thiago Nasser

Fonte:
http://revistaestudospoliticos.com/
a-religiao-do-futuro-por-roberto-mangabeira-unger/