sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Os quatro Temperamentos x Os quatro Elementos
1- Qualidades primitivas
As energias mais primitivas começam com o quente (expansão) e o frio (contração), seco (individualização) e úmido (união). As energias primitivas servem de base de apoio para o Zodíaco e para os planetas.
QUENTE
Plano físico – calor, mobilidade e expansão.
Plano anímico-fisiológico – centrífugo, manifestação da energia vital encerrada nas células.
Plano psíquico – excitante, estimulante e impulsivo
FRIO
Plano físico – frio, adesão, retração.
Plano anímico-fisiológico – centrípeto, retrai e concentra, acumulações e aglomerações, atonia.
Plano psíquico – concentração, resistência, profundidade.
SECO
Plano físico – tensão, rigidez, isolar.
Plano anímico-fisiológico – condensação e tensão das energias orgânicas.
Plano psíquico – decisão, precisão, veemência, rigor, obstinação.
ÚMIDO
Plano físico – união, fluidez, elasticidade .
Plano anímico-fisiológico – materialização, divisão de energia vital mediante os líquidos orgânicos.
Plano psíquico – feminino, passivo, sensível, brando, plástico, flexível.
2- Os temperamentos
a- Temperamento Colérico ou Bilioso – Quente e Seco – FOGO ( corpo vital ou etérico – sangue)
Mostra-se atuante num sangue com pulsação vigorosa; a força mais íntima irá manter sua organização com robustez e energia, e ao se defrontar com o mundo exterior desejará fazer valer a força de seu eu.
Caracteriza o homem que quer impor o seu eu em todas as circunstâncias. Grande energia, peito e abdômen alongados, cabelos negros, olhos brilhantes e salientes, rosto quadrado ou retangular, esbelto, pele azeitonada ou amorenada, quente e seca, músculos robustos bem desenvolvidos, magro, braços e pernas compridos, mãos retangulares, dedos fortes, polegar mais comprido — movimentos bruscos e ativos, gosta de exercício, bom apetite, metabolismo acelerado, tem necessidade de fécula e açúcares.
Caracteriza o homem que quer impor o seu eu em todas as circunstâncias. Grande energia, peito e abdômen alongados, cabelos negros, olhos brilhantes e salientes, rosto quadrado ou retangular, esbelto, pele azeitonada ou amorenada, quente e seca, músculos robustos bem desenvolvidos, magro, braços e pernas compridos, mãos retangulares, dedos fortes, polegar mais comprido — movimentos bruscos e ativos, gosta de exercício, bom apetite, metabolismo acelerado, tem necessidade de fécula e açúcares.
Quem é Fogo, tem intuição e vive à frente do tempo físico. Pode ter angústia porque, quando tenta explicar algo, parece que a intuição acaba, e ele pode chegar à melancolia e depressão. Fogo necessita de motivação e excitação constante; prefere evitar ficar em local fechado. Precisa provocar situações externas fáceis de se dominar e tentar gastar a energia de modo veemente, não em acontecimentos e fatos insignificantes e que não ofereçam resistência.
b- Temperamento Melancólico – Frio e Seco -TERRA (corpo físico)
Pela predominância do corpo físico que opõe resistência aos demais corpos, o homem interior sente obstáculos, pois não consegue dominar o corpo físico, fonte de aflição interior, o qual ele pode apreender através de dor e contrariedade, criando disposição tristonha, melancólica, sendo tocado pela vida de maneira sofrida.
Tem muita energia mas pouca excitabilidade, sendo geralmente um tipo longilíneo, com cabeça pendente, olhar voltado para baixo, fisionomia triste, ângulos dos lábios puxados para baixo, dentes pequenos, arcada estreita, pele fria e seca, gordura escassa, músculos pouco desenvolvidos, dedos pontiagudos, gestos enérgicos. Come pouco, é exigente na qualidade da comida, tem bom vigor intelectual, secura, frigidez, rigidez, depressão, petrificação, magreza, artrite, tendências crônicas, facilidade para decodificar a linguagem não verbal pelo predomínio das sensações. Precisa concentrar-se nos obstáculos e dificuldades exteriores, com o objetivo de desviar sua dor para os acontecimentos.
c- Temperamento Sanguíneo – Quente e úmido - AR ( corpo mental – sistema nervoso)
Tem interesse efêmero nas coisas, o qual transfere rapidamente de uma coisa para outra, sem se deter em uma só. Não prende sua atenção e interesse a um objeto. Precisa se colocar na posição de que o interesse passageiro é oportuno. O interior se exterioriza e por isso é esbelto. Pouca energia, grande excitabilidade, tipo físico alto, volumoso ou largo, formas flexíveis, cabelos castanhos; apesar de seu dinamismo é pouco propenso a atitudes físicas, necessita de exercícios ao ar livre. Ar é seu elemento e alimento, tem uma ventilação pulmonar ampla e ampla troca gasosa, é expansivo, alimenta-se bem e gosta de dormir, tendência a obesidade.
d- Temperamento linfático ou fleumático - Frio e úmido - ÁGUA - ( corpo emocional ou astral / sistema glandular)
Tende a buscar vida interior, tende a olhar de modo apagado, incolor, a fisionomia imóvel, com desinteresse por coisas externas. Pouca energia, pouca excitabilidade, tipo físico curto, arredondado, pele branca, lábios carnudos, músculos flácidos, mãos frias e úmidas, gestos moles, andar mole, preferência por alimentos pesados e indigestos, disfunções digestivas, intestinais, no aparelho genital e reprodutor, disfunções físicas e psíquicas, hiper-secreções salivares e gástricas, náuseas, vômitos, vermes intestinais, impetigo, eczemas, enfermidades que tendem à cronicidade e são de difícil resolução, devido à baixa imunidade. Precisa esgotar a fleuma, ocupando-se com a maior quantidade possível de objetos desinteressantes. Tende a se conformar com o seu destino.
3- Formação dos elementos
FOGO – energia universal radiante, núcleo dinâmico da energia psíquica (Jung), experiência centralizada na identidade pessoal, decisão, entusiasmo, intuição, impulsividade. O eu é sentido como uma projeção do princípio da vida na natureza e agindo sobre a natureza. Precisa estar ao ar livre, na luz solar e manter-se fisicamente ativo, a fim de captar energia ígnea. Relaciona-se com as salamandras, cuja qualidade é a serenidade.
a- ênfase – hiper-atividade , inquietação, impulsividade, egocentrismo, imediatismo.
b- carência – deficiência digestiva, falta de ânimo, falta de confiança.
TERRA – praticidade, cinestesia, sintonização com os sentidos e o mundo das formas, tendência a ser cauteloso, convencional e premeditado, vê a natureza como um campo para a manifestação da vida. Precisa de contato com a terra, com a natureza, os animais, pisar na lama, etc. Relaciona-se com os gnomos, cuja qualidade é a generosidade jovial.
a- ênfase – tende a confiar demais nas coisas como elas se apresentam; preocupação obsessiva com aquilo que dá resultado; cinismo ou ceticismo.
b- carência – dificuldade para adaptar-se às necessidades práticas, pode sentir-se deslocado, pode ignorar as exigências do corpo; precisa aprender a respeitar horários.
AR – focaliza suas energias em idéias específicas que ainda não se materializaram; experiência na sua preocupação com as relações teóricas; precisa de ar limpo, leve, acima do nível do mar. Relaciona-se aos silfos, cuja qualidade é a constância.
a- ênfase – hiperatividade mental, a mente pode conduzir a um esplendor conceitual .
b- carência – decisões sem reflexão, dificuldade de adaptação a idéias novas, falta de capacidade para refletir sobre o próprio eu ou a vida.
ÁGUA – motivado por anseios emocionais e sentimentos, sente-se mais feliz quando sua fluidez é canalizada e modelada pelos outros; precisa de envolvimento emocional com tudo o que estiver fazendo. Alcança sua melhor forma psíquica e emocional , quando tem a oportunidade de mergulhar em água corrente, ou estar na presença dela. Relaciona-se às ondinas, cuja qualidade é firmeza.
a- ênfase – hipersensibilidade, reações descontroladas ou descontrole emocional, tendência a extremos comportamentais.
b- carência- dificuldades para se colocar em contato com os sentimentos e necessidades emocionais, desconfiança inata no conhecimento intuitivo, resistência a terapias, toxidez excessiva, que pode conduzir a sintomas físicos de doença.
4- Modalidades operacionais
a- Cardeal ou Cardinal – modo como começa as coisas, iniciador, pode desgastar a energia adoecendo com isso ( necessita de proteína animal). (Áries, Câncer, Libra, Capricórnio)
b- Fixo – modo como cristaliza, concretizador, perseverança, formalidade, possessividade, dificilmente adoece, porém tende a doenças crônicas. (Touro, Leão, Escorpião, Aquário)
c- Mutável – modo como transforma, tende à mudança ou adaptação; perda de autonomia; capacidade de ver alternativas, flexibilidade; adoece mais facilmente. (Gêmeos, Virgem, Sagitário, Peixes).
5- Triangularidades dos elementos
Triângulo de Fogo – Compõe as energias que conduzem à ação individual ( Áries) em busca da realização (gesto criador), gerando sua filosofia de vida e suas crenças ( Sagitário). Constitui o triângulo da vida ou da identidade, que pode determinar o dinamismo inato da pessoa. Este triângulo é análogo às Casas I, V e IX.
Triângulo de Terra – Compõe as energias que conduzem à materialização, à sustentação material da pessoa, a partir do reconhecimento de seu caminho ( Capricórnio), por meio de recursos ( Touro) e determinando o servir (Virgem). Constitui o triângulo da matéria ou do poder objetivo; é análogo às Casas X, II e VI.
Triângulo de Ar – Compõe as energias que conduzem ao pensamento, expressão e comunicação e relacionamento. Indica o tipo ou condições de relacionamento, o outro ( Libra), o grupo ou os amigos (Aquário) e a troca de informações ou aprendizado (Gêmeos). Constitui o triângulo das relações e é análogo às Casas VII, XI, III.
Triângulo de Água – Compõe as energias que indicam as origens (Câncer), e o que precisa ser transformado (Escorpião) para atingir a totalidade (Peixes). Constitui o triângulo do destino. É análogo às Casas IV, VIII e XII.
Autoria do texto de I. C. Chrysóstomo
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As dádivas da memória
A memória é algo admirável. Literalmente incrível, quando observada de perto. Faz parte do pacote de capacidades miraculosas com que o ser humano é dotado. Aquelas cuja grandiosidade a gente sente melhor, em geral, somente quando falham. Pela doença. Pela velhice. Pelo desgaste natural. Às vezes, a gente só vê o sol quando chove, não é assim? Eu, por exemplo, já sofri quatro entorses nos tornozelos, jogando frescobol, correndo de ladrão, caindo em poça em dia de chuva, levando aqueles tombos bobos que a gente nem sabe explicar depois como aconteceram. Dizem que o pé é o ponto físico mais frágil dos piscianos. Não sei se faz algum sentido para a maioria, mas para mim tem feito. Todas as vezes que precisei imobilizar, com gesso ou outro recurso, ficava destacado em néon no meu sentimento o quanto é maravilhoso poder andar livremente. Superado o problema, eu esquecia de novo. É assim que costuma ser.
Voltando à memória, para não esquecê-la, acho fantástico perceber como ela consegue pescar sensações e sentimentos lá nas águas do passado e trazê-los para o instante presente do jeito como faz. Por mais que o rio flua, o tempo não passa no coração, é o que sinto. A memória faz com que coisas que aconteceram há décadas sejam revisitadas com um frescor tão genial que parecem ter ocorrido ainda agorinha. Deve ser por isso que, tantas vezes, admirados por lembrar de algumas circunstâncias com capacidade de experimentar, de novo, a textura do sentimento, o cheiro dele, dizemos para nós mesmos ou para os outros: “parece que foi ontem”. A memória não sente calendários, embora os saiba. A inteligência que bolou essa maravilha só pode ser suprema.
Muitas vezes quando estou presa nas gaiolas que ainda me limitam, a minha lembrança voa e pousa em delícias que desenham em mim um sorriso bom. Quando percebo, eu sou toda aquele sorriso, como se cada célula, naquele instante, pudesse sorrir também. Não sei se isso acontece pela alegria que o meu coração experimenta nos lugares que visita ou simplesmente porque me dou conta de que há algo em mim que continua livre. Ainda que por tantos motivos eu me sinta enredada. Ainda que por tantos motivos eu desafine no canto que ofereço à vida e, de forma mais particular, no canto que eu me ofereço.
Há algo em mim que não desaprende esse caminho. Que segue, quando, aparentemente, eu paro. Que continua a luzir, mesmo quando eu tropeço nas minhas sombras. Há algo em mim que me salva de mim. Que me leva pela mão para brincar. Para conhecer o que continua vivo e belo além de toda e qualquer gaiola. Além dos meus tempos de muda. Algo que me mostra uma paz intensa e verdadeira. Que não me deixa esquecer que continuo a ter asas, mesmo quando eu não vôo. A memória, de alguma forma, me ajuda a lembrar de tudo isso, porque nunca desfaz a mesa onde eu posso me alimentar, sobretudo quando mais preciso, com lembranças perenes de amor.
Gosto quando a minha memória brinca de preparar boas surpresas e traz à tona lembranças que parecem surgir do nada. Aquelas que aparecem, de repente, sem ter nenhuma vinculação perceptível com algum fato ou experimento dos sentidos. É provável que a mente tenha lá as suas motivações para trazê-las ao nosso encontro, mas não deixa pistas para que possamos compreendê-las. Essa é uma das minhas partes prediletas da brincadeira: de vez em quando, não conseguir entender nem tentar é um descanso. Um convite para somente sentirmos, nós que costumamos agir como se fôssemos impelidos a entender tudo o tempo todo. É um alívio quando descobrimos a liberdade que há em apenas dizer “não sei”.
Uma tarde dessas, repentinamente, eu senti o cheiro, depois o gosto, de um doce de brigadeiro que provei há mais de trinta anos. E a memória que veio à tona não se limitava ao olfato e ao paladar. Era maior. Cheguei a lembrar da ilustração das caixas do chocolate em pó: dois padres que pareciam se deliciar com a gulodice. Lembrei da minha mãe comprando aquelas caixas junto com a minha madrinha para a festa de algum aniversário meu. Da atmosfera que registrei como uma alegre cena de amizade das duas. Do carrinho do supermercado. Depois, da consistência do doce. Da delícia de ter dedos e queixos lambuzados com a sobra da panela, sem cerimônia alguma. A vida era tão grande e eu não sabia nada a respeito dela nem fazia questão. Sequer imaginava que, tantos anos depois, a vida continuaria imensa, mas eu teria a impressão de sabê-la ainda menos, apesar de ter uma coleção de hipóteses.
O mais curioso é que não havia nada, aparente, que pudesse ter evocado aquela lembrança. Nenhum vendedor. Nenhum comentário culinário. Nenhuma mordida na barra de chocolate própria ou alheia. Nenhuma colher de pau. Nenhum carrinho de mercado. Nenhuma dupla de amigas trocando idéias sobre a festa de aniversário dos filhos. Estava ali, sentada, diante de um computador. Apenas isso. Sorri ao me dar conta de que algumas lembranças doces - inclusive literais, como aquela – conseguem nos salvar da sisudez de momentos insossos.
Quando acontecem situações como esta, eu percebo que somos o que sentimos a cada instante. Que somos o lugar, não importa onde estamos. Percebo, principalmente, que, por maiores que sejam os apelos externos, não precisamos nos limitar em gaiola alguma. Nem nas que criamos para nós nem naquelas que os outros, sejam lá por quais razões, querem nos prender. Ninguém precisa continuar a se sentir preso quando pode recordar com o próprio sentimento o quanto a vida pode ser mais fácil e amorosa, embora tantas vezes as circunstâncias tentem nos convencer do contrário.
Eu sei que a memória também nos apronta surpresas desconfortáveis. Que, de vez em quando, ela nos põe em contato com lembranças que por nada nesse mundo queremos rememorar e que não existe nenhum botão que possa ser apertado para evitarmos esse encontro. Mas os benefícios que propicia superam os eventuais desconfortos. Recorro a ela várias vezes para me nutrir, mas não fico por lá além do necessário. No retorno, costumo voltar mais confiante. Ela me lembra de que tudo passa, mas que algumas dádivas conseguem transpor as aparentes cercas do tempo. Dádivas, por exemplo, como o amor compartilhado.
Ana Jácomo
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