quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poesia...





"Então, pintei de azul os meus sapatos 
por não poder de azul pintar as ruas, 
depois, vesti meus gestos insensatos 
e colori, as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente 
e aprisionar no azul as coisas gratas, 
enfim, nós derramamos simplesmente 
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos 
que no excesso que havia em nosso espaço 
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos 
e vimos que entre nós nascia um sul 
vertiginosamente azul. Azul."

Por Carlos Pena Filho


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